quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CARNAVAL

No Carnaval em Portugal

até o inverno se disfarça:

põe um sol de papelão

e um sorriso de ameaça.


Sai à rua o Zé Povinho

com coroa de purpurina,

rei por três dias apenas —

na quarta já volta à sina.


Há políticos de cartolina

com promessas de serpentina,

que voam leves no ar...

mas nunca chegam à esquina.


O vizinho vira pirata,

a tia vira rainha,

e quem nunca teve voz

berra alto na marchinha.


Come-se sonhos e filhoses,

bebe-se riso barato,

e até a crise, coitada,

usa máscara de gato.


Mas o mais curioso, afinal,

neste teatro improvisado,

é que, findo o Carnaval,

ninguém tira o disfarçado.


Porque há máscaras tão coladas

que nem a chuva desmancha:

uns vestem-nas só em fevereiro,

outros... usam-nas o ano inteiro na franja. 


Conceição Parreira

Fevereiro de 2026

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