segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

MATANDO A SEDE

 MATANDO A SEDE


Ao ver-te a sede passa

Pois a sede que me trespassa

É de nunca te encontrar

Mato a sede mato a fome

Mato tudo que me consome

Na ternura do teu olhar

 

És a minha quente lareira

És a manta sobre a esteira

A elegante taça de vinho

A jarra de flores na mesa

Quem me dá a certeza

Que não me deixa sozinho

 

És quem me obriga a escrever

Além de nunca te ver

Te sinto sempre presente

O jardim dos meus passeios

A flor dos meus anseios

A estrela que a alma sente

 

A minha caneta sorriu

Quando no meu rosto viu

Um sorriso ao escrever isto

Sei que não vou a nenhum lado

Continuando sentado

De escrever não desisto


Rogério Alegria

Dezembro  2025


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