quinta-feira, 12 de março de 2026

POESIA

                        NAUFRÁGIO


            E mais ou menos, quando

            O mar se altera e enfurece

            E há sempre um barco afundando

            Levando para o fundo quem padece

            

            O mar não quer amainar

            Há uma tripulação aflita

            Que tenta em aflição se salvar

            Mas há outra que apenas só grita

            

            O tripulante lá ficou agarrado

            Aquilo que tinha à mão

            Sentindo-se o maior desgraçado

            Agarrado à fotografia do irmão


            Aos Santinhos também pediu

            Sobretudo ao seu Santo Padroeiro

            E Ele lá conseguiu

            Enviar-lhe um fiel companheiro


            Não veio um, mas sim uma companheira

            Nas vestes de uma gaivota

            Surgindo naquela manhã milagreira

            Que o conseguiu trazer de volta

João Paiva            

Março de 2026            

POESIA

                    MAR

             Por essas rotas a diante

            Os olhos postos no infinito

            Quero ver a terra distante

            Sem navegar por instinto


            É como sentir o coração

            Que muito tem para nos dar

            E com muita preocupação

            Porque continua a trabalhar


            O mar por vezes nos engana

            Convidando-nos a navegar

            É como a simpática cigana

            Com o querer de nos enganar


            Marinheiro tens que ser afoito

            Com o mar não se pode brincar

            Agora estamos feitos num oito

            E ninguém que nos possa salvar


            Noutro dia subi a um farol

            Manhã com névoa de serrar

            Que nem consegui ver o sol

            Nem aquela imensidão de mar.

João Paiva            

Março de 2026            

PROGRAMADE FESTAS DE 1956

 

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 

ESCAROUPIM

 

ESCAROUPIM

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES


 ESCAROUPIM

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 

ESCAROUPIM

FOTOGRAFIA

 PAÍSES BAIXOS


FOTOGRAFIA

 PAISES BAIXOS




POESIA

                            O MEU RIO

            Muitos anos entre nós passaram

            Foste com gosto a minha ambição

            Recebeste bem os que até a ti chegaram

            A quem dedicaste a melhor atenção


            Na enchente por vezes barafustaste

            Na vazante deixaste um agueiro

            Não foste de todo um traste

            Porque sempre limpaste o esteiro


            Quando chegamos ao preia mar

            Os mais velhos e sabedores de fé

            Põem-se muitas vezes a reclamar

            Pelos desencontros da tua maré


            Os antigos que ainda cá estão

            Olham para os filhos já criados

            E dizem, para o rio não foram não

            Muito menos para embarcados


            Meu rio não podes estar doente

            Apesar de muito mal tratado

            Não tenho dúvidas que estás carente

            E muito longe de estares acabado


            Nas tuas margens sempre vivi

            E nelas muitas vezes mergulhei

            Com as correntes muito aprendi

            E os muitos sustos que apanhei


            O teu leito é um pegado lameiro

            Se estivesse na minha mão te ajudava

            Sabendo que foste um rio primeiro

            Onde toda a gente navegava


            Na tua enchente e vazante

            Muito me ajudaram a sonhar

            Desde o mau tempo a levante

            Ao mar sereno para navegar

João Paiva                

Março de 2026                

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 


FLORES

 


POESIA

                    MARÉ


            Estou junto á maré

            Que acaba de chegar, serena

            Convida-me a por lá o pé

            E eu lhe nego com muita pena


            Por estares quentinha, não me apanhas

            Pensando melhor leva-me ao infinito

            Esse que nos devassa as nossas entranhas

            É isso, mesmo que sinto


            Ao longe vem um barqueiro

            Cheio de força e a remar

            Já se safou do seu agueiro

            E á praia quer chegar


            Gostamos de ver a serenidade do mar

            Mas também nos assusta quando enfurece

            E quantas vezes mais, nos põe a chorar

            Quando um náufrago no mar desaparece


            Quando o mar toca no sol

            Ou o sol toca no mar

            É tão bonito aquele enorme lençol

            Em cujo fenómeno nos põe abraçar

João Paiva            

Março 2026            

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES


 

O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 


O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 


O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 


quarta-feira, 11 de março de 2026

CASTELO MEDIEVAL

 MONTEMOR-O-NOVO



MONTEMOR-O-NOVO

 IGREJA DA VISITAÇÃO



RIO TEJO - SÍTIO DAS HORTAS - ALCOCHETE

 


RIO TEJO - BARREIRO

 


FLORES

 


CANNA YELLOW KING HUMBERT

HERDADE DE RIO FRIO - RUÍNAS

 


O TEJO COM OS SEUS BARCOS E SUAS AVES

 

A FALUA DO MEU NETO

MAINOVA

BELA PINGA


 

FLOWERS


SOU FLOR MAS VOU SER FRUTO

 

RIO TEJO - ALCOCHETE

 

PASSEIO NO BOTE LEÃO

FOTOGRAFIA

 CANAIS DE BRUGES



RIO TEJO - ALCOCHETE

 

PASSEIO NO BOTE LEÃO

RIO TEJO - ALCOCHETE

 

PASSEIO NO BOTE LEÃO

FOTOGRAFIA

 BRUGES



BARCOS DO TEJO

 


FOTOGRAFIA

 RIO SENA



BARCOS DO TEJO

 


TEMA LIVRE

 

AZULEJO

ESCRITA NARRATIVA

VISITA A CASA DA MINHA SOBRINHA

Chego já o cozido à portuguesa, composto com as melhores carnes e enchidos de porco está ao lume, depois de tudo previamente amanhado como mandam os preceitos dos nossos antepassados e não tarda muito e o cheiro tradicional da confeção começa a exalar por todo a casa.

A mesa bem portuguesa, onde não faltou um vinho de Pégões e para sobremesa um melão, não de Almeirim nem do Alentejo, mas sim de um país sul americano, que pena, mas não faltou o nosso bolo de milho da tia Beatriz (minha mãe).

Agora a história que vou contar: Acabamos de almoçar e fomos dar a volta dos tristes como se diz cá na terra e ficámos presos à conversa com um antigo companheiro da primária, de nome Salvador.

- Pergunta-me o Salvado:

- Lembras-te do Jorge Gordo que também foi teu colega na Banca? Ja faleceu.

- Eu sei e aproveito para contar uma história que passei com o Jorge e o meu primo Luis, que enquanto cá andar será sempre recordada.

- Como sabes eu tinha um barco, que era a minha grande paixão e navegava com qualquer tempo. Certo dia o Jorge pediu-me para navegar comigo, mas não atendi o pedido pelo facto de ele não saber nadar. Tanto me pediu que um dia fez parte da tripulação. Numa manobra de rumo por mim executada e com o excesso de peso do Jorge, o barco afundou-se. Ele com grande aflição segurou-se à minha camisola e não a largou mais. Com a ajuda do Luis, conseguimos que o Jorge me largasse e só assim foi possível o seu salvamento e também o meu.

Até aqui tudo bem, mas o Salvador diz-me:

- Não continues, porque eu estava na praia e assisti a todo esse drama. Fui eu quem os auxiliou a sairem da água, não te lembras?

Passaram mais de sessenta anos. Como é possível esta lembrança surgir agora entre nós os dois? Foi um momento maravilhoso este, um recordar de histórias, mas uma coisa aconteceu: Selámos com um abraço os nossos oitenta anos de vida, abraço este que durou tantos anos a saldar.

João Paiva

Março de 2026

ESCRITA NARRATIVA

A Fábula do Urso Maior e do Urso Menor

Na orla de uma floresta antiga viviam dois ursos: o Urso Maior e o Urso Menor. O Urso Maior tinha passos pesados, voz grave e uma certeza antiga de que o mundo era perigoso. O Urso Menor tinha olhos curiosos, patas ainda inseguras e acreditava que o mundo era um lugar por descobrir. Todos os dias, o Urso Menor perguntava: — Posso ir mais longe hoje? E o Urso Maior respondia sempre: — Ainda não. A floresta ensina devagar. Certo dia, enquanto o Urso Maior dormia à sombra de um carvalho, o Urso Menor aventurou-se um pouco mais. Não foi longe — apenas o suficiente para se perder do cheiro seguro do outro. Assustado, o Urso Menor chamou. Chamou baixo, chamou alto, chamou com o coração. O Urso Maior acordou e percebeu: proteger não é prender. Correu pela floresta, derrubou silêncios, afastou medos, até encontrar o Urso Menor encolhido junto a um riacho. — Pensei que o mundo fosse maior do que eu — disse o pequeno. — E é — respondeu o Urso Maior, abraçando-o — mas tu também estás a crescer. Nesse dia, regressaram juntos. O Urso Maior caminhou um pouco atrás, atento. O Urso Menor caminhou um pouco à frente, confiante. Moral da fábula: Quem ama protege, mas também aprende a soltar. E crescer é isso: ir um pouco mais longe, sabendo que alguém nos espera.

Conceição Parreira

Março 2026

MOINHOS DOS PAISES BAIXOS

 AMESTERDÃO



ESCRITA NARRATIVA

O comboio partiu ainda com a madrugada colada às janelas. Havia um silêncio espesso no cais, como se todos os destinos estivessem a prender a respiração. Sentei-me junto à janela, levando comigo apenas uma mala pequena e um cansaço antigo que não passava pela alfândega. À medida que o comboio avançava, os países iam-se dissolvendo como pensamentos mal acabados. Campos verdes, rios imóveis, estações com nomes difíceis de pronunciar — tudo passava com a mesma delicadeza com que se folheia um livro já lido. No reflexo do vidro, via o meu rosto misturado com a paisagem: eu também estava em trânsito, entre o que tinha sido e aquilo que ainda não sabia nomear. Havia pessoas que dormiam, outras liam, algumas olhavam o nada com devoção. Um homem de cabelos brancos desenhava mapas imaginários num caderno. Uma rapariga falava baixo ao telefone, como se confessasse um segredo ao próprio comboio. Ninguém perguntava a ninguém de onde vinha. Talvez porque todos ali estivessem a fugir de algo — ou a aproximar-se. Quando atravessámos a fronteira invisível da Holanda, a luz mudou. Tornou-se mais clara, quase líquida. Os campos pareciam pintados com paciência e os canais surgiam como frases bem pontuadas. Senti que Amsterdão não seria apenas um lugar, mas um estado de espírito: um espaço onde o tempo anda de bicicleta e a solidão aprende a conviver com a beleza. Ao chegar, o comboio parou com um suspiro metálico. Desci devagar, como quem não quer acordar de um sonho. A cidade esperava-me sem pressa, com as suas pontes curvas e janelas abertas para dentro da vida dos outros. Percebi então que a verdadeira viagem não tinha sido até Amsterdão, mas até esse lugar raro onde finalmente me sentia em movimento outra vez. E, pela primeira vez em muito tempo, isso bastava.

Conceição Parreira

Março 2026

NATUREZA

 RIO DOURO


NATUREZA

PASSADIÇOS DO PAIVA



NATUREZA

BELOS RECANTOS DA NATUREZA



NATUREZA

 RIO ZÊZERE



TEJO,O RIO,SEUS BARCOS E SUAS AVES

MARGEM DIREITA DO TEJO



MOLICEIRO

 RIA DE AVEIRO



NATUREZA

PASSIFLORA CAERULEA-FLOR DA PAIXÃO



RUÍNAS

 CASTELO MEDIEVAL DE MONTEMOR-O-NOVO




I DE IGREJA


IGREJA DO DIVINO ESPIRÍTO SANTO -  MONTJO

 

VELAS BRANCAS


SEMPRE CONSEGUI


 

TEJO E BARCOS


PROCISSÃO DE S. PEDRO

 

O TEJO

PROCISSÃO POR MAR

 

FESTA NO MAR

REGRESSO DE S. PEDRO AO MONTIJO

 

A CAMINHO DA BA6


ALERTA NO MAR