SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
ESCRITA NARRATIVA
O Que Ando a Fazer Neste Mundo?
Às vezes, paro para pensar: o que é que eu ando a fazer neste mundo? Estaquestão, que parece tão simples, traz consigo uma profundidade imensa e revela inquietações, sonhos, dúvidas e motivações que me acompanham diariamente.Sinto que a minha jornada nesta vida é feita de constantes descobertas. Aprendo com as pessoas ao meu redor, com os desafios que enfrento e com as pequenas vitórias do dia a dia. Cada experiência é uma oportunidade de crescer, de ganhar novas perspetivas e de me conhecer melhor. Ando a procurar sentido nas coisas, a tentar perceber o meu lugar no mundo, a contribuir de alguma forma, por mais pequena que seja. Valorizo as relações que construo: amizades que me acompanham, família que me apoia e novas pessoas que cruzam o meu caminho. Acredito que uma parte importante do que faço neste mundo passa por cultivar estas ligações, aprender com os outros e, quando possível, fazer a diferença na vida de alguém. Procuro aquilo que me apaixona, seja através do trabalho, de hobbies ou decausas em que acredito. Às vezes, é fácil sentir-me perdido, como se tudo fosse demasiado vasto e incerto. Mas sigo em frente, guiado por pequenos objetivos, sonhos e pela vontade de experimentar coisas novas. Tento viver com autenticidade, ser fiel a mim próprio e contribuir, de alguma forma, para um mundo melhor. Nem sempre é fácil. Existem dias de dúvidas, de desmotivação e até defrustração. No entanto, acredito que parte do meu percurso é aprender a lidar com estes momentos e transformá-los em oportunidades de evolução. O que faço neste mundo também é superar-me, adaptar-me e continuar a tentar, mesmo quando o caminho não é claro. No fundo, aquilo que ando a fazer neste mundo é procurar o meu propósito. Talvez nunca encontre uma resposta definitiva, mas acredito que o sentido está no caminho, nas escolhas que faço, nas pessoas que amo e nos pequenosgestos do dia a dia. Vou vivendo, aprendendo, errando e tentando ser melhor. E, na incerteza, sigo tentando ser alguém de quem possa orgulhar-me.
Conceição Parreira
Fevereiro 2026
UMA CAMA VOADORA
DORMIR
A Sofia sentia-se cansada de tantas viagens. Finalmente estava de regresso a casa. Era tarde, desejava tomar um banho quentinho e reparador. Sentia-se impregnada com o cheiro do aeroporto e do avião.
Que bom poder deitar-se na sua confortável cama, a do hotel também era boa, mas nada como o aconchego das coisas familiares. Depois do duche reparador, foi deitar-se exausta, mas com tanta agitação interior seria difícil conciliar o sono, sentia o olhar cansado de tanto observar o escuro do quarto. Os pensamentos fluíam como se fossem um mar bravo de Inverno. Era forçoso adormecer para descansar o seu cérebro agitado com os acontecimentos das últimas semanas. Tanta coisa para pensar decidir e resolver. Por onde havia de começar? Interrogou-se mais uma vez. Estava a ser difícil chegar a uma conclusão satisfatória para todos os problemas.
Finalmente, conseguiu adormecer profundamente. De súbito acordou com uma música suave, que não sabia de onde vinha, mas que, no entanto, era bela e convidativa, não ficou aborrecida com o facto de ter acordado depois de tanto esforço para adormecer. Mas abriu bem os olhos para saber o que estava a acontecer, e de onde vinha a música, para seu espanto lá estava ela no meio de uma praça num velho coreto, rodeada por uma banda que tocava uma ária de uma ópera de que ela gostava muito, e que o seu avô costumava assobiar alguns acordes para ela adormecer quando era criança. Mas que coisa tão estranha pensou. - Onde estava ela? - Que sítio era este? - Mas o que estava ali a fazer? - As pessoas que estavam sentadas nos bancos da praça, ou na relva pareciam não a ver, será que estava transparente?- Provavelmente nem sequer estava ali, era tudo um sonho, mas beliscou-se e sentiu a dor, portanto se era um sonho, era bem real.
De repente, com uma sacudidela a cama começou a flutuar por cima da banda, e saiu disparada do coreto qual tapete voador das histórias das mil e uma noites. A Sofia pensou, oh que giro sou uma personagem da Mary Poppins, vou ficar aqui e ver até onde esta cama me leva. Começou então a ver a cidade que ficava nas montanhas rodeada de uma floresta com pinheiros e abetos verdes, e que vista, assim, de cima se assemelhava a uma floresta negra e impenetrável.
Quando olhou melhor também viu que a cidade tinha um castelo com torres redondas, o qual parecia saído duma história de encantar daquelas que o seu avô lhe contava.
Era perfeito para as histórias com lindas princesas, e a Sofia pensou - “bom se isto é um sonho quero continuar a sonhar, porque sonhos deste são bons e libertadores da normalidade da rotina da vida”. E deixou a cama voar pelo céu azul e infinito.
Maria José Santos
Fevereiro 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F
FUTEBOL
Dribles, corridas e fintas loucas
Apesar disso o futebol não vai parar
Até as gargantas ficarem roucas
Muito há para gritar
Agentes e adeptos são aos milhões
Não sei quem tem razão
Porque são grandes as paixões
Entretanto, lá se vai um coração
Os marginais colocados à parte
E muitos não têm lugar
Para ao jogo assistir, até usam de sua arte
E por ela muito têm que suar
O golo lá aparece, nem sempre bonito
Há muita gritaria lá no alto
Elevando o seu grau ao instinto
Protestando num qualquer penalti
Não sei quem ganhou
Até os árbitros foram enxovalhados
Os mirones foi quem mais olhou
Desportivamente ficaram todos lixados
João Paiva
Fevereiro 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F
ADELAIDE DA FACADA E AMÂNCIO
QUADRO DE JOSÉ MALHOA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU DO FADO, ESTE QUADRO É DE 1910, A VERSÃO DE 1909 PERTENCE A UMA COLECÇÃO PRIVADA
sábado, 14 de fevereiro de 2026
POESIA
MAREAR
Ao mar agreste fui parar
E a terra tinha que vir
Não era só para pensar
Também tinha que sorrir
O mar assim me deu
O que as estrelas dão
Naquela noite de breu
Onde só se via o clarão
Fugi do tormentoso mar
Com muita atrapalhação
Na aflição de naufragar
Acabei com os pés no chão
A desgraça pode vir do mar
O meu avô João lá morreu
Vou para sempre lembrar
Nuvem que nunca esvaneceu
Soltar cabos para largar
Agora temos que partir
Esperando que o mar
Esteja disposto a sorrir
João Paiva
Fevereiro 2026
ESCRITA NARRATIVA
REDACÇÃO
Era pequeno tinha doze-treze anos, e como todas as crianças, só queria dormir, após o pôr do sol. Não havia televisão e a rádio era ouvida em casa do vizinho.
Trabalhava de dia e estudava à noite, era assim para quem não fosse filho de homem calçado. O meu pai era pescador, para vencer e conquistar melhores dias tinha que ser com muito sacrifício.
A minha professora de português ordenou-me que fizesse uma redacção, acerca de um acontecimento que viesse a suceder nesse dia mas, nada de anormal até aqui.
A eletricidade á minha casa ainda não tinha chegado. Havia o candeeiro a petróleo e, como detestava o cheiro mais ruim do Universo, o candeeiro era apagado logo que não fizesse falta. Assim, a minha avó chamava-me de madrugada, para fazer as minhas obrigações escolares, antes de partir para mais um dia de trabalho e, aproveitando o amanhecer do dia. Mas naquele dia a madrugada nasceu escura, pelo que a minha avó tivesse que acender o candeeiro a petróleo e, colocando-o em cima da mesa de cabeceira. me chamou, como só ela sabia acordar o neto, que ainda tão jovem já começaria a comer o pão que o Diabo amassou.
Esfreguei os olhos, puxei-me para cima, naquele belo colchão de barbas de milho, olhei para um velho relógio que marcava as seis horas e preparei-me para começar mais um dia de trabalho, que tinha mais horas de trabalho do que descanso.
Ah! A redacção que tem que ser feita agora, e, qual o acontecimento mais importante? Perguntei para mim.
Lá fora fazia frio e vento e eu pensando qual o título a dar redacção, esfregava os olhos ensonado, aconchegando para mim a roupa da cama, enquanto a minha avó já labutava contra as agruras da vida que sempre conheceu.
Finalmente começo:
REDACÇÃO
Hoje tive um dia completamente normal, nada de especial, nada que merecesse qualquer referência me tinha acontecido, como é que agora haveria de arranjar argumento para escrever.
Estava eu nesta ansiedade por não encontrar motivo, quando uma voz vinda do quintal me anunciava que, para alem do frio, caía neve. Era a voz da minha avó dar-me a notícia.
Fiquei tão contente, tão cheio de vontade em fazer a descrição da queda de neve, que dei um salto de alegria na cama. Em tão mau momento o dei, que a cama estremeceu, bateu na mesa de cabeceira e zás o petróleo no chão, vidro partido, quarto ás escuras e a aflição da minha avó quanto ao petróleo derramado e eu também arreliado por ter encontrado o motivo para a redacção e, não o ter concretizado.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
NATUREZA
Depois de muitos anos a lutar, este inverno, finalmente desistiu.


