quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CIRCUNSTÂNCIA

Uma cela

Cinco homens

Em seis dias apreçados

Cinco gestos algemados

Por recusarem a trela


Uma ponta de aço espesso

Corta p'ra Luz a saída

Mas cá dentro pulsa a Vida

Porque a Esperança não está morta


Uma janela 

com grades

Filtra ao sol a alegria

Rouba a beleza do dia

Mas a Razão mora nela


Uma mesa 

Ao chão pregada

Cinco beliches torcidos

Lembrando esquifes fendidos

Não nos tiram a Certeza


Uma sonora

pancada

Atravessando a parede

Vem aliviar a sede

do convívio lá de fora


Um tribunal

Arbitrário

Sem lugar para a defesa

Transforma o Homem em presa

Do poderio animal


Octávio Dias

Fevereiro 2026 

B DE BEJA

CALÇADA PORTUGUESA



 

MUSEU FERROVIÁRIO

ENTRONCAMENTO


 

MUSEU FERROVIÁRIO

1900


 

FALSO ESMALTE


TEXTURA


 

HAVANA

BUICK


 

HAVANA


CARRINHA


 

HAVANA

AUTOMÓVEL


 

HAVANA


ANOS 30


 

MEIOS DE TRANSPORTE


 

HAVANA - CUBA

OUTROS TEMPOS


 

CONVENTO DE CRISTO - TOMAR

REFEITÓRIO DOS MONGES


 

MEIOS DE TRANSPORTE

 



ESCRITA NARRATIVA

                                                  COMBOIO


O comboio partiu ainda com a madrugada colada às janelas. Havia um silêncio espesso

no cais, como se todos os destinos estivessem a prender a respiração. Sentei-me junto

à janela, levando comigo apenas uma mala pequena e um cansaço antigo que não

passava pela alfândega.

À medida que o comboio avançava, os países iam-se dissolvendo como pensamentos

mal acabados. Campos verdes, rios imóveis, estações com nomes difíceis de

pronunciar — tudo passava com a mesma delicadeza com que se folheia um livro já

lido. No reflexo do vidro, via o meu rosto misturado com a paisagem: eu também estava

em trânsito, entre o que tinha sido e aquilo que ainda não sabia nomear.

Havia pessoas que dormiam, outras liam, algumas olhavam o nada com devoção. Um

homem de cabelos brancos desenhava mapas imaginários num caderno. Uma rapariga

falava baixo ao telefone, como se confessasse um segredo ao próprio comboio.

Ninguém perguntava a ninguém de onde vinha. Talvez porque todos ali estivessem a

fugir de algo — ou a aproximar-se.

Quando atravessámos a fronteira invisível da Holanda, a luz mudou. Tornou-se mais

clara, quase líquida. Os campos pareciam pintados com paciência e os canais surgiam

como frases bem pontuadas. Senti que Amsterdão não seria apenas um lugar, mas um

estado de espírito: um espaço onde o tempo anda de bicicleta e a solidão aprende a

conviver com a beleza.

Ao chegar, o comboio parou com um suspiro metálico. Desci devagar, como quem não

quer acordar de um sonho. A cidade esperava-me sem pressa, com as suas pontes

curvas e janelas abertas para dentro da vida dos outros. Percebi então que a verdadeira

viagem não tinha sido até Amsterdão, mas até esse lugar raro onde finalmente me

sentia em movimento outra vez.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso bastava.


                                                                                          Conceição Parreira

                                                                                           Fevereiro 2026

MONTIJO

ZONA RIBEIRINHA


 

POESIA

                    PARA TI (Que não te conheço)


            Como é belo o teu cabelo

            Mesmo pertinho do teu olhar

            Não há na terra paralelo

            Na hora de contigo sonhar


            Logo que vejo os teus olhos

            Tenho que os meus fechar

            A idade já não perdoa

            Mas o cupido tenta entrar


            Para a alma despertar

            Ati tenho algo a dizer

            Por muito de ti gostar

            Não quero verte sofrer


            Outubro é um mês quente

            Cheio de amor e emoção

            A um desconhecido carente

            Se abre sempre um coração


            Meus olhos estão a ver

            E o teu olhar já sorria

            Não o posso esquecer

            Teu rosto já me alumia


            Estou aqui para te ver

            Estou aqui para te olhar

            Aqui para não te esquecer

            Aqui para contigo sonhar


            Dia para mim importante

            E que não posso esquecer

            Deito fora o que não presta

            Fica o resto para te oferecer

João Paiva-Fevereiro 2026            

FOTOGRAFIA

 MONTIJO



NATUREZA

 COGUMELOS



ESCRITA NARRATIVA

 

“A Folha de Papel em Branco”

Há quem tema a escuridão, quem se assuste com alturas e quem desconfie de palhaços. Mas poucos assumem o pavor mais silencioso e mais democrático de todos: a folha de papel em branco. Sim, ela mesma — aquela superfície aparentemente inocente que, segundo fontes altamente confiáveis (o meu próprio bloco de notas), já provocou mais suores frios do que provas de matemática.  Às 9h02 da manhã, hora oficial da coragem criativa, uma folha A4 impecavelmente branca foi avistada em cima de uma mesa, exibindo a sua habitual expressão vazia. Interpelada pela reportagem, manteve-se em silêncio, postura que especialistas interpretam como pressão  psicológica sobre o escritor. O escritor — que, por questões de privacidade, identificaremos apenas como “Eu Mesmo” —aproximou-se munido de uma caneta preta, na esperança de iniciar o ritual sagrado da escrita. “Hoje vai”, afirmou, com uma convicção que durou exatamente três segundos, tempo suficiente para lembrar que não fazia ideia do que escrever. A folha, impassível, observava. Testemunhas relatam que o primeiro ataque de pânico criativo aconteceu quando “Eu Mesmo” pousou a caneta e a retirou logo depois, sem deixar sequer um rabisco. O incidente foi registado como “tentativa frustrada de começar pela introdução”. Peritos em criatividade alertam que a folha em branco é astuta. Finge disponibilidade, mas apresenta uma ameaça psicológica complexa. “Ela força-nos a olhar de frente para o nada”, explica a professora de Literatura, Dra. Metáfora de Sousa, “e depois pergunta: e então, o que tens para mim?”. A situação só começou a melhorar quando o escritor abandonou a estratégia da inspiração súbita e optou pela abordagem “vamos escrever qualquer coisa antes que o café arrefeça”. O primeiro parágrafo surgiu às 9h47, seguido de um suspiro de alívio e de uma sensação de vitória proporcional a ter conseguido estacionar à primeira. No final, a folha já não estava branca. Estava povoada de palavras, frases e duas rasuras — marcas de batalha, símbolos de resistência e testemunho de que, às vezes, escrever é metade luta, metade comédia involuntária. A folha em branco não deu declarações finais, mas ficou comprovado: por mais intimidante que pareça, ela perde sempre para o escritor que ousa começar... mesmo que seja a escrever uma crónica sobre ela própria. E assim se fecha mais um caso no departamento de Crimes Criativos e Outros Desabafos Jornalísticos.


                                                                                                                    Conceição Parreira

                                                                                                                     Fevereiro 2026

QUINTA PÁTIO D'ÁGUA - MONTIJO

 ERMIDA DE SANTO ANTÓNIO



P'ra Ti

 Estava meu amor quedado e surdo

Condenado por certo à vanidade

Da vida sem razão, descrendo em tudo

Mas de tudo conservando a castidade


Tal era a servil passividade

Com que via os desaires do meu luto

Que não sabia o era ter saudade

E no futuro não via qualquer fruto


Mas eis que num repente tu surgiste

Trazendo a meu viver nova surtida

Que me transformou em novo alguém


E juro minha querida que se existe

Quem criou do nada, febre e vida

És tu minha adorada e mais ninguém


Octávio Dias

Fevereiro 2026 

ROMA



BOLINHAS


 

BENIDORM



IGREJA DE SÃO JAIME E SANTA ANA


 No ponto mais alto do Centro Histórico de Benidorm, no Cerro Canfali, ergue-se a majestosa Igreja de São Jaime e Santa Ana, dedicada ao padroeiro da cidade.

BENIDORM

VEM DEPRESSA VERÃO


 

PALMA DE MAIORCA

OLHA A LUA


 

HOJE É DIA DE FESTA


FELIZ ANIVERSÁRIO


 

HOJE É DIA DE FESTA


FELIZ ANIVERSÁRIO



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ÚLTIMA ANÁLISE

 Um círio arde cansado

Iluminando o casebre

E o morto vive na febre

De ter morrido enganado


Afasta a Morte um momento

Escarra no chão uma dor

E nos olhos um fulgor

Receando-se o tormento


Relembra os danos passados

Tenta lembrar alegrias

Mas só lhe surgem os dias

De martírios renovados


Em vão tenta recordar

Algo que tenha valido

Todo esse mal sofrido

No constante labutar


Vê trabalhos, vê canseiras

Vê o corpo repartido

Vê o seu amor traído

Das mais diversas maneiras


Vê os malogras que a Vida

Com bastas mãos espalhou

No caminho que o levou

A essa margem esquecida


 Com um olhar moribundo

Abarca tudo o que o cerca

Não achando qualquer perca

por ter de deixar o mundo


E num gesto derradeiro

De mil perguntas eivado

Puxa a Morte p'ra seu lado

E recai no travesseiro


Octávio Dias

Fevereiro 2026 

MUSEU DA CARRIS


AREJADO


 

GIBRALTAR


MACACADAS


 

MUSEU DA CARRIS - LISBOA


O BIGODES


 

PATO BRAVO


SOU UM PATO LINDO


 

PATA BRAVA

NA PICINA


 

PATO BRAVO



HORA DA SONECA

 

CANTAROLADO

MELRO

 

NATAL


                    Natal – há esmolas a rodos

                    P’ra quem a sorte é precária

                    Por uma vez jantam todos

                    Porém a fome é diária


Octávio Dias

Fevereiro 2026

MEIOS DE TRANSPORTE

HELICÓPTERO 

MUSEU

MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA 


 

NATUREZA

COGUMELOS 



COISAS COMEÇADS PELA LETRA D

DIA FEIO


 

FOTOGRAFIA

BARCOS NO CAIS



O SILÊNCIO É A LINGUAGEM DA ALMA

UNIVERSIDADE SÉNIOR DO MONTIJO

REIKI E OUTRAS TERAPIAS

O Silêncio é a linguagem da alma.


A morte parece um fim, mas também o pôr do sol também parece um fim, mas ele regressa todos os dias. Assim acontece connosco, terminamos esta vida e nascemos numa outra. As nossas almas são como sementes à procura de um terreno fértil para germinarem e alcançarem a vida. É o silêncio que nos traz as respostas que precisamos de ouvir. As respostas são sopradas pelo vento. No silêncio do amor nós encontraremos a centelha divina no nosso coração. A maior sabedoria está no silêncio da nossa própria alma. O silêncio é libertador, ele conduz-nos ao campo da consciência onde só existe pura presença e criação. Os segredos mais íntimos não são para serem revelados e, nós apenas sussurramos os pensamentos dos nossos corações e os transformamos em pássaros para que eles possam voar até você, e encontrem a liberdade que todos procuramos nas questões que colocamos a nós mesmos.


                                                                                       Bernardino Traquete  

                                                                                 Fevereiro 2026

POESIA

 

Afinal viver não é sofrer

É amar incondicionalmente

E de maltratar se abster

O olhar cinzento da criança

O cabelo loiro

E claro de sol

Plena de caracóis densos

Era uma verdade mentirosa

No vão de escada melindrosa


A brusca busca das almas

Conduz-nos ao tormento do inferno

Mas há esperança no silêncio

Um sopro leve, desconcertante,

No rumor das palavras não ditas

E no eco do riso distante.

Por entre as fissuras do medo

Cresce uma flor tímida

A promessa do impossível

Tecida em pétalas de luz.

No abismo onde caímos

Ergue-se a ponte do afeto,

E no rumor do quotidiano

Desenha-se o contorno secreto

Do que nos salva e condena

Entre sombras, sonhos e nevoeiro.


                                                                                                            Conceição Parreira

                                                                                                             Fevereiro 2026

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

MUSEU

MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA 



GRAFFITI E O ARTISTA

SÃO PEDRO - MONTIJO


 

MERCEDES


DEPOIS


 

MERCEDES


ANTES


 

TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA D

 DINAMARCA


Dinamarca: um país entre tradição e modernidade

A Dinamarca é um país localizado no norte da Europa, fazendo parte da Escandinávia. É conhecida pela sua elevada qualidade de vida, pelo forte sentido de comunidade e pelo equilíbrio entre progresso tecnológico e respeito pelas tradições. A capital é Copenhaga, uma cidade vibrante que combina arquitetura histórica com design moderno.

Geograficamente, a Dinamarca é composta pela península da Jutlândia e por centenas de ilhas, sendo as principais a Zelândia e a Fiónia. O país é maioritariamente plano, com paisagens verdes, costas extensas e muitas ciclovias, o que reflete o estilo de vida ativo dos seus habitantes.

A monarquia dinamarquesa é uma das mais antigas do mundo ainda em funcionamento. Apesar disso, a Dinamarca é hoje uma democracia moderna, com um forte estado social que garante educação, saúde e apoio social à população. Estes fatores contribuem para que os dinamarqueses sejam frequentemente considerados entre os povos mais felizes do mundo.

A cultura dinamarquesa valoriza a simplicidade, o bem-estar e a convivência. Um conceito muito conhecido é o hygge, que representa a sensação de conforto, aconchego e momentos simples partilhados com família ou amigos. Este modo de viver está presente no dia a dia, desde a decoração das casas até aos encontros sociais.

Na área económica, a Dinamarca destaca-se pela inovação, pelas energias renováveis e pelo design. O país é líder mundial em energia eólica e investe fortemente em sustentabilidade ambiental. Marcas dinamarquesas de mobiliário, moda e arquitetura são reconhecidas internacionalmente.

Em resumo, a Dinamarca é um exemplo de como tradição e modernidade podem coexistir. Com uma sociedade inclusiva, paisagens tranquilas e cidades dinâmicas, o país continua a inspirar o mundo pela sua forma equilibrada de viver.

                                                                          Conceição Parreira-Fevereiro 2026

PINTURA

MANDALA


POESIA

Soneto do Danúbio

Corre o Danúbio antigo entre nações,

Espelho azul de impérios e memórias,

Leva nos ombros séculos de histórias

E murmura segredos às estações.

Nas margens dormem sonhos e canções,

Castelos guardam sombras transitórias,

Pontes unem saudades e vitórias,

Num rio feito de despedidas e paixões.

Viena escuta-lhe o passo em harmonia,

Budapeste reflete a sua luz,

Belgrado guarda ecos de poesia.

E o rio, eterno viajante que conduz,

Ensina à alma humana, dia após dia,

Que todo o rumo nasce e se traduz.

Conceição Parreira-Fevereiro 2026

O BARCO É UMA PASSAGEM



ATRAVESSANDO O TEJO


 

MEIOS DE TRANSPORTE

 IGREJA DO MONTIJO