quarta-feira, 6 de maio de 2026

POESIA

     AMARELO (ALENTEJO)

            Quando fui para o Alentejo

            De amarelo o encontrei

            Grande foi o meu desejo

            Quando até aqui cheguei


            As ceifeiras muito ceifavam

            E as espigas eram amarelas

            O trabalho eram das foices

            Que estavam nas mãos delas


            Como não pode haver ceifa

            Sem entoar de uma canção

            Até pode não haver a cesta

            Mas de amarelo sai a paixão


            Trigo que vais para a eira

            Para seres bem debulhado

            Trazes contigo a canceira

            E de amarelo vais ser atado


            As searas a ondular

            De amarelo vestidas

            Parecem ondas do mar

            Em suas cores garridas

João Paiva            

Maio de 2026            

PÉS

 PÉS E PATAS



PÉS

 PÉZINHOS DOCES



POESIA

                    ERVAS

            Junto à terra nascem

            Ervas daninhas

            Junto á terra morrem

            Apenas ficam as raízinhas


            Ervas que são tão úteis

            Sem ti o homem não podia viver

            Pois é tu quem o sustenta

            E a quem lhe dás de comer


            De ti saem produtos

            Que muitas doenças curam

            Por isso o homem não te larga

            E de ti anda sempre à procura


            Relva macia como a neve

            Aquela em que me sentei

            Após longas léguas andadas

            Foi sobre ti que descansei


            Plantada sem trabalho

            Depois fica a tua semente

            E homem só a colhe

            Por isso canta alegremente


            Ai de ti quando nasces

            Junto a uma flor

            Logo tu és arrancada

            Sem por ti sentirem dor


            Quando já seca

            Vai para o palheiro

            Algum serviço ainda presta

            Nem que seja do forno do padeiro


            Sem que tu te rales

            Sobre ti pasta o gado

            Pois ele bem sabe

            Que é do teu agrado

João Paiva            

Maio de 2026            

FOTOGRAFIA

RECANTOS DO MONTIJO



AMARELO

PODIA SER OURO SOBRE AZUL

 

terça-feira, 5 de maio de 2026

CORES

AMARELO
















POESIA

                MONTIJO POESIA II

            Agora o Montijo melhorou

            É outra terra para se viver

            Houve o tempo que piorou

            Vamos ajudar ao renascer


            Mesmo assim nem tudo está bem

            O trânsito bem é quase irregulável

            Transeuntes irresponsáveis também

            Para lá não vão nem a toque de Ravel


            Ontem foste boa e apetecível terra

            Reis ,fidalgos, condes e pescadores

            Foste abençoado e bem naquela era

            Onde já haviam grandes pensadores


            Bebeu-se muito leite na nossa juventude

            Dado pelas vacas que por aqui pastavam

            Tiveste um ou outro jovem com virtude

            Mas os restantes só muito protestavam


            Montijo dos velhos e muitos quintais

            Onde cães, gatos e ratos não se davam

            Tenho muita pena dos matinais pardais

            Porque só eles, de madrugada acordavam

João Paiva            

Maio de 2026            

domingo, 3 de maio de 2026

PLANTAS

 






POESIA

                A VOZ DO POETA

            Eu não sonho pequeno,

            que isso é coisa de quem tem medo.

            Eu sonho largo, aberto, inteiro,

            como um grito que rasga o peito

            e se recusa a morrer em segredo.

            Sou poeta,

            e isso basta para me faltar tudo

            e ainda assim sobrar-me o mundo.

            Trago nos bolsos

            o vento das palavras por dizer,

            trago nos olhos

            as cidades que ainda não existem,

            e no sangue

            uma febre antiga

            que me empurra para viver. Para sonhar

            Ah, que o sonho do poeta

            não é dormir,

            é incendiar a realidade

            até ela acordar!

            É pegar no dia cinzento

            e virá-lo do avesso,

            é chamar pelo sol

            quando o céu insiste em negar,

            é dizer “há mais”

            quando tudo grita “não há”.

            E eu digo:

            há!

            Há dentro de cada rua cansada

            um poema à espera de nascer,

            Há em cada esquina, um verso,

            uma criança a brincar,

            ao entardecer,

            há dentro de cada gesto calado

            uma revolução por acontecer.

            O poeta não pede licença,

            entra.

            Não bate à porta,

            arromba.

            Porque o seu sonho

            não cabe em molduras, ou taças,

            não se dobra em silêncio,

            não se vende em parcelas de rotina.

            O sonho do poeta é perigoso,

            tem dentes,

            tem punhos,

            tem asas.

            E quando levanta voo,

            meu amigo,

            não há chão que o prenda.

            Por isso escrevo,

            não para ser eterno,

            mas para não ser ausente.

            Escrevo

            porque o mundo, às vezes,

            esquece-se de respirar.

            E alguém tem de lembrar-lhe,

            Respira. Acorda...

Bernardino Traquete            

Maio de 2026            

PINTURA

 TELAS E IMAGENS






POESIA

                DIA DA MÃE

            Hoje é dia da mãe, feliz

            Para mim todos os são

            E sempre como te sinto

            Mãe perto, meu coração


            Para ti que és mãe, muito especial

            Dos teus filhos que muito lhes quer

            Não podes passar ao lado teu ideal

            Mãe seras sempre grande mulher


            Os anos, bem foram passando

            Os netos também apareceram

            Com realidade foste sonhando

            Mãe os netos, enfim cresceram


            Homem ou mulher vão crescer

            Deles, outros seres vão nascer

            Quero que um dia ao amanhecer

            Mãe só a ti, que tenho a enaltecer


            Na guerra, ou na tragédia

            Na tempestade e naufágio

            Na mais funesta miséria

            Mãe grito de privilégio


            No almoço, ou no jantar

            No passeio, ou no lazer

            Na igreja junto ao altar

            Mãe que mais sei dizer


            Na companhia, na educação

            Nas muitas longas conversas

            Que mantivemos ao serão

            Mãe é utilizada sem reservas


            Se aprende, mãe a dizer

            Se aprende muito a gostar

            De tudo nos da com prazer

            Mãe tudo tens para nos dar


            Mas hoje vai ser diferente

            Vejo os teus olhos a brilhar

            E o pulsar do coração quente

            Mãe uma prenda te vou dar


            Guarda bem guardadinha

            Porque sei que vais gostar

            Esconde bem escondidinha

            Mãe não a podes estragar


            Mãe palavra tão pequena

            Da maior e pura verdade

            Pois é a mais verdadeira

            Mãe em toda humanidade


            Depois de toda uma vida

            A tua partida vai acontecer

            Ao deixares a vida querida

            Mãe como é? Como vai ser

João Paiva            

Maio de 2026            

FLORES DO MEU JARDIM


 

ESCRITA NARRATIVA

A Fábula do Baralho Desalinhado

Numa velha gaveta de madeira vivia um baralho de cartas. Já fora inteiro, elegante, bem contado. Mas o tempo, as mãos nervosas e os jogos mal perdidos tinham-no deixado... confuso. O Rei de Copas achava que mandava em todos. — Sou rei, logo decido — dizia, batendo na mesa invisível. A Dama de Espadas, afiada como o próprio naipe, respondia:— Mandar não é o mesmo que pensar. O Valete de Paus ria-se, saltitante: — Que interessa quem manda, se ninguém se diverte? Num canto, o Ás de Ouros permanecia em silêncio. Sabia que valia muito, mas também sabia esperar. As cartas numéricas sentiam-se esquecidas. — Sem nós, não há jogo — murmurava o Sete de Copas, meio sonhador. Um dia, a gaveta abriu-se. Uma mão humana tentou jogar, mas desistiu depressa: faltavam cartas, sobravam egos, não havia ordem. Foi então que o baralho percebeu: separados, eram apenas pedaços de papel. Juntos, com regras e respeito, podiam criar histórias, apostas, encontros. O Rei baixou a coroa. A Dama afrouxou o corte. O Valete aprendeu a ouvir.E até o Ás se misturou. Quando voltaram a ser baralho, voltaram a ser jogo.

Moral da fábula:

Não é o valor de cada carta que faz o jogo, mas a forma como todas aceitam jogar juntas.

Conceição Parreira 

Maio 2028

ESCRITA NARRATIVA


O comboio partiu ainda com a madrugada colada às janelas. Havia um silêncio espesso no cais, como se todos os destinos estivessem a prender a respiração. Sentei-me junto à janela, levando comigo apenas uma mala pequena e um cansaço antigo que não passava pela alfândega. À medida que o comboio avançava, os países iam-se dissolvendo como pensamentos mal acabados. Campos verdes, rios imóveis, estações com nomes difíceis de pronunciar — tudo passava com a mesma delicadeza com que se folheia um livro já lido. No reflexo do vidro, via o meu rosto misturado com a paisagem: eu também estava em trânsito, entre o que tinha sido e aquilo que ainda não sabia nomear. Havia pessoas que dormiam, outras liam, algumas olhavam o nada com devoção. Um homem de cabelos brancos desenhava mapas imaginários num caderno. Uma rapariga falava baixo ao telefone, como se confessasse um segredo ao próprio comboio. Ninguém perguntava a ninguém de onde vinha. Talvez porque todos ali estivessem a fugir de algo — ou a aproximar-se. Quando atravessámos a fronteira invisível da Holanda, a luz mudou. Tornou-se mais clara, quase líquida. Os campos pareciam pintados com paciência e os canais surgiam como frases bem pontuadas. Senti que Amsterdão não seria apenas um lugar, mas um estado de espírito: um espaço onde o tempo anda de bicicleta e a solidão aprende a conviver com a beleza. Ao chegar, o comboio parou com um suspiro metálico. Desci devagar, como quem não quer acordar de um sonho. A cidade esperava-me sem pressa, com as suas pontes curvas e janelas abertas para dentro da vida dos outros. Percebi então que a verdadeira viagem não tinha sido até Amsterdão, mas até esse lugar raro onde finalmente me sentia em movimento outra vez. E, pela primeira vez em muito tempo, isso bastava.


Conceição Parreira

Maio 2026

PRAZERES DE VERÃO

 


RECANTOS DO MONTIJO

 



sábado, 2 de maio de 2026

A PREPARAR A FESTA

 MERCADO DO CAIS - MONTIJO


FLORES NO CAIS

 




POESIA

                DIA DA MÃE

            Hoje é dia da mãe, feliz

            Para mim todos os são

            E sempre como te sinto

            Mãe perto,meu coração


            Para ti que és mãe, muito especial

            Dos teus filhos que muito lhes quer

            Não podes passar ao lado teu ideal

            Mãe seras sempre grande mulher


            Os anos,bem foram passando

            Os netos também apareceram

            Com realidade foste sonhando

            Mãe os netos, enfim cresceram


            Homem ou mulher vão crescer

            Deles, outros seres vão nascer

            Quero que um dia ao amanhecer

            Mãe só a ti, que tenho a enaltecer


            Na guerra, ou na tragédia

            Na tempestade e naufágio

            Na mais funesta miséria


            Mãe grito de privilégio

            No almoço, ou no jantar

            No passeio, ou no lazer

            Na igreja junto ao altar

            Mãe que mais sei dizer


            Na companhia, na educação

            Nas muitas longas conversas

            Que mantivemos ao serão

            Mãe é utilizada sem reservas


            Se aprende, mãe a dizer

            Se aprende muito a gostar

            De tudo nos da com prazer

            Mãe tudo tens para nos dar


            Mas hoje vai ser diferente

            Vejo os teus olhos a brilhar

            E o pulsar do coração quente

            Mãe uma prenda te vou dar


            Guarda bem guardadinha

            Porque sei que vais gostar

            Esconde bem escondidinha

            Mãe não a podes estragar


            Mãe palavra tão pequena

            Da maior e pura verdade

            Pois é a mais verdadeira

            Mãe em toda humanidade


            Depois de toda uma vida

            A tua partida vai acontecer

            Ao deixares a vida querida

            Mãe como é? como vai ser

João Paiva            

Maio de 2026            

DIA DA MÃE

 FELIZ DIA DA MÃE PARA TODAS AS MÃES DO NOSSO BLOG



BÁVARO - RÉPUBLICA DOMINICANA

SAÚDE


 

FLORES

CINERÁRIAS


 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

DE COSTAS


 

TUDO BOM


 

BÁVARO - REPÚBLICA DOMINICANA

DESLUMBRANTE


 

FLORES


ORQUÍDEA

 

KIOTO - JAPÃO

PAGODE DE 3 ANDARES  
DO TEMPLO BUDIST KIYOMIZU-DERA


 

POESIA

            ATÉ AQUI CHEGUEI

            O que é que para cá vim fazer

            Nada de novo, estou a sonhar

            Mesmo assim quero agradecer

            Por liberdade poder encontrar


            Já esqueci e tudo o que encontrei

            Mas não posso e triste quero ficar

            Porque se com alguma coisa sonhei

            Essa sim, será sempre para lembrar


            Mas nasci sim desinteresseiro

            E a fortuna não a quiz procurar

            A culpa foi do meu travesseiro

            Porque não me soube orientar


            Naquela rica e boa ocasião

            Eramos muito trabalhadores

            E muita coisa se fazia à mão

            Porque eramos sonhadores


            Por outras palavras, já pesadas

            Porque não pretendo continuar

            As costas já estão bem curvadas

            Que hei-de fazer, se não pensar

João Paiva            

Maio de 2026