SEIXALINHO-TERMINAL FLUVIAL DO MONTIJO
SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
terça-feira, 24 de março de 2026
segunda-feira, 23 de março de 2026
POESIA
APAGÃO
Isto é verdade
Porque hoje me lembrei
Da quanta saudade
Eu tenho quando na escuridão chorei
É uma saudade esquisita
Porque à luz do candeeiro
Fazer trabalhos de escrita
Nem com a sovela do sapateiro
Hoje é noite e de luar
Mas não tenho luz em casa
Como é que eu vou a casa arrumar
Não te amofines, que isso já passa
Mas não passou
E eu feliz por estar as escuras
Bastante da minha avó me lembrou
Com uma agulha e dedal fazer tantas costuras
Não faz mal João
Olha para o escuro e o que encontras
Somente escuridão
Menos no teu coração
Vai dormir, tenho saudades do candeio
O meu pai ganhava a vida no rio
Á luz de um candeeiro
Houvesse chuva calor ou frio
Mas já é tarde e más horas
A minha mãe gritava pelo candeeiro
Estando já ela fora de portas
A espera do padeiro
A minha avó gritava
Oh Francisco levanta-te
A mula já berrava
Adivinhando o vento de levante
Mas lá em casa já muito havia a fazer
E um dorminhoco, a sonhar com ela
Que tinha uma redação para escrever
Nem que fosse á luz da vela
Sou feliz mesmo sem luz
Agora já há eletricidade
O que na realidade me conduz
Para o campo da realidade
João Paiva
Março de 2026
domingo, 22 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
ESCRITA NARRATIVA
INCÊNDIOS/CORONAVÍRUS
Hoje desenfiei-me do meu estado de quarentena e fui dar um pequeno passeio, junto aos pinheiros que bonitos estão. E para meu espanto encontrei o senhor Incêndio, vinha apagado, mesmo assim perguntei?
- Como tem passado o senhor Incêndio? Bons olhos o vejam!
- Estou bem, ando com muito frio, porque o tempo não tem estado nada bom e o frio é muito.
- Não me diga, no ano passado por nesta altura, já o senhor andava por aí a fazer das suas, até já tinha chegado até à Serra da Estrela, mas este ano como ainda não ouvi o crepitar dos ramos ardendo, julgo que não andará muito contente, mas enfim.Também foi apanhado pelo Coronavirus? Digo-lhe não sei quão pirata é um
ou o outro, não posso com os dois, conheço a si de ginjeira, quanto ao outro anda por aí.
- Ainda vão ter saudades minhas, por quanto a mortes, não chego nem sequer aos calcanhares dessa pandemia.
- Não deite foguetes para o ar, porque pode ter que ir apanhar as canas, mais ainda quando vier fazer companhia ao coronavirus, pode trazer fósforos e isqueiro, que eu vou recebe-lo com um balde de água fria.
Resposta da ponta da língua do senhor Incêndio:
- Logo se verá se o senhor ainda não me vai chamar para apagar o fogo que o
coronavirus está a causar, lembre-se quando da epidemia da tuberculose nos íam
chamar para queimar tudo quanto dizia respeito à vítima, está recordado?.
- Estou sim senhor, mas volto a dizer-lhe para ficar quietinho lá nas suas e deixe- nos em paz, porque o coronavirus já é tão mau, que não precisa de más companhias.
- Nunca diga que desta água não beberei, porque o dia de amanhã só a Deus
pertence.
- Como é possível o Diabo falar de Deus, não se preocupe que Deus está muito
desapontado com o coronavírus, dado que se ausentou do seu seio e às escondidas anda por aí a fazer das suas. Só mais uma coisa eu quero pedir-lhe, senhor Incêndio, vá para onde tem andado ultimamente, que por aqui não faz falta alguma.
João Paiva
Março de 2026
POESIA
AMOR
O amor vai em direção à porta
E chão vai pisando
Não quer saber do que mais importa
Pois que é de amor que se está falando
O amor não se esgota não
E ele quer lá saber disso
De vez em quando está em paixão
E outras se esconde, omisso
O amor por vezes nasce com espinhos
Não é da secura, não
É como acertar mal no caminho
E lá fica preso ao chão
O amor chegou para ficar
E foi respirar o ar do mar
Por certo deu para melhor respirar
Muito antes de poder naufragar
Para o amor naufragar é preciso muito azar
Mas nem nisso quer pensar
Porque bem sabe que tem que suportar
As dores e são muitas quando se apaixonar
João Paiva
Março de 2026





