quinta-feira, 21 de maio de 2026

A MESA ESTÁ POSTA

 MUSEU ABERTO - CAMPO MAIOR



CASA DAS FLORES - CAMPO MAIOR

 


SALA DE MÚSICA

 MUSEU ABERTO - CAMPO MAIOR



À LUZ DAS VELAS

 MUSEU ABERTO - CAMPO MAIOR



HORA DO CHÁ

 MUSEU ABERTO - CAMPO MAIOR



NUNCA DIGAS "NUNCA"

Ao fim da tarde, a pastelaria enchia-se do ruído habitual de chávenas pousadas à pressa, conversas cruzadas e passos apressados na rua. Sentada com os amigos, Maria falava com a leveza de quem acredita conhecer, sem margem para dúvida, a vida que quer para si.

- Nunca me via a viver numa aldeia - disse, sem hesitar.  - Preciso de movimento, de pessoas, de ter tudo perto. Uma vida assim nunca seria para mim.

Os amigos sorriram, divertidos com a convicção dela. O empregado, que lhes foi levar a conta, ouviu a frase e comentou, em tom de brincadeira: “nunca digas nunca”.

Mas a vida, tantas vezes discreta na forma como muda tudo, acabaria por trocar-lhe as voltas.

Algum tempo depois, a empresa onde trabalhava passou a permitir

trabalho remoto quase a tempo inteiro. Foi também nessa altura que a avó morreu, deixando-lhe a casa da família, numa aldeia do interior. Como a renda na cidade pesava cada vez mais no orçamento, Maria decidiu instalar-se ali durante uns meses, convencida de que seria apenas uma solução temporária.

Os primeiros tempos não foram fáceis. Custou-lhe o silêncio, a distância a tudo e a lentidão dos dias. No entanto, pouco a pouco, começou a descobrir um certo conforto naquela rotina mais simples: as caminhadas ao fim da tarde, o horizonte aberto e a sensação rara de viver sem estar sempre a correr.

Um dia, enviou uma fotografia da paisagem ao grupo e escreveu apenas: «Afinal, até me estou a habituar.»

Numa noite de chuva forte, a eletricidade foi abaixo durante algum tempo.

Sem televisão nem internet, Maria foi até à cozinha acender umas velas. Enquanto procurava fósforos numa gaveta antiga, encontrou uma pequena caixa de lata que nunca tinha visto.

Lá dentro havia fotografias antigas, uma receita escrita à mão e um envelope com o nome da avó. Entre os papéis amarelados, estava também uma pequena nota dobrada, como se tivesse ficado à espera de ser encontrada.

Ao abri-la, leu uma frase simples que a deixou a pensar: «A casa custa ao princípio, mas depois acaba por cuidar de nós.»

Maria ficou a olhar para a nota enquanto a chuva continuava a cair lá fora, miudinha e constante, como se a casa respirasse com ela. Naquele silêncio, já não sentiu estranheza nem distância, apenas uma paz funda e serena que lhe aquecia o peito. E foi então que percebeu que a vida, por vezes, nos conduz devagar para lugares que julgávamos não nos pertencer.

Afinal, nunca digas “nunca”.


Maria Conceição Lavrador

20/05/2026

CASA DAS FLORES - CAMPO MAIOR

 


CARROÇA DECORADA

 MUSEU ABERTO - CAMPO MAIOR



PEDRA D'ARMAS

 A PEDRA ESTAVA NA FACHADA DE UMA CASA NA RUA DIREITA DA COMISSÃO, EM CAMPO MAIOR 



PEDRA D'ARMAS

 A PEDRA ESTAVA NUMA CASA NOBRE NA RUA 1º DE MAIO - CAMPO MAIOR 



FESTAS DO POVO - CAMPO MAIOR


 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

POESIA

LETRA N (TERRAS)

NABUANGONGO - NEVES CORVO - NEGAGE - NAPOLES - NAIROBI - NOVA YORK - NIGÉRIA - NAVARRA - NANTES - NASSAU - NORUEGA - NUREMBERGA - NAZARÉ - NICARÁGUA - NITEROI - NOVA DILI - NATA - NICÓSIA - NICE - NAMPULA NAGASAQUI - NEGRAIS  -NACOMBA - NESPEREIRA.


            POESIA

            NASCER DO SOL


            Naquela manhã bem fria

            Com o ar a bater na cara

            Era o que eu não queria

            Mas a ocasião não é rara


            A frialdade da manhã

            Que seria a despertina

            Não vais chamar a mamã

            Nem pela tia Joaquina


            O sol já ía desperto

            Ainda não tinha aquecido

            Já o sentia muito perto

            E não mais adormecido


            Com a tarde a aquecer

            O nariz já não fungava

            Só não queria esquecer

            O calor que me dava


            Naquela tarde colorida

            A vida a dar que dar

            Já se encontrava ferida

            E muito custava a sarar

João Paiva            

Maio de 2026            

TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA V


VILA VELHA DE RODÃO

 PORTAS DE RODÃO



TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA V

 VILA VELHA DE RODÃO


MUSEU ABERTO DE CAMPO MAIOR

 


JANELA - CÁCERES

 


CÁCERES - O CHEF

 


ARCA DOS SANTOS

 CATEDRAL DE SANTA MARIA - CÁCERES



CÂMARA MUNICIPAL DE GUADALUPE

 


PEDI UM CAFÉ

 De origem negra amarga

Todo o perfume se alarga

Depois de torrado e moído

Sendo adocicado a rigor

Aviva o seu belo sabor

Talvez seja obra de cupido

 

Quantas amizades crescem

E quantos amores florescem

Numa chávena de café

Numa partida, numa chegada

Na sombra da esplanada

Na varanda de um café

 

Com o seu sabor intenso

Perfume do melhor incenso

Se faz sentir à distância

Sentindo a sua falta

Toda a alma se exalta

Conferindo sua importância

 

Café que o corpo anima

É palco de afeto e rima

Faz marchar a poesia

Não será apenas bebida

Mas sim, bálsamo de vida

Brindando com arte e magia

 

Rogério Alegria

04/05/2026

CORAÇÃO AFAGADO

Espero sentir o paraíso

Chegando o sol de verão

Receber o teu sorriso

Apertando a tua mão

 

Tua mão a minha aperta

Cruzamos um terno olhar

Deixarei a porta aberta

Para que possas entrar

 

Entras suave com jeito

No teu elegante passo

Me apertas no teu peito

Com o mais doce abraço

 

Encostado à tua face

Te sussurro nossa canção

Sinto toda a tua classe

Me entrar no coração

 

Um coração afagado

Por alguém que se venera

É segredo bem guardado

Vivendo a doce primavera

 

Rogério Alegria

Maio de 2026

ARCO DE SAN PEDRO - GUADALUPE

 


PLAZA DE ESPAÑA - MÉRIDA

 


MUSEU DE ARTE ROMANA - MÉRIDA


 

RUA BERNARDINO COSTA - LISBOA


 

ALOE MACULATA

 


ÂNFORA

 MUSEU DE ARTE ROMANA - MÉRIDA



SANTA EULÁLIA - MÉRIDA

 


DECAPITADA

 ESTÁTUA ROMANA - MÉRIDA



ANFITEATRO ROMANO - MÉRIDA

 


SALVADOR RAMALHO

SOU GENTE DO BLOG


 

terça-feira, 19 de maio de 2026

ESCRITA NARRATIVA

ANOS SESSENTA

Estamos a viver o início dos famosos anos sessenta, trabalho para todos, estudos só para quem tem transporte, mas só com muitos sacrifícios, lá iam enchendo os comboios e camionetes, que levavam os alunos para os concelhos vizinhos, onde já havia de tudo, mas atenção às bolsas, era tudo a pagar e não havia subsídios para ninguém, salvo raras exceções para alunos brilhantes ou conhecidos de certas famílias, junto dos presidentes de câmara.

Lá se foram formando alguns doutores, enquanto outros que tinham tido melhores aproveitamentos na instrução primária, foram para pastores de porcos e outros para trabalhos parecidos, mas atenção ainda não tinham feito os doze anos e já entregavam à mãe o dinheiro que ganhavam. Se o professor Moura fosse vivo e tivesse conhecimento do que aconteceu à maioria dos seus alunos, o homem morria de desgosto.

Vivíamos sob a custódia dos anos sessenta, mas também vivíamos sob o aspeto de uma nuvem negra que se ía abatendo sobre nós. Em mil novecentos e sessenta e um, houve o assalto ao paquete Santa Maria, originou a morte ao oficial piloto, que fazia uma viagem de cruzeiro pelo mares das Caraíbas. Tendo como protagonista um capitão do Exército Português que havia sido exonerado.

A seguir veio o assalto às esquadras de polícia em Luanda e, logo a seguir, a revolta dos povos angolanos que reivindicavam a sua independência, o que causou muitas mortes, feridos e refugiados da população branca, para onde a nossa geração acabou por ser enviada para as nossas províncias ultramarinas, onde fomos incorporados numa guerra de guerrilha subversiva para a qual não estávamos preparados.

E assim foi a nossa condição durante alguns anos o que permitiu que tivéssemos alguns apoios, mas nada tivemos e aqueles que ficaram sepultados nas matas de capim, que hoje nem sequer sabemos o local do descanso eterno destes nossos camaradas.

Mas aqui é como tudo na vida, para alguns foi de boa vida, nem ouviram um tiro, para outros foi de mau até à exaustão, com perdas de vida e deficientes para sempre.

Eu fui para Angola com dupla responsabilidade, pois que a minha mulher moveu e céu e a terra para me acompanhar o que efetivamente conseguiu.

Não há folhas nem canetas que cheguem para retratar a vida de uma jovem dos dezanove aos vinte e um anos, no meio de uma companhia de militares, onde nunca ouviu um palavrão ou que alguma vez lhe tivessem faltado ao respeito.

Bem hajam a todos os oficiais, sargentos e soldados da Companhia de Caçadores Açoreana, trezentos e oitenta e dois, pelo bem que proporcionaram à minha mulher, a quem nunca faltou um jarro com água, ou uma refeição do rancho. Sobretudo quando eu não estava, dado a minha condição de furriel miliciano. E assim o tempo foi passando, levando-me à velhice, onde eu, ainda cá estou.

Fomos dois regressamos três

João Paiva

Maio de 2026

NUVENS

 


VISITA DE ESTUDO A CAMPO MAIOR

 IGREJA MATRIZ DE CAMPO MAIOR








VISITA DE ESTUDO A CAMPO MAIOR

 CENTRO INTERPRETATIVO DAS FESTAS DO POVO








ALENTEJO

 BEBEDOURO PARA ANIMAIS

(CAMPO MAIOR)



VELHO VARINO

 ESTALEIROS NAVAIS DE SARILHOS PEQUENOS



JEREZ DE LA FRONTERA

FERIA DEL CABALLO


 

S. JOÃO BATISTA

 MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE GUADALUPE