SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
ESCRITA NARRATIVA
LÁGRIMA, caída na Atalaia
Nestes dias de calor, tenho saudades do Quintal da minha avó Sofia, onde havia uma torneira e por baixo uma pia.
Fecha a torneira gritava a avó, lá da cozinha, para mim e para o meu irmão.
Naquela casa havia água corrente, portanto havia banhos com fartura, sobretudo no verão, quando o calor apertava e nos refugiávamos naquele quintalinho, à volta daquela preciosa torneira que continuava aberta.
Este apontamento vem a propósito de um passeio que fiz até á Atalaia e me lembrou das Festas Grandes ou sejam as Festas de Nossa Senhora da Atalaia, pela qual passámos muito tempo a falar de farturas, do carrossel e da camioneta dos Belos que nos levava até lá, não me posso esquecer do frango com arroz, que levava muito tempo no forno a lenha, que existia no quintal da minha avó, que era para o jantar na Atalaia.
- João Francisco, Zé Manel, ajudem aqui a mãe a estender a toalha no chão, em redor da qual nos sentávamos para o jantar.
Esta toalha e todas as outras das restantes famílias, não eram quaisquer toalhas, para além de serem brancas, acabadinhas de saírem da lixívia e muito bem passadas a ferro, eram bordadas por mãos maravilhosas, enrugadas por terem aprendido a fazer todos os trabalhos domésticos, para além do vestidos de chita e calças de ganga, trapos estes que ajudavam à felicidade da família.
Como agora se diz estes pic-nic eram realizados no eucaliptal, por traz da igreja e só depois da procissão acabar.
O meu pai chega agora com o melhor melão de Almeirim, que o foi comprar ao local do costume, mas onde demorou mais de uma hora para o escolher, porque passou pelas suas mãos tantos melões, até encontrar o mais docinho e maduro.
O meu pai não ensinou este segredo a ninguém, porque este ritual já vinha de avós para netos e o local era sempre o mesmo.
Quando há dias visitei esta vila, parei junto de uma qualquer torneira, que se encontrava por estes sítios e integrada num qualquer esquema de rega automática, abriu-se e a agua correu de tal modo, que me fez lembrar a torneira do quintal da minha avó o que me emocionou e tal foi a emoção, que num dos meus olhos se soltou uma Lágrima.
João Paiva
Abril de 2026
O BRINDE DOS 71
Setenta e um? Quem diria!
O motor continua a rodar,
com mais fôlego e alegria
e muito combustível para gastar.
Diz o BI que o tempo passou,
mas o meu espírito não quer saber,
a gratidão em mim despertou
e ensinou-me o melhor do viver.
Agradeço cada gargalhada,
cada brinde, cada feitiço,
a vida é uma bela jornada
e eu cá sigo, sem medo do risco!
Obrigada, vida, pelo vigor,
pelas histórias que ainda vou criar,
pois com 71, com todo o esplendor,
o melhor de mim está para chegar!
Conceição Lavrador
Abril de
2026
POESIA
O LANTERNA
Quando no final
Alumia duas vezes
Como se tratasse de um sinal
Para se evitar tantos revezes
Quando so ela existe na escuridão
A luz e esperança que é imensa
Não se pode criar numa ilusão
Pode ser só uma crença
Na medonha escuridão
Uma luz há de aparecer
E não será só de visão
Haverá muita coisa para ver
A alegria de uma luz lá no fundo
Nunca poderá ser esquecida
Das coisas mais sagradas do mundo
A lanterna é a mais merecida
De lanterna na mão
Uma coisa quis iluminar
Pois é e era um coração
De corpo e alma para amar
João Paiva
Abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
COMEMORAR ABRIL
Abril é o mês da primavera, o mês das flores, mas é também o mês em que voltámos a ter democracia e liberdade.
O blog recorda uma das canções que foi senha da revolução de 1974.
ZECA AFONSO - GRÂNDOLA, VILA MORENA
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terça-feira, 31 de março de 2026
ESCRITA NARRATIVA
REFLEXO
Teatro de operações militares, nas matas de Angola, durante a guerra subversiva.
O tenente Manuel João apresenta-se para receber os mapas da região em que se irão efetuar os trabalhos de vigilância e reconhecimento, que tem para seu destino os próximos dias.
- Ok tenente, aqui estão todos os elementos de que precisará, de modo a levar a bom termo a operação que vai comandar e boa sorte.
- Obrigado meu Major, desejo-lhe um bom dia de trabalho.
Feita a continência do acto e cada um foi aos seus afazeres. O tenente reune os seu homens, colocando-os ao corrente do que se irá passar e deseja boa sorte a todos.
Em plena mata e por caminhos desconhecidos, o grupo caminha audazmente em silêncio e de olhos bem abertos. Ouvem o chilrear da passarada, os grunhidos dos macacos e outros sons de animais corpulentos.
Eis se não, quando se ouve uma enorme explosão originada pelo rebentamento de uma mina. Confusão, muita poeira e muita gente a gritar pela mãe, muito sangue, muitas rajadas. Mas há dois ou três soldados que já não chamam pelas mães, já estão mortos. Um deles é o jovem comandante Manuel João.
Como seu adjunto, também ferido ligeiro do braço direito, consigo e expondo-me de corpo e alma ás balas, a ajudar os feridos, dando-lhes toda a assistência possível, e ter a maior atenção para com os mortos.
Com muita atenção para com os sobreviventes, que estão desesperados e com enorme tristeza, consigo apazigua-los com os diálogos possíveis e bem camuflados durante o tempo de espera que foi enorme, até que o pelotão de socorro chegasse até nós para nos socorrer.
Dizem que a sorte protege os audazes, mas não protegeu o tenente Manuel João, que morreu em combate a poucos dias de terminar a sua comissão militar em Angola.
João Paiva
Março de 2026
