SOARES DOS REIS
SAUDADE 1887
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
DIA DA MULHER 2
Sei, o que é falar de amor Porque Quando há amor, não há dor
Quando muitos anos são passados Demonstra Sinal, que foram bem lembrados
Mas, falo e com muito carinho Porque Não há mágoas, nem espinhos
Mulheres e bem apaixonada
Em dia de muito, amor
E de paixões assolapadas
A esta vida de luz e calor
Acorrentados ao nosso amor, ficamos
Ao longo dos anos com paixão
Foi sempre com ternura que amamos
A mulher do nosso coração
João Paiva
Março 2026
DIA DA MULHER
Olhando para a mulher de hoje, tenho que lhe tirar o chapéu, mas quando se lhe tira o chapéu, nem sempre é pela positiva, só quero com isto dizer, que ela é completamente normal:
“E bela, e ainda mais bonita, quando a comparamos à suavidade de um veleiro. Tem o maior e mais sublime coração, mas maior, muito maior em noite escura e na claridade de um relâmpago”
Mulher, filha que há pouco nasceste e já no caminho de ser mãe, aí vais, e já agora como é que aqui chegaste? Brinquei como todas as crianças, nas brincadeiras mais humildes e alegres, e claro não podia deixar de ser, aos maridos pequeninos, há uma idade em que as meninas começam a querer imitar as suas mães. A preocupação da mulher só pode ser uma: melhor que a sua progenitora, e por vezes, conseguem isso com muito mais valor.
Já foste menina, agora és adolescente:
“ Em pequenos se aprende a chamar mãe, depois se aprende a gostar, de tudo nos dá com prazer e ás vezes sem nada para dar”
A terminares o Liceu ou o secundário, e que vais fazer agora? Começaste a estudar com vista à Universidade, mas quantas coisas mais te vão surgir, a começar pela tua mudança física. A habituação a esses trâmites tira-lhe por vezes, a vontade de viver a vida que lhe pertence. A obediência aos pais vai ser alterada, quantas zangas vão nascer porque, embora o amor filial seja reciproque, existe um filho com mais afeto à mãe ou vice-versa.
Aqui acontecem sempre os descuidos, e estes sempre encobertos, por um lado o pai, pelo outro a mãe e por aí adiante. O namoro é um caso pungente, com os sucessos e insucessos, altera bastante a relação entre pais e filhos, isto é tão verdade como a violência doméstica. No dia da mulher muito se grita contra esta situação, mas continuo a pensar que a emancipação total da mulher ainda não é de sua total responsabilidade.
“Foste na guerra uma guerreira, na paz uma lutadora, na doença uma enfermeira, no amor uma sonhadora”
De adolescente passas a mulher casada, aqui vais atingir o topo da carreira de mulher, esposa, mãe de filhos, trabalho profissional, educação dos filhos, trabalho doméstico, este é o maior pesadelo para a mulher, cansada da sua profissão, chega a casa cansada com os transportes, com o cuidar dos filhos e quantas vezes tem que repetir as refeições, porque há o almoço, logo a seguir o jantar, é toda uma preparação pegada. Apre “prrrr”, não tenho descanso. E quando procura o marido, depois de este a ter procurado, por uma ou duas vezes, agora este dorme e ela revolta-se , a culpa é do marido, porque antes de chegar a casa, já vai a pensar no sofá que que o espera em frente à televisão, porque ele ao chegar a casa, devia arregaçar as mangas e ir para a cozinha, ajudar a sua mulher.
“Vida é isto, ontem com amor, vida é isto hoje com dor, mas continua, ontem viçosa, mas continua, hoje amorosa”
Mãe já foste, agora és avó:
Agora os netos também já sabem procurar e agarrar as tuas saias, para se esconder nelas, das partidas que fizeram à mãe ou ao pai. O Ruizinho embora seja um menino franzino, não gosta de brincadeiras simples, prefere saltar o muro do quintal da vizinha, pois as laranjas são melhores das que estão em casa.
“São azedas, não prestam diz o Ruizinho arreliado, mas se as laranjas que estão na cozinha vieram do quintal da vizinha, diz a mãe incomodada. Se mais alguma vez saltares os muros para ires às laranjas, garanto-te que conto tudo ao teu pai”. O Ruizinho encolhe os ombros e nada diz. Sentado espera o pai e quando este entra em casa o Rui apressa-se a dizer-lhe, que foi ás laranjas da vizinha, mas esta conversa dá-se na presença da mãe e o pai pergunta-lhe quantas apanhaste? “oito diz o Rui”. A avó de boca aberta fica encantada com esta situação, tem um neto revolucionário, que sobe aos quintais das vizinhas. Não é nenhum” bebe” água. Quem me dera já ver-te homem, pensa a pacata avozinha.
“E vai pensando, ontem com ambições e vai pensando hoje em nossos corações, é bom chegar aqui, é bom estar aqui, é bom aqui sossegar. é bom aqui para sonhar”.
João Paiva
Março 2026
HINO AO FUTURO DA VELA
ROSA NÁUTICA
A rosa já floriu
O barco vai navegar
Agora que já partiu
A bom porto há-de chegar
Navegando no escuro
Mas sempre a tentar
Encontar o porto seguro
Para em segurança aportar
Meu bem vai embarcar
Num barco sem motor
Persistindo encontrar
O seu verdadeiro valor
Para ti minha neta velejadora
João Paiva
Março 2026
Sob o céu de Horta, jurei te amar,
com o azul dos Açores a nos abraçar.
Em Huambo, no brilho de um novo amanhecer,
descobri que a vida é contigo acontecer.
Por Heliópolis, sob a luz de um luar,
procurei teus olhos para me guiar.
Seja em Hanói ou no cais de Hamburgo,
é no teu abraço que o meu mundo mudo.
No verde do Horto, o beijo se faz,
no silêncio que traz a mais doce paz.
De H em H, o mundo, num abraço, pisamos,
Fica a história de amor que juntos traçamos.
Conceição Lavrador
03/março/2026
A Raposa, o Leão e o Tigre
Na floresta, o Leão era o rei mais temido, forte e orgulhoso. O Tigre, veloz e valente, acreditava ser o verdadeiro dono do território. Já a Raposa, pequena e esperta, observava tudo em silêncio. Certo dia, o Leão e o Tigre começaram a discutir sobre quem mandava mais na floresta. A briga cresceu tanto que decidiram resolver a questão lutando até o pôr do sol. Enquanto isso, a Raposa teve uma ideia. Ela reuniu os outros animais e disse: — Enquanto eles brigam pelo poder, quem sofre é a floresta inteira. Precisamos de paz, não de força.Quando o Leão e o Tigre chegaram exaustos para a luta final, encontraram todos os animais unidos, protegendo seus lares. Envergonhados, perceberam que sua disputa só trouxe medo e desordem. O Leão abaixou a cabeça, e o Tigre recuou. — A verdadeira força — disse a Raposa — está em proteger, não em dominar. Desde então, o Leão governou com mais sabedoria, o Tigre aprendeu a controlar seu orgulho, e a Raposa mostrou que a inteligência pode ser mais poderosa que a força.
Moral: A força sem sabedoria causa destruição; a inteligência constrói harmonia.
Conceição Parreira
Março 2026
Hoje Helena acordou bem-humorada. Havia um horizonte harmonioso diante dela, cheio de histórias e hipóteses felizes. Enquanto hidratava as hortênsias no jardim, ouviu o som do helicóptero que sobrevoava o bairro histórico. Helena sempre teve o hábito de honrar horários e ajudar humanos ao seu redor. Humilde, honesta e heroica em pequenos gestos, ela acreditava que a harmonia começa com honestidade. Naquela manhã, houve algo especial: um hóspede inesperado apareceu na hospedaria da família. Era Henrique, um historiador habilidoso que falava sobre heróis antigos e fatos históricos fascinantes. Helena ouviu tudo com humildade e humor, esperando que aquele encontro rendesse horas de histórias incríveis.
Conceição Parreira
Março 2026
A Mulher Mundana: Entre o Mito e a
Realidade
Uma reflexão sobre a presença e o olhar feminino num mundo de
julgamentos
Dizem que há mulheres feitas de vento. Outras, de fogo. Mas, entre as esquinas e os silêncios da idade, há uma específica que sobrevive entre olhares enviesados e sorrisos cheios de segredos. Falam dela como quem fala de uma tempestade inevitável: a mulher mundana. Mundana. Palavra que carrega peso, que ressoa com o tilintar de moedas, com o rumor dos cafés ao entardecer, com o sussurro de histórias mal contadas. É mulher que caminha de cabeça erguida, olhando de frente para o mundo, sabendo, desde cedo, que cada passo pode ser motivo para um novo julgamento. Não se esconde, não se desculpa. Ocupa o espaço que tantos tentam negar-lhe. Em Lisboa, Porto, ou mesmo numa Dublin chuvosa de outono, a mulher mundana é presença inevitável. Não é só aquela que vive à margem das convenções, mas também a que reinventa todos os dias a sua própria liberdade. Falam dela com medo ou desdém, mas, sobretudo, com fascínio. Porque nela reside tudo o que a sociedade tenta domar: desejo, coragem, autonomia. A mulher mundana não necessariamente frequenta só salões ou cabarets. Pode ser a artista que recusa a vida pequena, a mãe solteira que ousou escolher outro caminho, a jovem que decidiu viajar sozinha, a executiva que se recusa a baixar o olhar perante o chefe. Mundana, para muitos, é sinónimo de mulher livre; para outros, de mulher perigosa. Ambas as leituras revelam mais sobre quem as faz do que sobre ela própria. Mas, afinal, o que teme o mundo nesta mulher? Talvez seja a constatação de que, em cada gesto seu, há uma recusa subtil às regras impostas. O medo de que a sua independência seja contagiosa, de que, ao vê-la, outras mulheres percebam que o mundo é um palco onde elas próprias podem escrever o guião. A mulher mundana não é heroína nem vilã. É humana, demasiado humana, e só por isso já incomoda. Vive exposta, é julgada—mas segue, sempre, com a altivez de quem sabe que, no fim do dia, o mundo pertence a quem ousa habitá-lo por inteiro. E enquanto houver quem tente reduzir a mulher mundana a uma narrativa de pecado ou escândalo, haverá também quem, secretamente, deseje a sua coragem. Porque, no fundo, todos ansiamos por essa liberdade: olhar o mundo sem pedir desculpa.
Conceição Parreira
Março 2026
A Beleza da Natureza
No silêncio do bosque, ouço o coração,
O vento acaricia as folhas com ternura,
O sol dança por entre as copas, em celebração,
Embala-me a paz, suave e pura.
Há magia no perfume da terra molhada,
No brilho do orvalho ao romper da alvorada,
Na melodia discreta do riacho a correr,
Sinto-me inteiro, deixo-me renascer.
Cores mil, em frescor e harmonia,
Pássaros voam livres, desenhando alegria,
O céu é um quadro de azul infindável,
E eu, pequeno, sou parte do admirável.
Aqui encontro abrigo, esperança e razão,
A natureza acolhe, renova o coração,
No seu abraço, sou leve e sou bem,
É nela que encontro o melhor de mim, também.
Conceição Parreira
Março 2026
A Fantasia de Alice no País das Maravilhas
Um poema inspirado na imaginação e no encanto do País das Maravilhas
No jardim do impossível, Alice vagueia,
Entre flores que dançam, coelhos que correm,
Relógios sem tempo, chapéus em assembleia,
Onde o real e o sonho juntos percorrem.
Cai a menina num poço profundo,
Espanto nos olhos, curiosidade sem fim,
Lá dentro descobre um novo mundo,
Onde tudo é loucura, e nada é ruim.
Gatos que sorriem com ar misterioso,
Rainhas impacientes a clamar por razão,
Xícaras voando num chá fabuloso,
Tabuleiros de xadrez, destino e paixão.
Risos que ecoam na floresta encantada,
Portas minúsculas, chaves perdidas,
Palavras trocadas numa charada,
Verdades esquecidas, mentiras contidas.
Na fantasia de Alice há cor e magia,
Ecos de infância a brilhar no olhar,
É sonho, é loucura, é pura poesia,
É coragem de quem se atreve a sonhar.
Conceição Parreira
Março 2026
Amigo
arrasta uma cadeira
Chega mais pra perto
E fale o que quiser
Fale o que tiver vontade
De amor, de saudade
Fale de mulher
Na minha vida existe uma
Que é a coisa mais linda
Que eu já conheci
Não sei se ainda assim tão jovem
Você tem história
Pra contar pra mim
Aí é que você se engana
Quando a gente ama
O coração se aquece
E por amor se faz de tudo
E se faz muito mais
Quando a mulher merece
Amigo eu penso tanto nela
Mas ela também
Vive pensando em mim
O sol da minha vida é ela
Eu não pensei que alguém
Pudesse amar assim
Amigo eu também tenho historia
Eu tenho alguém que um dia
Entrou no meu caminho
Suave como a flor do campo
Ela me deu amor
Ela me deu carinho
Assim é a mulher que eu amo
Minha doce amada
Amiga e companheira
Pois, cuide dela muito bem
Porque um grande amor
É para a vida inteira
Se a conversa é boa o tempo logo passa
Quando se ama a gente não disfarça
E sempre fala da mulher amada
E a prosa tem mais graça
E nessa conversa, vai passando a hora
Se alguém espera, a gente não demora
O coração no peito bate forte
A gente vai embora
Eu só falei da minha amada
Que é tudo pra mim
Que é o sol da minha vida
E eu falei do meu amor
A flor que faz
A minha estrada mais florida
Amigo a gente não se engana
Quando a gente ama
O coração se aquece
E por amor se faz de tudo
E se faz muito mais
Quando a mulher merece
Se a conversa é boa o tempo logo passa
Quando se ama a gente não disfarça
E sempre fala da mulher amada
E a prosa tem mais graça
E nessa conversa, vai passando a hora
Se alguém espera, a gente não demora
O coração no peito bate forte
A gente vai embora