SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
ESCRITA NARRATIVA
PÉS
Depois de ter lido uma notícia, vinda de Toronto- Canadá. Onde apareceram doze pés humanos, mas calçados, que deram à costa nas praias canadianas, mas todos pertencentes aos pés direitos, de onde nasceram várias interrogações.
Pés para que serves? Para andar e levar-nos para onde quiseres, as caminhadas que fazemos, os passeios os pontapés que damos na vida, uns marcaram golos outros marcaram tristezas, mas continuas a ser um elemento da maior importância e devíamos ter mais cuidado contigo o que não acontece.
Não posso esquecer, foste o nosso primeiro orgão a pisar a lua, assim como foste o primeiro a pisar as terras das nossas descobertas e por aí fora, nunca mais deixaste de andar.
Continuas a ser um orgão famoso, sobretudo para os profissionais da bola, que já deveriam ter pensado em ti com mais carinho, como já devia ter nascido uma grande estátua a lembrar que tu existe.
Pés que foram lavados nas maravilhosa manhãs de São Marçal, aqui na Quinta do Saldanha, sobretudo pelas jovens, ao som da charanga, por altura das Festas de São Pedro, ainda ali está o tanque.
Pés, devido à minha mãe trabalhar nas limpezas do Banco, foi possível eu entrar para lá trabalhar, mas deu-lhe grandes dores de cabeça até conseguir esse desejo.
E assim foi, com treze anos comecei a trabalhar no Banco com a categoria de groom ou paquete, mas com a obrigação de tirar o Quinto ano dos Liceus ou o Curso Comercial, até aos dezoito anos, o que consegui.
Para terminar tudo isto correu bem, mas estava guardado um grande problema, eu não usava sapatos, como tal não podia ir descalço para o Banco, por isso coube á minha mãe o sacrifício de me dar as suas botas, para proteger e não só, os meus pés e poder ir trabalhar.
Grande mãe a minha.
João Paiva
Maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
POESIA
AMARELO (ALENTEJO)
Quando fui para o Alentejo
De amarelo o encontrei
Grande foi o meu desejo
Quando até aqui cheguei
As ceifeiras muito ceifavam
E as espigas eram amarelas
O trabalho eram das foices
Que estavam nas mãos delas
Como não pode haver ceifa
Sem entoar de uma canção
Até pode não haver a cesta
Mas de amarelo sai a paixão
Trigo que vais para a eira
Para seres bem debulhado
Trazes contigo a canceira
E de amarelo vais ser atado
As searas a ondular
De amarelo vestidas
Parecem ondas do mar
Em suas cores garridas
João Paiva
Maio de 2026
POESIA
ERVAS
Junto à terra nascem
Ervas daninhas
Junto á terra morrem
Apenas ficam as raízinhas
Ervas que são tão úteis
Sem ti o homem não podia viver
Pois é tu quem o sustenta
E a quem lhe dás de comer
De ti saem produtos
Que muitas doenças curam
Por isso o homem não te larga
E de ti anda sempre à procura
Relva macia como a neve
Aquela em que me sentei
Após longas léguas andadas
Foi sobre ti que descansei
Plantada sem trabalho
Depois fica a tua semente
E homem só a colhe
Por isso canta alegremente
Ai de ti quando nasces
Junto a uma flor
Logo tu és arrancada
Sem por ti sentirem dor
Quando já seca
Vai para o palheiro
Algum serviço ainda presta
Nem que seja do forno do padeiro
Sem que tu te rales
Sobre ti pasta o gado
Pois ele bem sabe
Que é do teu agrado
João Paiva
Maio de 2026
terça-feira, 5 de maio de 2026
POESIA
MONTIJO POESIA II
Agora o Montijo melhorou
É outra terra para se viver
Houve o tempo que piorou
Vamos ajudar ao renascer
Mesmo assim nem tudo está bem
O trânsito bem é quase irregulável
Transeuntes irresponsáveis também
Para lá não vão nem a toque de Ravel
Ontem foste boa e apetecível terra
Reis ,fidalgos, condes e pescadores
Foste abençoado e bem naquela era
Onde já haviam grandes pensadores
Bebeu-se muito leite na nossa juventude
Dado pelas vacas que por aqui pastavam
Tiveste um ou outro jovem com virtude
Mas os restantes só muito protestavam
Montijo dos velhos e muitos quintais
Onde cães, gatos e ratos não se davam
Tenho muita pena dos matinais pardais
Porque só eles, de madrugada acordavam
João Paiva
Maio de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
POESIA
A VOZ DO POETA
Eu não sonho pequeno,
que isso é coisa de quem tem medo.
Eu sonho largo, aberto, inteiro,
como um grito que rasga o peito
e se recusa a morrer em segredo.
Sou poeta,
e isso basta para me faltar tudo
e ainda assim sobrar-me o mundo.
Trago nos bolsos
o vento das palavras por dizer,
trago nos olhos
as cidades que ainda não existem,
e no sangue
uma febre antiga
que me empurra para viver. Para sonhar
Ah, que o sonho do poeta
não é dormir,
é incendiar a realidade
até ela acordar!
É pegar no dia cinzento
e virá-lo do avesso,
é chamar pelo sol
quando o céu insiste em negar,
é dizer “há mais”
quando tudo grita “não há”.
E eu digo:
há!
Há dentro de cada rua cansada
um poema à espera de nascer,
Há em cada esquina, um verso,
uma criança a brincar,
ao entardecer,
há dentro de cada gesto calado
uma revolução por acontecer.
O poeta não pede licença,
entra.
Não bate à porta,
arromba.
Porque o seu sonho
não cabe em molduras, ou taças,
não se dobra em silêncio,
não se vende em parcelas de rotina.
O sonho do poeta é perigoso,
tem dentes,
tem punhos,
tem asas.
E quando levanta voo,
meu amigo,
não há chão que o prenda.
Por isso escrevo,
não para ser eterno,
mas para não ser ausente.
Escrevo
porque o mundo, às vezes,
esquece-se de respirar.
E alguém tem de lembrar-lhe,
Respira. Acorda...
Bernardino Traquete
Maio de 2026
POESIA
DIA DA MÃE
Hoje é dia da mãe, feliz
Para mim todos os são
E sempre como te sinto
Mãe perto, meu coração
Para ti que és mãe, muito especial
Dos teus filhos que muito lhes quer
Não podes passar ao lado teu ideal
Mãe seras sempre grande mulher
Os anos, bem foram passando
Os netos também apareceram
Com realidade foste sonhando
Mãe os netos, enfim cresceram
Homem ou mulher vão crescer
Deles, outros seres vão nascer
Quero que um dia ao amanhecer
Mãe só a ti, que tenho a enaltecer
Na guerra, ou na tragédia
Na tempestade e naufágio
Na mais funesta miséria
Mãe grito de privilégio
No almoço, ou no jantar
No passeio, ou no lazer
Na igreja junto ao altar
Mãe que mais sei dizer
Na companhia, na educação
Nas muitas longas conversas
Que mantivemos ao serão
Mãe é utilizada sem reservas
Se aprende, mãe a dizer
Se aprende muito a gostar
De tudo nos da com prazer
Mãe tudo tens para nos dar
Mas hoje vai ser diferente
Vejo os teus olhos a brilhar
E o pulsar do coração quente
Mãe uma prenda te vou dar
Guarda bem guardadinha
Porque sei que vais gostar
Esconde bem escondidinha
Mãe não a podes estragar
Mãe palavra tão pequena
Da maior e pura verdade
Pois é a mais verdadeira
Mãe em toda humanidade
Depois de toda uma vida
A tua partida vai acontecer
Ao deixares a vida querida
Mãe como é? Como vai ser
João Paiva
Maio de 2026
ESCRITA NARRATIVA
A Fábula do Baralho Desalinhado
Numa velha gaveta de madeira vivia um baralho de cartas. Já fora inteiro, elegante, bem contado. Mas o tempo, as mãos nervosas e os jogos mal perdidos tinham-no deixado... confuso. O Rei de Copas achava que mandava em todos. — Sou rei, logo decido — dizia, batendo na mesa invisível. A Dama de Espadas, afiada como o próprio naipe, respondia:— Mandar não é o mesmo que pensar. O Valete de Paus ria-se, saltitante: — Que interessa quem manda, se ninguém se diverte? Num canto, o Ás de Ouros permanecia em silêncio. Sabia que valia muito, mas também sabia esperar. As cartas numéricas sentiam-se esquecidas. — Sem nós, não há jogo — murmurava o Sete de Copas, meio sonhador. Um dia, a gaveta abriu-se. Uma mão humana tentou jogar, mas desistiu depressa: faltavam cartas, sobravam egos, não havia ordem. Foi então que o baralho percebeu: separados, eram apenas pedaços de papel. Juntos, com regras e respeito, podiam criar histórias, apostas, encontros. O Rei baixou a coroa. A Dama afrouxou o corte. O Valete aprendeu a ouvir.E até o Ás se misturou. Quando voltaram a ser baralho, voltaram a ser jogo.
Moral da fábula:
Não é o valor de cada carta que faz o jogo, mas a forma como todas aceitam jogar juntas.
Conceição Parreira
Maio 2028
ESCRITA NARRATIVA
O comboio partiu ainda com a madrugada colada às janelas. Havia um silêncio espesso no cais, como se todos os destinos estivessem a prender a respiração. Sentei-me junto à janela, levando comigo apenas uma mala pequena e um cansaço antigo que não passava pela alfândega. À medida que o comboio avançava, os países iam-se dissolvendo como pensamentos mal acabados. Campos verdes, rios imóveis, estações com nomes difíceis de pronunciar — tudo passava com a mesma delicadeza com que se folheia um livro já lido. No reflexo do vidro, via o meu rosto misturado com a paisagem: eu também estava em trânsito, entre o que tinha sido e aquilo que ainda não sabia nomear. Havia pessoas que dormiam, outras liam, algumas olhavam o nada com devoção. Um homem de cabelos brancos desenhava mapas imaginários num caderno. Uma rapariga falava baixo ao telefone, como se confessasse um segredo ao próprio comboio. Ninguém perguntava a ninguém de onde vinha. Talvez porque todos ali estivessem a fugir de algo — ou a aproximar-se. Quando atravessámos a fronteira invisível da Holanda, a luz mudou. Tornou-se mais clara, quase líquida. Os campos pareciam pintados com paciência e os canais surgiam como frases bem pontuadas. Senti que Amsterdão não seria apenas um lugar, mas um estado de espírito: um espaço onde o tempo anda de bicicleta e a solidão aprende a conviver com a beleza. Ao chegar, o comboio parou com um suspiro metálico. Desci devagar, como quem não quer acordar de um sonho. A cidade esperava-me sem pressa, com as suas pontes curvas e janelas abertas para dentro da vida dos outros. Percebi então que a verdadeira viagem não tinha sido até Amsterdão, mas até esse lugar raro onde finalmente me sentia em movimento outra vez. E, pela primeira vez em muito tempo, isso bastava.
Conceição Parreira
Maio 2026
sábado, 2 de maio de 2026
POESIA
DIA DA MÃE
Hoje é dia da mãe, feliz
Para mim todos os são
E sempre como te sinto
Mãe perto,meu coração
Para ti que és mãe, muito especial
Dos teus filhos que muito lhes quer
Não podes passar ao lado teu ideal
Mãe seras sempre grande mulher
Os anos,bem foram passando
Os netos também apareceram
Com realidade foste sonhando
Mãe os netos, enfim cresceram
Homem ou mulher vão crescer
Deles, outros seres vão nascer
Quero que um dia ao amanhecer
Mãe só a ti, que tenho a enaltecer
Na guerra, ou na tragédia
Na tempestade e naufágio
Na mais funesta miséria
Mãe grito de privilégio
No almoço, ou no jantar
No passeio, ou no lazer
Na igreja junto ao altar
Mãe que mais sei dizer
Na companhia, na educação
Nas muitas longas conversas
Que mantivemos ao serão
Mãe é utilizada sem reservas
Se aprende, mãe a dizer
Se aprende muito a gostar
De tudo nos da com prazer
Mãe tudo tens para nos dar
Mas hoje vai ser diferente
Vejo os teus olhos a brilhar
E o pulsar do coração quente
Mãe uma prenda te vou dar
Guarda bem guardadinha
Porque sei que vais gostar
Esconde bem escondidinha
Mãe não a podes estragar
Mãe palavra tão pequena
Da maior e pura verdade
Pois é a mais verdadeira
Mãe em toda humanidade
Depois de toda uma vida
A tua partida vai acontecer
Ao deixares a vida querida
Mãe como é? como vai ser
João Paiva
Maio de 2026










