quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F

 FALCÃO



CARNAVAL MONTIJO

 O NOSSO CARNAVAL



ESCRITA NARRATIVA

FORCADO

AS VELHICES DE UM AVÔ (12)

Também eu gosto e muito de touros e touradas. Senti um apego aos touros,quando na Herdade de Rio Frio, estive tão perto deles que até o seu bafo, sentina minha cara, onde tive a oportunidade de lhe passar a mão pelo pêlo, ao contrário não gostou do meu e deu um passo à retaguarda, enquanto eu mergulhava na caixa da carrinha, ficando estatelado de barriga para cima e sempre com os olhos no touro.

Depois ía vê-los com muita frequência aos prados e as tendas, mas nunca fui à sua cara, andei várias vezes engalfinhado nos mourrilhos das feras. O grupo de forcados juvenis do Montijo, nasceu nos bancos da Praça da República e depois de alguns treinos na Herdade da Barroca de Alva, começava a surgir os putos com muita habilidade, para virem a ser grandes forcados como: o Pina, o Sérgio, o Carvalheira e tantos outros.

Depois foi tempo de andarmos de porta em porta dos velhos forcados, pedindo jaquetas, calções, cintas e barretes e as famosas meias, porque a maioria de nós não tinha possibilidades de as comprar. E assim conseguimos organizar a nossa primeira corrida na Praça de Touros, com um cartaz tauromáquico onde se anunciava com pompa e circunstância os nossos nomes.

Nunca cheguei a concretizar o sonho de pegar um touro, na praça, porque como já trabalhava no Banco não tinha a possibilidade de frequentar com regularidade os treinos, como faziam os meus colegas.

Para não perder o gosto, frequentava com regularidade todos os sítios onde se realizavam largadas, como no Samouco, S.Francisco, Sarilhos, Moita, quer pelas ruas, quer pelas praças desmontáveis.

Numa largada de touros que se realizou aqui pelas ruas, onde praticávamos com afinco os nossos desejos, nunca vou esquecer quantas vezes fui ao chão e por vezes saia mal tratado.

Sem eu saber um dia fui presenciado pelo gerente da Agência Bancária onde trabalhava, pois foi ali mesmo que acabou o meu sonho.

Na segunda-feira quando me apresento ao trabalho, onde já se encontrava o gerente sentado na sua secretária ao ver-me entrar, da um salto da cadeira como impulsionado por uma mola e manda-me entrar para o gabinete da gerência.

Diz-me o gerente: Tens que escolher e já, o Banco ou os forcados, fiquei espantado a olhar para ele, e, até me pareceu ver uma "fera a colher seriamente o forcado".

João Paiva        

Fevereiro 2026        

CARNAVAL

 




CARNAVAL

 


CARNAVAL

 


CARNAVAL 2018


CORSO MONTIJO

 

CARNAVAL 2018

CORSO MONTIJO


 

CARNAVAL 2018


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

MONTIJO - CARNAVAL 2019


O HOMEM DO BIGODE

 

MONTIJO - CARNAVAL 2019

A GALINHA E OS FILHOTES


 

MONTIJO - CARNAVAL 2019


SEMPRE PRESENTE


 

MONTIJO - CARNAVAL 2019


A GALINHA AMARELA


 

MONTIJO - CARNAVAL 2019


BATUCANDO

 

ESCRITA NARRATIVA

PRÓLOGO — A Pergunta que Desperta


Há perguntas que não nascem da curiosidade. Nascem do cansaçoSurgem devagar, como uma névoa que se levanta do chão depois de muitos anos de silêncio. Não aparecem quando tudo está claro, nem quando a vida corre sem sobressaltos. Elas chegam quando algo dentro de nós já não aceita respostas pequenas. Foi assim que esta pergunta começou a viver em mim: O que estou eu a fazer neste mundo? Não veio como uma frase nítida. Veio como uma inquietação sem nome, como um desconforto subtil que não se explica. Uma sensação de estar presente e, ao mesmo tempo, deslocada. De cumprir tarefas, mas não tocar o essencial. De falar com pessoas, mas guardar dentro de mim um silêncio antigo. Durante muito tempo, tentei afastá-la. Dizia a mim mesma que era apenas cansaço. Que passaria. Que todos vivem assim. Mas há perguntas que não se calam — porque não são ruído. São chamamento. Elas regressam nas horas quietas da noite, nos momentos em que o mundo abranda, nos instantes em que deixamos de representar papéis e ficamos apenas diante de nós próprios. Foi num desses instantes que compreendi: esta pergunta não era um problema para resolver. Era uma porta. Uma porta que se abria para dentro. Ao atravessá-la, percebi algo que ninguém nos ensina: existem pessoas que não vieram ao mundo para viver apenas na superfície das coisas. Vieram para escutar o que não é dito, para sentir o que não é visível, para dar nome ao que vive sem linguagem. São pessoas que caminham com o Tempo como companheiro — não o tempo dos relógios, mas o tempo profundo, aquele que guarda memórias, cicatrizes e transformações invisíveis. Este livro nasce desse encontro. Não é uma tentativa de encontrar uma resposta definitiva. Porque talvez ela não exista. É, antes, uma travessia. Uma travessia pelas perguntas que nos habitam, pelas dores que nos moldam, pelos silêncios que nos ensinam, e pelas pequenas luzes que continuam a acender-se mesmo nos dias mais escuros. Ao longo destas páginas, não encontrarás soluções rápidas nem promessas de felicidade permanente. Encontrarás algo mais humano — e talvez mais verdadeiro: o caminho de quem aprende a viver sem fugir das próprias perguntas. Porque, às vezes, o sentido da vida não está em saber exatamente para onde vamos. Está em ter coragem de escutar aquilo que, dentro de nós, pede para nascer. Se esta pergunta também vive em ti — mesmo que em silêncio — então este livro já é, de alguma forma, teu. E talvez possamos atravessar juntos este território onde nada é totalmente certo, mas tudo é profundamente vivo. Porque a pergunta permanece. E é ela que nos mantém despertos.

Capítulo 1 — Antiga como o Tempo

Continuação: Com o passar dos dias, comecei a perceber que aquela pergunta não queria respostas rápidas. Ela não aceitava explicações prontas, nem se satisfazia com frases bonitas. Era uma pergunta paciente. Não batia à porta — permanecia diante dela, silenciosa, como alguém que sabe que não pode ser ignorado para sempre. E quanto mais eu tentava afastá-la, mais ela se entranhava no modo como eu via o mundo. Comecei a notar pequenas coisas que antes me passavam despercebidas. O olhar cansado das pessoas nas ruas. A pressa constante que parecia impedir qualquer escuta verdadeira. As conversas cheias de palavras, mas vazias de presença. Percebi então algo que me inquietou profundamente: muitos vivem sem nunca se perguntarem porquê. Vivem como quem atravessa um corredor estreito — olhando apenas em frente, evitando olhar para dentro. Mas há um momento na vida em que esse corredor se abre de repente. E quando isso acontece, já não é possível regressar à antiga distração. Foi nesse momento que compreendi: a pergunta não tinha surgido para me confundir. Tinha surgido para me acordar. Porque acordar não é tornar-se feliz de imediato. É tornar-se consciente. E a consciência tem um peso. Ela faz-nos ver as ausências que antes ignorávamos, as feridas que escondíamos, os silêncios que carregávamos há anos. Faz-nos perceber quantas vezes vivemos para cumprir expectativas, para corresponder a imagens, para sobreviver em vez de verdadeiramente existir. Mas, ao mesmo tempo, a consciência traz consigo uma dádiva rara: a possibilidade de viver com verdade. Foi também nesse tempo que comecei a sentir o Tempo de outra forma. Já não como inimigo que me roubava juventude, nem como relógio que impunha urgência. Passei a senti-lo como uma presença silenciosa que caminhava ao meu lado. O Tempo não me pressionava. Observava-me. E parecia dizer: “Não tenhas pressa em compreender. Há perguntas que só se revelam quando a alma está pronta para as escutar.” Com o Tempo ao meu lado, comecei a aceitar algo que antes me assustava talvez não estivesse perdida. Talvez estivesse em transição. Entre a vida que aprendi a viver e a vida que ainda não sabia nomear. E essa perceção trouxe uma paz inesperada. Porque percebi que não precisava encontrar imediatamente uma resposta para a pergunta que me habitava. Bastava não fugir dela. Bastava caminhar com ela. E, aos poucos, fui compreendendo que existem perguntas que não pedem solução. Pedem presença. Pedem escuta. Pedem coragem. E, acima de tudo, pedem tempo —porque são tão antigas quanto o próprio Tempo.

Capítulo 2 — O Despertar da Consciência

Versão expandida: O despertar da consciência não acontece de uma só vez. Não chega como um trovão que rasga o céu, nem como uma certeza luminosa que resolve todas as dúvidas. Ele começa quase sem se anunciar — como uma mudança subtil na respiração da alma. No início, é apenas um desconforto difícil de explicar. A vida continua aparentemente igual, os dias mantêm as suas rotinas, as pessoas continuam a falar das mesmas coisas. Nada mudou por fora. Mas por dentro, algo já não encaixa. As palavras que antes pareciam suficientes tornam-se pequenas. As ocupações que antes preenchiam o tempo começam a parecer vazias. E surge uma sensação estranha: a de estar presente e, ao mesmo tempo, distante de tudo. É como se uma parte de nós tivesse acordado antes do resto. Essa parte não grita. Não exige respostas imediatas. Apenas observa. Observa a forma como vivemos em piloto automático. Observa quantas vezes sorrimos sem sentir alegria. Observa o modo como nos adaptamos para não incomodar, para não destoar, para não ficar sozinhos. E, lentamente, começa a fazer perguntas. Perguntas que não procuram soluções rápidas, mas verdade. Pergunta se a vida que vivemos é realmente nossa. Pergunta se as escolhas que fizemos nasceram do coração ou do medo. Pergunta quem somos quando deixamos de representar papéis. Durante muito tempo, podemos tentar ignorar esse movimento interior. Dizemos a nós próprios que é apenas cansaço. Que todos passam por fases assim. Que basta ocupar a mente para que a inquietação desapareça. Mas a consciência não se dissolve com distrações. Ela permanece. E quanto mais tentamos afastá-la, mais ela se manifesta — nos silêncios, nas pausas inesperadas, nos momentos em que nos sentimos inexplicavelmente deslocados do mundo. É então que percebemos algo fundamental:o despertar da consciência não é um problema. É um processo. Um processo lento, por vezes doloroso, mas profundamente transformador. Porque a consciência ilumina tudo. Não apenas o que é belo, mas também o que evitámos ver durante anos. Ilumina as feridas antigas que fingíamos ter esquecido. Ilumina os medos que orientaram escolhas. Ilumina as perdas que nunca foram verdadeiramente choradas. E, talvez o mais difícil, ilumina as partes de nós que viviam escondidas — aquelas que foram silenciadas para que pudéssemos ser aceites, amados ou simplesmente sobreviver. É natural que este despertar traga dor. Porque ver com clareza implica reconhecer o que antes estava envolto em sombra. Mas há uma verdade essencial que só se compreende ao atravessar este processo: a consciência não chega para nos destruir. Chega para nos libertar. Ela não exige que mudemos tudo de imediato. Não pede que abandonemos a vida que construímos. Pede apenas que deixemos de viver inconscientemente. Pede honestidade. Pede presença. Pede coragem para olhar sem fugir. Foi neste tempo que comecei também a sentir o Tempo de forma diferente. Antes, o Tempo era apenas medida — horas, dias, anos que passavam sem pausa. Era algo que me pressionava, que me fazia sentir atrasada, que parecia exigir rapidez constante. Mas, ao despertar da consciência, o Tempo transformou-se. Deixou de ser um perseguidor para se tornar uma presença. Passei a senti-lo como um companheiro silencioso, sempre ao meu lado, observando sem julgamento. E parecia dizer-me: “Não te apresses. A consciência não floresce na pressa. Ela precisa de silêncio, de escuta e de tempo.” Com essa nova relação com o Tempo, algo dentro de mim começou a suavizar-se. Percebi que não estava perdida. Estava em transformação. Entre aquilo que fui ensinada a ser e aquilo que a minha essência começava a revelar. Esse espaço intermédio — entre o antigo e o novo — é, muitas vezes, desconfortável. Porque já não pertencemos completamente à vida de antes, mas ainda não sabemos habitar a vida que se aproxima. É um território de incerteza. Mas também é um território fértil. É ali que a consciência amadurece. É ali que começamos a distinguir o essencial do supérfluo. É ali que nasce a possibilidade de viver com verdade. Com o tempo, compreendi algo profundamente libertador: o despertar da consciência não tem como objetivo dar-nos respostas definitivas. O seu propósito é outro. Ensinar-nos a viver acordados. A viver atentos ao que sentimos. A viver alinhados com aquilo que somos. A viver com a coragem de não nos abandonarmos para sermos aceites. E embora este caminho possa trazer momentos de solidão, traz também uma forma de liberdade que nada exterior pode oferecer: a liberdade de sermos, finalmente, inteiros. Porque, uma vez desperta, a consciência não volta a adormecer. Ela permanece — silenciosa, vigilante, paciente — lembrando-nos, a cada dia, que viver não é apenaspassar pelo mundo. É estar verdadeiramente presente nele.


Conceição Parreira

Fevereiro 2026

CARNAVAL

No Carnaval em Portugal

até o inverno se disfarça:

põe um sol de papelão

e um sorriso de ameaça.


Sai à rua o Zé Povinho

com coroa de purpurina,

rei por três dias apenas —

na quarta já volta à sina.


Há políticos de cartolina

com promessas de serpentina,

que voam leves no ar...

mas nunca chegam à esquina.


O vizinho vira pirata,

a tia vira rainha,

e quem nunca teve voz

berra alto na marchinha.


Come-se sonhos e filhoses,

bebe-se riso barato,

e até a crise, coitada,

usa máscara de gato.


Mas o mais curioso, afinal,

neste teatro improvisado,

é que, findo o Carnaval,

ninguém tira o disfarçado.


Porque há máscaras tão coladas

que nem a chuva desmancha:

uns vestem-nas só em fevereiro,

outros... usam-nas o ano inteiro na franja. 


Conceição Parreira

Fevereiro de 2026

CARNAVAL MONTIJO

 O NOSSO CARNAVAL



CARNAVAL

 


CARNAVAL

 


CARNAVAL

 


CARNAVAL

 


CARNAVAL

 


BOA RECORDAÇÃO

 FEITO PELA MINHA MÃE



COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F

 FOME



COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F

FLOR SEM TERRA 



ARTESANATO ALENTEJANO

 


NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

IGREJA PAROQUIAL DO MONTIJO



COISAS COMEÇADAS POR F

FUTEBOL 


NATUREZA

 


CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


LO DIA DE LOS MUERTOS


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


LO DIA DE LOS MUERTOS


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026

RECRIAÇÃO


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026

CUPIDO O DEUS DO AMOR


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026

A DAMA E O ÁS DE COPAS


 

MONTIJO - CARNAVAL 2029



A MULHER DE VERMELHO NO CORSO 


 

MONTIJO - CARNAVAL 2019


OS COMILÕES


 

MONTIJO - CARNAVAL 2019


CORSO


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026



CUPIDO


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


CUPIDO


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


DAMA DE COPAS


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026


BOA NOITE



 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026

ABELHA MAIA


 

CARNAVAL - QUADRADA - MONTIJO - 2026

A ENFERMEIRA


 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CARNAVAL

 CARNAVAL PORTUGUÊS

O Carnaval, também chamado Entrudo, entrelaça-se profundamente com a história e os costumes do nosso país, marcada por influências tanto pagãs como cristãs. De origens ancestrais, era uma celebração que se ligava ao ciclo agrícola, simbolizando o início da primavera e a despedida do inverno rigoroso.

Nas suas raízes mais antigas, o Carnaval assumia-se como um ritual de transição: as comunidades reuniam-se em torno da esperança na fertilidade da terra, saudando o regresso dos dias amenos e a promessa de abundância. O ambiente vibrava com as expectativas de renovação e crescimento, essenciais à vida rural e aos hábitos tradicionais.

Com o passar dos séculos, este festejo foi absorvido pela tradição cristã, tornando-se um rito que antecede a Quaresma e, consequentemente, um tempo de penitência e abstinência. Foi nesse momento de adaptação cultural que o Carnaval adquiriu novos sentidos e formas, perpetuando-se na memória coletiva.

Ao longo dos tempos, O Carnaval português revela-se uma celebração resiliente e multifacetada, que soube adaptar-se às mudanças culturais e religiosas, mantendo sempre viva a sua essência de renovação e alegria. Hoje, continua a unir comunidades, celebrando não apenas a tradição, mas também o espírito de criatividade e liberdade que caracteriza esta festa tão singular no panorama nacional. Assim, o Entrudo persiste como um elo entre passado e presente, valorizando a herança cultural e reforçando o sentido de pertença de todos os que nele participam.


Conceição Lavrador

Fevereiro 2026

MULHER

 


TRABALHO EFETUADO NA AULA DE ESCULTURA COM O PROFESSOR EDUARDO


CARNAVAL 2026


LO DIA DE LOS MUERTOS


 

CARNAVAL MONTIJO

 O NOSSO CARNAVAL



ESCRITA NARRATIVA

O QUE ANDO A FAZER NESTE MUNDO?

Às vezes, paro para pensar: o que é que eu ando a fazer neste mundo? Esta questão, que parece tão simples, traz consigo uma profundidade imensa e revela inquietações, sonhos, dúvidas e motivações que me acompanham diariamente. Sinto que a minha jornada nesta vida é feita de constantes descobertas. Aprendo com as pessoas ao meu redor, com os desafios que enfrento e com as pequenas vitórias do dia a dia. Cada experiência é uma oportunidade de crescer, de ganhar novas perspetivas e de me conhecer melhor. Ando a procurar sentido nas coisas, a tentar perceber o meu lugar no mundo, a contribuir de alguma forma, por mais pequena que seja. Valorizo as relações que construo: amizades que me acompanham, família que me apoia e novas pessoas que cruzam o meu caminho. Acredito que uma parte importante do que faço neste mundo passa por cultivar estas ligações, aprender com os outros e, quando possível, fazer a diferença na vida de alguém. Procuro aquilo que me apaixona, seja através do trabalho, de hobbies ou de causas em que acredito. Às vezes, é fácil sentir-me perdido, como se tudo fosse demasiado vasto e incerto. Mas sigo em frente, guiado por pequenos objetivos, sonhos e pela vontade de experimentar coisas novas. Tento viver com autenticidade, ser fiel a mim próprio e contribuir, de alguma forma, para um mundo melhor. Nem sempre é fácil. Existem dias de dúvidas, de desmotivação e até de frustração. No entanto, acredito que parte do meu percurso é aprender a lidar com estes momentos e transformá-los em oportunidades de evolução. O que faço neste mundo também é superar-me, adaptar-me e continuar a tentar, mesmo quando o caminho não é claro. No fundo, aquilo que ando a fazer neste mundo é procurar o meu propósito. Talvez nunca encontre uma resposta definitiva, mas acredito que o sentido está no caminho, nas escolhas que faço, nas pessoas que amo e nos pequenos gestos do dia a dia. Vou vivendo, aprendendo, errando e tentando ser melhor. E, na incerteza, sigo tentando ser alguém de quem possa orgulhar-me.


Conceição Parreira

Fevereiro 2026

TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA F

 AVENIDA NO FUNCHAL



TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA F

 FUNCHAL-MADEIRA



MEIOS DE TRANSPORTE


SERMIONE


 

UMA CAMA VOADORA

 DORMIR


A Sofia sentia-se cansada de tantas viagens. Finalmente estava de regresso a casa. Era tarde, desejava tomar um banho quentinho e reparador. Sentia-se impregnada com o cheiro do aeroporto e do avião.

Que bom poder deitar-se na sua confortável cama, a do hotel também era boa, mas nada como o aconchego das coisas familiares. Depois do duche reparador, foi deitar-se exausta, mas com tanta agitação interior seria difícil conciliar o sono, sentia o olhar cansado de tanto observar o escuro do quarto. Os pensamentos fluíam como se fossem um mar bravo de Inverno. Era forçoso adormecer para descansar o seu cérebro  agitado com os acontecimentos das últimas semanas. Tanta coisa para pensar decidir e resolver. Por onde havia de começar? Interrogou-se mais uma vez. Estava a ser difícil chegar a uma conclusão satisfatória para todos os problemas.

Finalmente, conseguiu adormecer profundamente. De súbito acordou com uma música suave, que não sabia de onde vinha, mas que, no entanto, era bela e convidativa, não ficou aborrecida com o facto de ter acordado depois de tanto esforço para adormecer. Mas abriu bem os olhos para saber o que estava a acontecer, e de onde vinha a música, para seu espanto lá estava ela no meio de uma praça num velho coreto, rodeada por uma banda que tocava uma ária de uma ópera de que ela gostava muito, e que o seu avô costumava assobiar alguns acordes para ela adormecer quando era criança. Mas que coisa tão estranha pensou. - Onde estava ela? - Que sítio era este? - Mas o que estava ali a fazer? - As pessoas que estavam sentadas nos bancos da praça, ou na relva pareciam não a ver, será que estava transparente?- Provavelmente nem sequer estava ali, era tudo um sonho, mas beliscou-se e sentiu a dor, portanto se era um sonho, era bem real.

De repente, com uma sacudidela a cama começou a flutuar por cima da banda, e saiu disparada do coreto qual tapete voador das histórias das mil e uma noites. A Sofia pensou, oh que giro sou uma personagem da Mary Poppins, vou ficar aqui e ver até onde esta cama me leva. Começou então a ver a cidade que ficava nas montanhas rodeada de uma floresta com pinheiros e abetos verdes, e que vista, assim, de cima se assemelhava a uma floresta negra e impenetrável.

Quando olhou melhor também viu que a cidade tinha um castelo com torres redondas, o qual parecia saído duma história de encantar daquelas que o seu avô lhe contava.

Era perfeito para as histórias com lindas princesas, e a Sofia pensou - “bom se isto é um sonho quero continuar a sonhar, porque sonhos deste são bons e libertadores da normalidade da rotina da vida”. E deixou a cama voar pelo céu azul e infinito.


Maria José Santos

Fevereiro 2026

CARNAVAL - MONTIJO