SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
sábado, 18 de abril de 2026
ESCRITA NARRATIVA
LOBISOMEM
Segundo a crendice popular, quem não se lembra do lobisomem, mas no meu bairro era mais conhecido pelo corfadário, nunca o vi, mas que ele esteve presente na nossa meninice, lá isso esteve, mas onde?
Nas conversas da nossa mãe e avó, lá vinha o lobisomem ou o corfadário, para nos amedrontrar, pelas diabrices que íamos arranjando, á medida que fomos crescendo.
E como foi difícil esse crescer, rodeado de todo o amor do mundo, mas afastados de tudo quanto precisávamos para o nosso bem estar.
E o mítico corfadário lá ia fazendo companhia ao nosso cardápio diário. Mas uma coisa é certa, ainda me lembro que não podíamos ir para os muros à noite, nem voltar tarde para casa, por causa do dito cujo, mas éramos crianças e que saudades eu tenho, quando chegávamos dos muros já noite, sem que alguém nos importunasse, sujos, rotos descalços. Ao entrarmos porta a dentro sempre bem dispostos, melhor ainda quando o nosso pai estava no mar, agora era só a mãe que mandava.
- Amanhã é domingo, vamos para a quinta da Tia Angélica.
- Vamos sim senhor e a avó Sofia também vai? Perguntávamos alegremente.
A quinta da tia Angélica tinha um monumento antiquíssimo e que as modernices atuais, mais os planos camarários o monumento foi abaixo e quase nesse lugar foi erigida a atual Praça de Touros, que eu gostava mais dos touros do que do monumento, que em tempos terá funcionado como forca para os condenados.
Agora estamos na quinta, boa brincadeira, boa fruta, muita água do poço e algumas piratices, que o tio Manuel, marido da tia Angélica, não gostava muito, mas era boa pessoa e tratava-se de um operário fabril de renome que exerceu funções na Mundet. Estou a fugir ao corfadário, mas ele está por aí.
Chegamos à noite é Verão e por isso vamos mais tarde para casa, caminho que fazíamos a pé e ás escuras entre valados cobertos de silvas e de amoreiras selvagens.
Neste dia estiveram na quinta uns primos já homens que sairam mais cedo para encenarem uma cena em que aparecia um lobisomem aos mais pequenos e se bem pensaram melhor fizeram. Deitaram-se nos valados a coberto da vegetação onde ficaram bem camuflados e esperaram pacientemente pelos mais pequenitos. À sua passagem, levantaram em gritos esquisitos e cheios de fenos, tendo como consequência um grande susto para os mais jovens, que não conseguiram identificar ninguém, pois que toda agente fugiu do lobisomem , sem que o mesmo tivesse aparecido. Boa partida e muito bem encenada.
João Paiva
Abril de 2026














