BARRIL DE SAQUÉ
JAPÃO ERA SHOWA (1926-1989)
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
ERVA PARA COELHOS
Lembras-te Zé Manel, quando numa tarde passada na quinta do Tio Carlos, quando íamos
ajudar a cuidar dos porcos ao final da tarde, coisa que fazíamos com todo o gosto e
dedicação à família que também tanto nos ajudou. Este acontecimento foi passado, sei lá há
quantos anos, talvez mais de setenta anos, somos unicos, como lá diz a canção.
A tarde já ía por aí a baixo, mas ainda tínhamos uma missão cumprir, que era
levarmos ervas para os nossos coelhos e portanto tinhamos que procurar serralhae malvas,
ervas de tanto apreço para os coelhinhos.
Para agradar à nossa mãe, ainda tínhamos a obrigação de cuidar das coelheiras,
mantendo-as muito limpinhas para que os mosquitos não estragassem o nosso trabalho,
porque não podiamos permitir que a morrinha atacassem os coelhos, sem este trabalho, o
risco era enorme para os animais, porque de outra forma lá teriamos que os abater.
Bem, a procura das ervas levou algum tempo, porque não encontramos a pretendida
e depois de mais algumas brincadeiras no morro da areia branca. Esta areia era a preferida
para as obras que se realizavam no nosso bairro e por isso também ajudávamos com gosto a
carregar as carroças. Então é assim, depois de procurarmos a erva pretendida, e não a
encontrando, resolvemos de uma assentada, ir ao campo do vizinho, neste caso era a Quinta
do Saldanha e aí fizemos uma boa colheita de erva tão viçosa para contento e
engorda dos nossos ricos coelhos.
Bem dispostos e com o dia quase passado e depoia da colheita bem atada e posta
ao ombro, ala que se faz tarde, pois que temos que meter pernas a caminho em direção a
casa, que dista dois ou três kilometros.
Ao passar em frente do portão principal da quinta, tinhamos á nossa espera o feitor
da quinta, pessoa já nossa conhecida e que ao vermos passar alegremente com os molhos
às costas, obrigou-nos perante um cajado bem corpolento a depositar alI mesmo e sem
desculpas amaldiçoadas, ali ficou a seus pés dois bonitos e tristonhos molhos de
Ervas para Coelhos
DIA DE S. VALENTIM
Aos netos que estão a namorar
Vou ensinar-lhes o caminho
Com muito amor para lhes dar
E uma mão cheia de carinho
Hoje já velho e tropego
Há um caminho a prender
Com muitos ou um só prego
Aqui estou para ve-los vencer
De namoros um pouco sei
Porque também não aprendi
Sei apenas que muito amei
Esperar também muito sofri
Doenças é o que eu não quero
E que não sofram com as dores
Porque quero mesmo ser sincero
Dos seus verdadeiros amores
Ao São Valentim pedi e recorri
Aproveitando a bela ocasião
Em novo muito gostei de ti
Que muito alegraste o coração
João Paiva
Fevereiro 2026
ENCRUZILHADAS DA VIDA
Das muitas que passei
Uma sempre mais me espantava
Apressado nem para ela olhei
Pois foi, a que mais esperava
E assim aconteceu
Quando numa passagem normal
O meu olhar estremeceu
Pois claro, ali estava ela afinal
Naquela encruzilhada mal passada
Fiquei com determinada visão
Dos caminhos por nós palmilhados
Só me restou a solidão
De Chamamento em chamamento
Pus-me olhar para para o além
Apenas mandava o meu pensamento
Sem coragem para receber alguém
Para que as ações ficassem bem guardadas
Todas as frases sem valor foram rodilhadas
Mesmo assim iriam ser pensadas
Por fim, não quero mais encruzilhadas
João Paiva
Fevereiro 2026
A Efemeridade da Vida
Reflexões em Verso
No breve traço da aurora que se apaga,
Ecoa o tempo, silencioso e veloz,
O instante dança, foge e logo traga
As ilusões que moram dentro de nós.
Somos poeira que o vento leva ao nada,
Folhas caídas no outono da estação,
Risos que brilham e, em noite calada,
Desaparecem pela mão da solidão.
A vida é chama que tremula e parte,
Relâmpago breve a rasgar o céu cinzento,
Sonho que nasce, cresce e logo reparte
O seu segredo ao sabor do vento.
Por isso, ama, vive e sente agora,
Abraça o efémero, o frágil, o momento,
Pois tudo passa, tudo se evapora
No ciclo eterno do grande firmamento.
Conceição Parreira
Fevereiro 2026
Eremita
Vivo onde o silêncio aprende a falar.
As pedras me chamam pelo nome antigo,
e o vento, paciente, termina minhas frases.
Afastei-me do ruído para escutar o essencial:
o passo lento do tempo,
a respiração funda da terra,
o coração nu das coisas simples.
Não estou só —
a solidão é apenas um outro modo de companhia.
Nela, encontro mapas feitos de sombra e luz,
e sigo, sem pressa,
como quem já chegou.
Conceição Parreira
Fevereiro 2026
O PERDÃO COMO LIBERTAÇÃO
A felicidade vem do perdão.
A alma cura-se pelo vento
A liberdade é a raiz da gratidão
A esperança desse momento
O eco de um passado sofrido
Liberta-se sem julgamento
O sentimento de ter vencido
O rancor, a dor desse tormento
A vida renova-se com verdade
Vestida com roupa luminosa
Neste poema de humildade
Axioma da vida harmoniosa
A paz de espírito com amizade
A criação de uma alma virtuosa.
Bernardino Traquete 5-1-2026