SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
quarta-feira, 18 de março de 2026
terça-feira, 17 de março de 2026
POESIA
PESCADORES
Descalços era assim
Que embarcavam
Com bom mar ou ruím
E sorridentes pescavam
Com bom mar
Era um paraíso
Para melhor pescar
Só precisavam de juízo
As redes tinham que descer
E para o fundo do mar
Agora é só pensar no querer
Do peixe que há para apanhar
O arrais homem crente
Dá largas ao seu saber
Que tem pela frente
Gente que não pode sofrer
Aos muros estão a chegar
As mulheres já repararam
As canoas estão a entregar
Aqueles que muito amaram
POESIA
NAVEGANDO
Como é bom navegar
Sem terra para ver
Dá-nos a possibilidade de sonhar
E todo o tempo para viver
Agora vejo um pássaro
Vem docemente na amurada pousar
Com muita alegria reparo
Naquilo que estou a avistar
Olhando para a água
Vejo outro pássaro a voar
E digo com alguma mágoa
Ainda não vi um pássaro a nadar
Nada mais tenho que fazer
Se não ver pássaros a cirandar
Mas vou ficar contente de ver
Muitos peixes a voar
Em todos os sentidos os vejo a nadar
E a ficar muito contente
Por aquele fenómeno encontrar
E vê-los voar persistentemente
João Paiva
Março 2026
MAFRA
Homenagem à Infantaria Portuguesa, representando soldados de diferentes épocas da história de Portugal.
segunda-feira, 16 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
ESCRITA NARRATIVA
CERTO DIA
AS VELHICES DE UM AVÔ (6)
Pela tardinha estava sentado em cima do cabeço de bombordo do buke de carga "Baldrico", onde era jovem tripulante, quando este se encontrava aportado numa doca de Lisboa, ali para os lados do Poço do Bispo, esperando pela maré , que nos levasse de regresso ao Montijo, agora carregados de farinhas para alimentação dos porcos.
Tarde soalheira e cujas águas do rio, espelhavam com o por do sol. Em cima daquele mesmo cabeço tinha jantado um belo petisco, que a minha mãe tinha cuidado de arranjar, quando ía para viagem, que era composto pelos saborosos torresmos do Ti Carlos Ramos, assim como um naco de chouriço da mesma procedência e algumas maçãs, mas as riscadinhas de Palmela, que os homens do mar tanto gostavam.
Estava fazendo horas para regressar aos meus "aposentos" junto á quilha bem mesmo á proa do barco, onde estendia a minha enxerga de palha de milho e me tapava com um cobertor de papa ás riscas vermelhas, amarelas e verdes. Bordado á nossa embarcação, encontrava-se um batelão carregado de arroz a granel, o mesmo deveria ter montes de gorgulho, dado a forma como estava estivado, sem respeitar qualquer regra de higiene e limpeza.
De repente chegou ao cais um casal, que eu conheci logo o homem pois tratava- -se de um tripulante do batelão.
- Salta diz ele para a rapariga.
- Não salto, tenho medo.
- Mas salta.
- Não salto
De imediato o homem salta para o porão do batelão, mesmo para o meio do arroz, onde se enterrou sem deixar rasto.
Eu e a rapariga gritámos e vieram em nosso socorro vários tripulantes que após a minha explicação, colocaram pranchas de madeira por cima do arroz e freneticamente procuraram o homem soterrado. Tendo encontrado a cabeça, com muita dificuldade lá o puseram de fora do arroz, ele ainda respirava, depois com a ajuda de uma ligeira grua o içaram e o colocaram no convéns da proa do barco, mas vivo.
Quanto á rapariga nunca mais a vi, possivelmente já tinha recebido o que lhe era devido.
João Paiva
Março de 2026
POESIA
BARCO NAUFRAGADO
Os pescadores a nado, tentaram à terra chegar
Envoltos em tão mar bravio, já não o podiam vencer
Muito menos à terra, bendita, podiam alcançar
O que infelizmente veio a acontecer
Da campanha só um agarrado ao barco ficou
E por ele já nada se podia fazer
Mas com muita força às tàbuas se agarrou
Desde o longo amanhecer até ao triste anoitecer
No estado em que a alma desespera
Onde nada se podia fazer, assim ali permaneceu
E o mar a bater-lhe e ele com o sentido à espera
Em volto na tempestade, algo de felicidade aconteceu
Destroçado ele e a embarcação
A tempestade perfeita não o largava
E com força bruta, agarrava a sua devoção
Pescador de barba dura, pensando que à terra voltava
Nevoeiro, chuva, mas mar calmo viu uma gaivota
Com os olhos que já não acreditava viu Nossa Senhora
De certeza que era para o levar de volta
E com a maior alegria, pensou, chegou a minha hora
O que veio a acontecer
Gaivota, é a nossa Senhora que nunca o deixou
Desde as desgraçadas manhãs até ao anoitecer
Toda a esperança ao naufrago dedicou.
João Paiva
Março de 2026
POESIA
RIO DE ABRAÇO AMIGO
Fui até ao rio passear
Há muito que não tinha esse prazer
Para junto das margens fui respirar
E os carangueijos voltar a ver
O ar que muito bem respirei
É como se voltasse a sonhar
Com a selvagem de tantos cheiros
É tão henriquecedor de novo voltar
Voltar era o que eu já devia ter feito
E voltar a ver a enchente da ria
La vem ela tranquila e a jeito
E ao vermo por perto sorria
Sorrindo perguntava o que estava a fazer
Estou a ver-te encher com ansiedade
E vem depressa com o encher
Para me banhar com tanta ansiedade
Com saudade quero depressa chegar
Para junto da Ponte dos Vapores
Com toda a alegria quero lembrar
Os suspiros dos passados amores
João Paiva
Março de 2026
ESCRITA NARRATIVA
JOÃO TORRESMO
Para os que não sabem, o seu pai João Pedro Iça, foi um valoroso militar que foi o primeiro montijense a morrer em combate na guerra de 1914/1918 e por isso o seu nome ficou perpetuado numa rua da nossa cidade.
Ao regressar de um dia de pesca, encontrou junto aos muros do rio, um grupo de jovens dos dezassete/dezoito anos, que nadavam junto as embarcações.
- Gritou dizendo que o Manel-Zé, vai a nadar rio acima, que se recusou a embarcar no catraio e proferindo palavras desagradáveis, a maré esta a vazar e ele não vai ter força para regressar, ainda bem que os encontro aqui, por isso vão buscá-lo.
- Está bem tio João, você já não precisa do catraio, vamos aproveitar a vazante da maré e rapidamente chegaremos junto dele.
- Então tomem os remos, que são mais levezinhos e vão-se embora apressadamente.
Assim vai o grupo rio acima em direção á Base Aérea, onde se dá a junção do nosso rio com o Mar da Palha, local perigoso, dado a junção das correntes.
O Manel-Zé está distante do grupo aí umas duas a três milhas, muito tiveram que remar para o encontrar, aqui já o grupo estava preocupado por não o ter encontrado, mas não podiam esquecer que o catraio era de madeira e por isso muito pesado e como tal não podiam imprimir mais velocidade, mas tinham de o encontrar rapidamente.
Começam a perder as forças por tanto remar e os pensamentos de aflição que vinham á memória de alguns não eram nada agradáveis. pois que foi naquele local onde se encontravam, que o tio Manel morreu, não se sabendo o que aconteceu ao pescador, mas o barco foi encontrado á deriva.
Todos querem chegar ao Manel-Zé, bom nadador, muito jovem e que não sabe que um grupo de amigos o procuram, já passou muito tempo e o grupo começa a desanimar, sabendo que a maré está em preia-mar,pensam que o podem procurar com mais tranquilidade porque nesta altura não remavam contra a maré.
Finalmente chegam à fala com o Manel-Ze, que tranquilamente boiava aproveitando a enchente que o ajudava a regressar aos muros.
Quando trocaram palavras de desagrado, sobretudo pela aflição que viveram .
- O Manel-Zé, responde deixem-me em paz, não veêm que eu estou a nadar de regresso.
João Paiva
Março de 2026
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