NAUFRÁGIO
E mais ou menos, quando
O mar se altera e enfurece
E há sempre um barco afundando
Levando para o fundo quem padece
O mar não quer amainar
Há uma tripulação aflita
Que tenta em aflição se salvar
Mas há outra que apenas só grita
O tripulante lá ficou agarrado
Aquilo que tinha à mão
Sentindo-se o maior desgraçado
Agarrado à fotografia do irmão
Aos Santinhos também pediu
Sobretudo ao seu Santo Padroeiro
E Ele lá conseguiu
Enviar-lhe um fiel companheiro
Não veio um, mas sim uma companheira
Nas vestes de uma gaivota
Surgindo naquela manhã milagreira
Que o conseguiu trazer de volta
João Paiva
Março de 2026




