SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
COISAS COMEÇADAS PELA LETRA F
ADELAIDE DA FACADA E AMÂNCIO
QUADRO DE JOSÉ MALHOA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU DO FADO, ESTE QUADRO É DE 1910, A VERSÃO DE 1909 PERTENCE A UMA COLECÇÃO PRIVADA
sábado, 14 de fevereiro de 2026
POESIA
MAREAR
Ao mar agreste fui parar
E a terra tinha que vir
Não era só para pensar
Também tinha que sorrir
O mar assim me deu
O que as estrelas dão
Naquela noite de breu
Onde só se via o clarão
Fugi do tormentoso mar
Com muita atrapalhação
Na aflição de naufragar
Acabei com os pés no chão
A desgraça pode vir do mar
O meu avô João lá morreu
Vou para sempre lembrar
Nuvem que nunca esvaneceu
Soltar cabos para largar
Agora temos que partir
Esperando que o mar
Esteja disposto a sorrir
João Paiva
Fevereiro 2026
ESCRITA NARRATIVA
REDACÇÃO
Era pequeno tinha doze-treze anos, e como todas as crianças, só queria dormir, após o pôr do sol. Não havia televisão e a rádio era ouvida em casa do vizinho.
Trabalhava de dia e estudava à noite, era assim para quem não fosse filho de homem calçado. O meu pai era pescador, para vencer e conquistar melhores dias tinha que ser com muito sacrifício.
A minha professora de português ordenou-me que fizesse uma redacção, acerca de um acontecimento que viesse a suceder nesse dia mas, nada de anormal até aqui.
A eletricidade á minha casa ainda não tinha chegado. Havia o candeeiro a petróleo e, como detestava o cheiro mais ruim do Universo, o candeeiro era apagado logo que não fizesse falta. Assim, a minha avó chamava-me de madrugada, para fazer as minhas obrigações escolares, antes de partir para mais um dia de trabalho e, aproveitando o amanhecer do dia. Mas naquele dia a madrugada nasceu escura, pelo que a minha avó tivesse que acender o candeeiro a petróleo e, colocando-o em cima da mesa de cabeceira. me chamou, como só ela sabia acordar o neto, que ainda tão jovem já começaria a comer o pão que o Diabo amassou.
Esfreguei os olhos, puxei-me para cima, naquele belo colchão de barbas de milho, olhei para um velho relógio que marcava as seis horas e preparei-me para começar mais um dia de trabalho, que tinha mais horas de trabalho do que descanso.
Ah! A redacção que tem que ser feita agora, e, qual o acontecimento mais importante? Perguntei para mim.
Lá fora fazia frio e vento e eu pensando qual o título a dar redacção, esfregava os olhos ensonado, aconchegando para mim a roupa da cama, enquanto a minha avó já labutava contra as agruras da vida que sempre conheceu.
Finalmente começo:
REDACÇÃO
Hoje tive um dia completamente normal, nada de especial, nada que merecesse qualquer referência me tinha acontecido, como é que agora haveria de arranjar argumento para escrever.
Estava eu nesta ansiedade por não encontrar motivo, quando uma voz vinda do quintal me anunciava que, para alem do frio, caía neve. Era a voz da minha avó dar-me a notícia.
Fiquei tão contente, tão cheio de vontade em fazer a descrição da queda de neve, que dei um salto de alegria na cama. Em tão mau momento o dei, que a cama estremeceu, bateu na mesa de cabeceira e zás o petróleo no chão, vidro partido, quarto ás escuras e a aflição da minha avó quanto ao petróleo derramado e eu também arreliado por ter encontrado o motivo para a redacção e, não o ter concretizado.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
NATUREZA
Depois de muitos anos a lutar, este inverno, finalmente desistiu.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
ESCRITA NARRATIVA
ERVA PARA COELHOS
Lembras-te Zé Manel, quando numa tarde passada na quinta do Tio Carlos, quando íamos ajudar a cuidar dos porcos ao final da tarde, coisa que fazíamos com todo o gosto e dedicação à família que também tanto nos ajudou. Este acontecimento foi passado, sei lá há quantos anos, talvez mais de setenta anos, somos únicos, como lá diz a canção.
A tarde já ía por aí a baixo, mas ainda tínhamos uma missão cumprir, que era levarmos ervas para os nossos coelhos e portanto tínhamos que procurar serralhas malvas, ervas de tanto apreço para os coelhinhos.
Para agradar à nossa mãe, ainda tínhamos a obrigação de cuidar das coelheiras, mantendo-as muito limpinhas para que os mosquitos não estragassem o nosso trabalho, porque não podíamos permitir que a morrinha atacassem os coelhos, sem este trabalho, o risco era enorme para os animais, porque de outra forma lá teríamos que os abater.
Bem, a procura das ervas levou algum tempo, porque não encontramos a pretendida e depois de mais algumas brincadeiras no morro da areia branca. Esta areia era a preferida para as obras que se realizavam no nosso bairro e por isso também ajudávamos com gosto a carregar as carroças. Então é assim, depois de procurarmos a erva pretendida, e não a encontrando, resolvemos de uma assentada, ir ao campo do vizinho, neste caso era a Quinta do Saldanha e aí fizemos uma boa colheita de erva tão viçosa para contento e engorda dos nossos ricos coelhos.
Bem dispostos e com o dia quase passado e depois da colheita bem atada e posta ao ombro, ala que se faz tarde, pois que temos que meter pernas a caminho em direção a casa, que dista dois ou três quilómetros.
Ao passar em frente do portão principal da quinta, tínhamos á nossa espera o feitor da quinta, pessoa já nossa conhecida e que ao vermos passar alegremente com os molhos às costas, obrigou-nos perante um cajado bem corpulento a depositar ali mesmo e sem desculpas amaldiçoadas, ali ficou a seus pés dois bonitos e tristonhos molhos de
Ervas para Coelhos
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
POESIA
DIA DE S. VALENTIM
Aos netos que estão a namorar
Vou ensinar-lhes o caminho
Com muito amor para lhes dar
E uma mão cheia de carinho
Hoje já velho e tropego
Há um caminho a prender
Com muitos ou um só prego
Aqui estou para ve-los vencer
De namoros um pouco sei
Porque também não aprendi
Sei apenas que muito amei
Esperar também muito sofri
Doenças é o que eu não quero
E que não sofram com as dores
Porque quero mesmo ser sincero
Dos seus verdadeiros amores
Ao São Valentim pedi e recorri
Aproveitando a bela ocasião
Em novo muito gostei de ti
Que muito alegraste o coração
João Paiva
Fevereiro 2026


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