SOUSENIORALDEANO
Prolongar a juventude é desejo de todos, desfrutar de uma velhice sadia é sabedoria de poucos.
sábado, 24 de outubro de 2026
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
POESIA
A TERRA DE NINGUÉM
Há um lugar onde ninguém mora.
Não aparece nos mapas, não tem fronteiras, nem caminhos assinalados.
É uma terra feita de espera.
Chega-se a ela quando a vida nos tira o chão e ainda não nos ofereceu um
novo horizonte.
Ali, o tempo caminha descalço.
As horas deixam de contar os dias e passam apenas a respirar.
Foi nessa terra que aprendi o verdadeiro peso do silêncio.
Não o silêncio que nasce da ausência, mas aquele que nos obriga a ouvir a
voz escondida dentro de nós.
No princípio, tive medo.
As paisagens pareciam vazias.
As árvores erguiam os braços como quem procura uma resposta no céu.
O vento atravessava os campos sem encontrar uma única palavra.
Depois, devagar, comecei a reparar que a terra de ninguém estava cheia de
pequenas vidas.
Uma flor nascida entre as pedras.
Uma ave que insistia em cantar antes do amanhecer.
Uma semente que rompia a terra sem perguntar se era o tempo certo.
Foi então que compreendi.
Há lugares que parecem abandonados apenas porque estão à espera de um
coração capaz de os reconhecer.
Também nós somos, por vezes, essa terra.
Um espaço onde a esperança parece ter partido.
Um campo onde o passado já não floresce e o futuro ainda não lançou raízes.
Mas é precisamente aí, nesse intervalo invisível, que a vida prepara o seu
milagre.
Nenhum rio nasce caudaloso.
Nenhuma árvore oferece sombra no dia em que germina.
Nenhum ser humano se encontra sem primeiro se perder.
Hoje, quando volto a essa terra sem nome, já não a vejo como um lugar de
abandono.
Vejo-a como o primeiro degrau de todas as recomeçadas.
Porque descobri que a terra de ninguém é, afinal, a terra onde começamos, pela
primeira vez, a pertencer a nós próprios.
Conceição Parreira
Outubro de 2026
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
O REGRESSO DO BLOG
Acabaram as férias e o blog está de volta.
Enviem trabalhos originais (Nada de cópias da net, para isso temos o Google…) de fotografia, vídeos, áudios, textos em poesia ou prosa, pintura, trabalhos artesanais como costura, bordados, cerâmica, escultura, etc.
Para começar vamos recordar as férias.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
BALANÇO E DESPEDIDA
Junho chegou e com ele, o final das aulas e também o final do
Blog.
Chegaram então as férias.
Para alguns de nós isso significa
descanso, momentos de prazer, de relax, um tempo para fazer coisas diferentes,
um tempo para “nada” fazer.
As férias são um tempo ótimo para desfrutar do dito “tempo
livre” e porque não para registarmos com um simples clique, momentos únicos que
não voltarão a acontecer e que mais tarde nos farão sorrir.
Férias são também, tempo para balanço.
É este o balanço da atividade do nosso Blog:
MEMBROS PARTICIPANTES – 89
SEGUIDORES – 43
VISITAS AO BLOG – 104098
PUBLICAÇÕES – 5291
A todos, o Blog deseja, BOAS FÉRIAS!
Ligar o som e clicar na imagem abaixo para ver e ouvir o
vídeo de final do ano.
Lídia Ramalho
Junho 2026
sábado, 6 de junho de 2026
PROSA
A PEDRA DE AFIAR
AS VELHICES DE UM AVÔ (13)
Era o utensílio mais conhecido no meio da classe piscatória, mas o qual nunca existiu. Muito se falava nesta pedra, sobretudo quando se tratava de pregar uma partida aos mais jovens descuidados. Não eram só estes a caírem no logro, também pessoas mais idosas, volta, não volta e lá estavam a cair.
Certo dia na praia do Montijo, que ia do Samouco, até á Base Aérea, onde se incluía a praia da Quinta Rota e a praia da Casa Branca, eram assim conhecidas e frequentadas por muita gente, com bom areal e muito limpa. Para além de um tronco de árvore que vinha pelo rio abaixo, alguns muito bem polidos, que até pareciam ter saído, das mãos de um bom torneiro, mas nada disso apenas andavam pelo rio há muitos anos, rolando pelas margens sem vontade de ir para o mar. A este rio ainda não tinha chegado a poluição, portanto era um rio rico em peixe, porque muitas espécies aqui vinham desovar.
Vamos á história da pedra afiada. Nos baixios desta zona lacustre os pescadores faziam os seus cercos com redes e paus, ou sejam os" tapa esteiros" que empregavam muitos pescadores, que por sua vez integravam os grupos que se chamavam campanhas e que eram designadas pelos nomes dos seus mestres, como a do António Nunes, a do Marujo, a do Tio Ulisses, a do Zé Pipa e outros mais.
O mestre de uma das campanhas homem sempre bem disposto e pronto para as "patifarias" sobre os mais novos: Olha lá tu, vais ter com o tio Joaquim Peludo, que está no princípio do cerco, que dista uns dois quilómetros e pede-lhe a meu mando a pedra de afiar as enchadas.
- Ok tio Manuel. E o jovem lá foi cantando e rindo, já cansado buscar a pedra, quando chegou junto do tio Joaquim, já sem folego, dá o recado do Tio Manuel e o tio Joaquim diz-lhe:
- A pedra está lá mais abaixo.
- Responde o mensageiro, está bem tio Joaquim e onde está a pedra?
- Estás a ver aquele pilar ao fundo do cerco?
- Sim estou a ver.
- Então vai lá que encontras a pedra.
Ao chegar verifica que não a podia trazer porque estava cimentada pilar.
Muito triste o jovem voltou para junto do Tio Manuel e dá-lhe a novidade.
- Pois então caíste que nem um patinho, responde-lhe o tio Manuel, no conto da "Pedra de Afiar Enchadas".
















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