sábado, 25 de abril de 2026

MUSEU DOS FÓSFOROS - TOMAR

 


UM CRAVO QUE QUEBROU O FEITIÇO DO SILÊNCIO

 25 DE ABRIL DE 1974 

(Um conto para os meus netos, sobre coragem e liberdade)

 

Era uma vez um reino à beira-mar chamado Portugal… durante muitos anos, esse reino viveu num longo inverno de silêncio. As pessoas falavam baixinho. Quase não cantavam. E tinham medo de dizer o que pensavam. As janelas ficavam muitas vezes fechadas e as ruas pareciam tristes.

Nesse reino mandavam feiticeiros poderosos, que criavam leis injustas. Eles proibiam certas canções, alguns livros e não deixavam as pessoas escolher livremente. Para terem a certeza de que todos obedeciam, usavam guardas secretos, que espalhavam o medo e terror por todo o lado.

Mas nem tudo estava perdido…

Em segredo, um grupo de jovens militares, chamados Capitães de Abril, começou a sonhar com um reino melhor. Eles sonhavam com ruas cheias de vozes, janelas abertas e canções livres ao vento. Não queriam lutar com violência, mas sim mudar o reino de forma pacífica, com coragem e união.

O plano tinha de ser muito secreto. Para o começar, usaram um feitiço musical.
Numa noite silenciosa, quando quase toda a gente dormia, uma canção proibida passou na rádio:

“E depois do Adeus” - Esse era o primeiro sinal.

Algumas horas depois, ainda de madrugada, ouviu-se outra canção:

 “Grândola, Vila Morena” - Esse era o sinal final.

Quando a música tocou, os portões dos quartéis abriram-se. Soldados e carros tanques saíram para a rua e seguiram em direção à capital, não para atacar, mas para libertar o reino.

Ao nascer do sol, aconteceu algo muito especial.

Uma mulher simples chamada Celeste saiu de casa para ir trabalhar, levava consigo um ramo de cravos vermelhos. Ela nunca tinha sido militar nem usado armas. Quando um soldado lhe pediu um cigarro, Celeste não tinha nenhum para dar. Então ofereceu-lhe um cravo. O soldado sorriu e colocou a flor no cano da sua espingarda. Celeste ofereceu todos os cravos que tinha e todos os soldados colocaram o cravo no cano da espingarda. Nesse instante, as armas deixaram de ser assustadoras e meter medo. Onde antes havia balas, passou a haver flores.

Ao ver que tudo estava a acontecer em paz, o povo ganhou coragem. As pessoas saíram à rua, falaram, cantaram e abraçaram-se.

Os velhos feiticeiros perceberam que já não tinham poder. Sem o medo, não conseguiam mandar. Por isso, partiram, levando consigo o inverno de silêncio.

A partir desse dia, Portugal mudou. As janelas abriram-se, as pessoas puderam falar livremente e as canções voltaram a ouvir-se. A Liberdade passou a fazer parte da vida de todos.

E todos os anos, no dia 25 de abril, os cravos vermelhos voltam a aparecer para lembrar que, mesmo depois de um inverno muito longo, a primavera pode sempre chegar quando há coragem, união e vontade de mudar.

Assim, naquele abril de 1974, o REINO DO SILÊNCIO transformou-se, para sempre na PRIMAVERA DA LIBERDADE, porque a liberdade quando nasce do coração do povo floresce sempre.

 

Maria da Conceição Lavrador

                (Abril 2026)

 

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ESCRITA NARRATIVA

25 de ABRIL, BEM VINDO

Manhã serena, quando o telefone tocou e do outro lado me dizem há uma revolução em Lisboa, nada mais sei, mas já é suficiente para nos alegrar, vamos por o nosso cérebro em ordem, actualiza-lo e esquecer o dia de ontem.

Corro e abro a televisão, julgo que não a mais desliguei, durante alguns dias e assim fui ficando ao corrente do que se passou, do que está acontecer e o que virá a seguir.

Esperei para saber de que lado estava, para por a minha nova vida em ordem, sendo assim também comecei a cantar Grândola Vila Morena.

Comentando com a minha mulher o que estava a acontecer e lá vamos nós para os trabalhos.

Pequeno empresário agrícola, estava consciente que toda a população vinha para a rua e gritar pelo 25 de Abril, como não encontrei a tal multidão, fui á procura e encontrei-a radiante e feliz. Vivendo também à borda de água, fui encontrar os homens do mar em profusão felicidade e bem compreendiam os acontecimentos que entretanto iam vivendo, mas com os pés bem assentes na terra.

Viva o 25 de Abril, agora o meu mundo feliz e contente acabei procurando outros agrupamentos e dispondo-me a integrar a nova vida que por aí vinha e assim aconteceu.

Durante esta euforia, vivi na rua de baixo de todo o entusiasmo que surgia na cara das pessoas, jovens e velhos e por aí adiante, não voltávamos as costas a ninguém.

Quando senti que o entusiasmo das pessoas passam das incertezas para as certezas, mesmo certas, comecei a pensar nos nossos militares que espalhados por toda a Africa, iriam ter a grata atitude de baixarem as armas e a aprenderem o gritar 25 de Abril, agora e sempre.

Fui receber os meus antigos camaradas de África, que começaram a chegar trazendo um cravo africano, que na companhia dos cravos metropolitanos, convergiram num acontecimento para esquecerem todas as dificuldades.

Acabei por chegar a tempo de ver os presos políticos,alguns bastante jovens, outros bastante velhos, mas numa irmandade feliz o que iria na alma daquelas gentes.

Para mim o serviço militar tinha acabado há pouco, mas deu-me para deslocar e poder abraçar aqueles jovens, ainda por cima mal fardados, mas honrados por envergaram uma farda da cor dos militares que fizeram e levaram a peito o 25 de Abril.

Com alegria esfuziante também depositei um cravo no cano de uma G3 e também no cano de uma FBP, metralhadora, que foi minha amiga e confidente durante o meu serviço militar, por terras de África.

Muita gente ou por outra, um mar de gente que se espalhou pelo país inteiro, dando vivas aos heróicos militares que conseguiram derrubar um estado, que embora estando podre, tinha muita força.

No 25 de Abril as mulheres que eu vi, que ao deslocarem-se para os seus empregos, tudo deixaram para traz e juntaram-se ao mar de gente, que tinham como finalidade responder aos apelos dos militares e consequentemente elas também queriam defender a revolução com as suas armas, que eram pura e simplesmente os seus humildes e grandes Corações.

MONTIJO E AS FESTAS DE S. PEDRO

 MEMÓRIAS





TERRAS COMEÇADAS PELA LETRA M

 

MONTIJO

CAIS DOS VAPORES

REINO ANIMAL

 

À ESPERA DO ALMOÇO

REINO ANIMAL

FLAMINGOS