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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

UMA CAMA VOADORA

 DORMIR


A Sofia sentia-se cansada de tantas viagens. Finalmente estava de regresso a casa. Era tarde, desejava tomar um banho quentinho e reparador. Sentia-se impregnada com o cheiro do aeroporto e do avião.

Que bom poder deitar-se na sua confortável cama, a do hotel também era boa, mas nada como o aconchego das coisas familiares. Depois do duche reparador, foi deitar-se exausta, mas com tanta agitação interior seria difícil conciliar o sono, sentia o olhar cansado de tanto observar o escuro do quarto. Os pensamentos fluíam como se fossem um mar bravo de Inverno. Era forçoso adormecer para descansar o seu cérebro  agitado com os acontecimentos das últimas semanas. Tanta coisa para pensar decidir e resolver. Por onde havia de começar? Interrogou-se mais uma vez. Estava a ser difícil chegar a uma conclusão satisfatória para todos os problemas.

Finalmente, conseguiu adormecer profundamente. De súbito acordou com uma música suave, que não sabia de onde vinha, mas que, no entanto, era bela e convidativa, não ficou aborrecida com o facto de ter acordado depois de tanto esforço para adormecer. Mas abriu bem os olhos para saber o que estava a acontecer, e de onde vinha a música, para seu espanto lá estava ela no meio de uma praça num velho coreto, rodeada por uma banda que tocava uma ária de uma ópera de que ela gostava muito, e que o seu avô costumava assobiar alguns acordes para ela adormecer quando era criança. Mas que coisa tão estranha pensou. - Onde estava ela? - Que sítio era este? - Mas o que estava ali a fazer? - As pessoas que estavam sentadas nos bancos da praça, ou na relva pareciam não a ver, será que estava transparente?- Provavelmente nem sequer estava ali, era tudo um sonho, mas beliscou-se e sentiu a dor, portanto se era um sonho, era bem real.

De repente, com uma sacudidela a cama começou a flutuar por cima da banda, e saiu disparada do coreto qual tapete voador das histórias das mil e uma noites. A Sofia pensou, oh que giro sou uma personagem da Mary Poppins, vou ficar aqui e ver até onde esta cama me leva. Começou então a ver a cidade que ficava nas montanhas rodeada de uma floresta com pinheiros e abetos verdes, e que vista, assim, de cima se assemelhava a uma floresta negra e impenetrável.

Quando olhou melhor também viu que a cidade tinha um castelo com torres redondas, o qual parecia saído duma história de encantar daquelas que o seu avô lhe contava.

Era perfeito para as histórias com lindas princesas, e a Sofia pensou - “bom se isto é um sonho quero continuar a sonhar, porque sonhos deste são bons e libertadores da normalidade da rotina da vida”. E deixou a cama voar pelo céu azul e infinito.


Maria José Santos

Fevereiro 2026

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

HALLOWEEN


 

CASA VAZIA


 

NÃO SÃO ROSAS, MAS SÃO ROSA


 

ROSA - ROSA


 

UM CAFÉ À BEIRA RIO


Com os números da pandemia a ficarem mais aceitáveis, decidi convidar a minha amiga Ana para bebermos um café numa esplanada à beira rio. Pela nossa conversa telefónica percebi que alguma coisa se passava com ela, além de ser um bom motivo para nos vermos, o que devido à pandemia já não acontecia há algum tempo.

Estava uma tarde muito agradável, sem vento e com um sol brilhante. 

Embora a Ana seja uma mulher com uma forte personalidade, por vezes também precisa de pedir conselhos, aliás como toda a gente, ouvirmos os outros dá-nos uma outra perspetiva e ajuda a encontrar soluções para problemas que nos parecem tão difíceis de superar e resolver.  

Confirmei a minha intuição, era precisamente para conversarmos acerca de uma situação que estava a decorrer no trabalho, que aqui nos encontrávamos. 

Somos amigas há já alguns anos e ela sabe que pode sempre contar com a minha opinião sincera e ajuda, mais que não seja para desabafar, o que também é muito útil, por vezes através das nossas conversas ela consegue chegar á solução para um problema que a esteja a apoquentar. Hoje não era diferente, ela queria saber a minha opinião acerca de uma situação que se estava a passar no trabalho. 

Contou-me que desconfiava que havia uma colega que estava a sofrer de assédio, mas que a vítima estava relutante em fazer uma queixa formal. Tinha medo de sofrer ainda mais represálias por parte do agressor, que era o seu chefe, ou mesmo perder o emprego. A situação tinha evoluído gradualmente com pequenas observações e piadas de mau gosto acerca do que ela tinha vestido nesse dia, ou do perfume que estava a usar. Como ela tinha fingido que nada tinha percebido, e esquivando-se sempre a uma situação de confronto, as observações do chefe tinham evoluído para outro tipo de assédio, agora era à qualidade do seu trabalho. 

A minha amiga Ana notou que a colega andava nervosa e que a qualidade do seu trabalho estava a ressentir-se de tanta pressão. Falou com a colega para tentar perceber o que se passava mas não conseguiu que ela denunciasse a situação. 

Conversámos longamente acerca do assunto e a Ana ficou com uma ideia mais clara do que fazer. Situações como aquela são muito frequentes mas isso não as torna aceitáveis ou que deixemos que elas se prolonguem sem nada fazer.

E assim o nosso café à beira rio prolongou-se até ao fantástico pôr-do-sol que se alastrava sobre o rio e Lisboa ia ficando cor de laranja. 

Foi muito bom poder estar naquela tarde com aquela mulher espetacular que não pactuava com injustiças nem se deixava intimidar. 

Maria José Santos

Outubro 2021


QUE GRANDE ABÓBORA!



CASTANHEIRO


 

OURIÇOS