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segunda-feira, 1 de junho de 2026

SEMENTES DE AMANHÃ

 Hoje é dia da criança,

Acorda a terra a cantar,

Renasce em nós a esperança

De ver o mundo mudar.

 

Eu tenho esperança num mundo melhor,

Onde o futuro seja mais claro,

Sem a miséria que causa horror,

Sem o adeus que custa tão caro.

 

Um mundo sem fome, sem dor,

Onde a partilha seja real,

Onde o remédio seja o amor,

E o bem vença todo o mal.

 

Nem guerra movendo a terra,

Nem armas a ditar o fim,

Que a paz floresça na serra

E cresça viva no meu jardim.

 

Conceição Lavrador

1/ junho/2026

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NUNCA DIGAS "NUNCA"

Ao fim da tarde, a pastelaria enchia-se do ruído habitual de chávenas pousadas à pressa, conversas cruzadas e passos apressados na rua. Sentada com os amigos, Maria falava com a leveza de quem acredita conhecer, sem margem para dúvida, a vida que quer para si.

- Nunca me via a viver numa aldeia - disse, sem hesitar.  - Preciso de movimento, de pessoas, de ter tudo perto. Uma vida assim nunca seria para mim.

Os amigos sorriram, divertidos com a convicção dela. O empregado, que lhes foi levar a conta, ouviu a frase e comentou, em tom de brincadeira: “nunca digas nunca”.

Mas a vida, tantas vezes discreta na forma como muda tudo, acabaria por trocar-lhe as voltas.

Algum tempo depois, a empresa onde trabalhava passou a permitir

trabalho remoto quase a tempo inteiro. Foi também nessa altura que a avó morreu, deixando-lhe a casa da família, numa aldeia do interior. Como a renda na cidade pesava cada vez mais no orçamento, Maria decidiu instalar-se ali durante uns meses, convencida de que seria apenas uma solução temporária.

Os primeiros tempos não foram fáceis. Custou-lhe o silêncio, a distância a tudo e a lentidão dos dias. No entanto, pouco a pouco, começou a descobrir um certo conforto naquela rotina mais simples: as caminhadas ao fim da tarde, o horizonte aberto e a sensação rara de viver sem estar sempre a correr.

Um dia, enviou uma fotografia da paisagem ao grupo e escreveu apenas: «Afinal, até me estou a habituar.»

Numa noite de chuva forte, a eletricidade foi abaixo durante algum tempo.

Sem televisão nem internet, Maria foi até à cozinha acender umas velas. Enquanto procurava fósforos numa gaveta antiga, encontrou uma pequena caixa de lata que nunca tinha visto.

Lá dentro havia fotografias antigas, uma receita escrita à mão e um envelope com o nome da avó. Entre os papéis amarelados, estava também uma pequena nota dobrada, como se tivesse ficado à espera de ser encontrada.

Ao abri-la, leu uma frase simples que a deixou a pensar: «A casa custa ao princípio, mas depois acaba por cuidar de nós.»

Maria ficou a olhar para a nota enquanto a chuva continuava a cair lá fora, miudinha e constante, como se a casa respirasse com ela. Naquele silêncio, já não sentiu estranheza nem distância, apenas uma paz funda e serena que lhe aquecia o peito. E foi então que percebeu que a vida, por vezes, nos conduz devagar para lugares que julgávamos não nos pertencer.

Afinal, nunca digas “nunca”.


Maria Conceição Lavrador

20/05/2026

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O PULSAR DE MARRAQUEXE

O calor da tarde ainda pairava no ar quando os meus passos me conduziram, quase por instinto, ao coração magnético de Marraquexe, a Cidade Vermelha. Entrar na Praça Jemaa el-Fna ao pôr do sol é aceitar o convite para um espetáculo vivo. O fumo das bancas de comida misturava-se com o aroma a cominhos e hortelã, enquanto tambores e encantadores de serpentes disputavam a atenção da multidão. Era o caos em perfeita harmonia.

Deixei a praça para trás e aventurei-me pelo labirinto dos Souks. Ali, o tempo parece seguir outra velocidade. Perdi-me voluntariamente entre ruelas estreitas: lanternas de metal reluziam sob a luz fraca e montanhas de especiarias coloridas desenhavam pirâmides perfeitas. O som dos artesãos a moldar couro e metal criava a banda sonora daquele formigueiro humano.

Ali perto, os meus olhos ergueram-se para a silhueta imponente da Mesquita Koutoubia. O seu minarete, uma obra-prima da arquitetura almóada, dominava o horizonte. Embora o interior guardasse mistérios inacessíveis, o exterior emanava uma serenidade que ancorava a cidade à sua história espiritual.

Afastei-me das muralhas da Medina em direção ao Jardim Majorelle. O impacto visual foi imediato. O azul-cobalto das paredes, profundo e luminoso, contrastava num golpe de cor com o verde vivo dos catos gigantes e das palmeiras. Caminhar por aqueles trilhos sombreados, outrora resgatados por Yves Saint Laurent, foi o fecho perfeito: um mergulho na frescura, na arte e na tranquilidade.

Noutro momento, atravessei também a parte nova da cidade, longe das ruelas da Medina. As grandes avenidas abriam-se em traçados amplos, com palmeiras a marcar o caminho, e os edifícios modernos, de vidro e betão, refletiam a luz quente do fim do dia. Entre cafés contemporâneos e o trânsito constante, Marraquexe mostrava outra face: mais ordenada, mais recente, mais cosmopolita — e, ainda assim, atravessada pelo mesmo pulso inquieto.

E ainda houve tempo para um desvio até aos Jardins Menara, onde a cidade abranda como se respirasse mais fundo. O grande espelho de água, tranquilo, devolvia a imagem das oliveiras alinhadas e, ao fundo, o recorte das montanhas do Atlas parecia flutuar na distância. Por instantes, observei o vaivém discreto de famílias e viajantes, e percebi que Marraquexe também se revela assim: não só no movimento, mas nessa luz serena que fica depois do som.

Marraquexe não se visita apenas: respira-se no fumo das bancas e na hortelã, escuta-se no choque dos tambores e no murmúrio das ruelas, e guarda-se na memória tanto pelo burburinho da Medina como pela geometria luminosa das grandes avenidas — e pelos instantes de pausa, quando o Atlas parece vigiar ao longe.  Marraquexe estranha-se, mas depois entranha-se”.

Maria da Conceição Lavrador

Maio 2026


sábado, 25 de abril de 2026

UM CRAVO QUE QUEBROU O FEITIÇO DO SILÊNCIO

 25 DE ABRIL DE 1974 

(Um conto para os meus netos, sobre coragem e liberdade)

 

Era uma vez um reino à beira-mar chamado Portugal… durante muitos anos, esse reino viveu num longo inverno de silêncio. As pessoas falavam baixinho. Quase não cantavam. E tinham medo de dizer o que pensavam. As janelas ficavam muitas vezes fechadas e as ruas pareciam tristes.

Nesse reino mandavam feiticeiros poderosos, que criavam leis injustas. Eles proibiam certas canções, alguns livros e não deixavam as pessoas escolher livremente. Para terem a certeza de que todos obedeciam, usavam guardas secretos, que espalhavam o medo e terror por todo o lado.

Mas nem tudo estava perdido…

Em segredo, um grupo de jovens militares, chamados Capitães de Abril, começou a sonhar com um reino melhor. Eles sonhavam com ruas cheias de vozes, janelas abertas e canções livres ao vento. Não queriam lutar com violência, mas sim mudar o reino de forma pacífica, com coragem e união.

O plano tinha de ser muito secreto. Para o começar, usaram um feitiço musical.
Numa noite silenciosa, quando quase toda a gente dormia, uma canção proibida passou na rádio:

“E depois do Adeus” - Esse era o primeiro sinal.

Algumas horas depois, ainda de madrugada, ouviu-se outra canção:

 “Grândola, Vila Morena” - Esse era o sinal final.

Quando a música tocou, os portões dos quartéis abriram-se. Soldados e carros tanques saíram para a rua e seguiram em direção à capital, não para atacar, mas para libertar o reino.

Ao nascer do sol, aconteceu algo muito especial.

Uma mulher simples chamada Celeste saiu de casa para ir trabalhar, levava consigo um ramo de cravos vermelhos. Ela nunca tinha sido militar nem usado armas. Quando um soldado lhe pediu um cigarro, Celeste não tinha nenhum para dar. Então ofereceu-lhe um cravo. O soldado sorriu e colocou a flor no cano da sua espingarda. Celeste ofereceu todos os cravos que tinha e todos os soldados colocaram o cravo no cano da espingarda. Nesse instante, as armas deixaram de ser assustadoras e meter medo. Onde antes havia balas, passou a haver flores.

Ao ver que tudo estava a acontecer em paz, o povo ganhou coragem. As pessoas saíram à rua, falaram, cantaram e abraçaram-se.

Os velhos feiticeiros perceberam que já não tinham poder. Sem o medo, não conseguiam mandar. Por isso, partiram, levando consigo o inverno de silêncio.

A partir desse dia, Portugal mudou. As janelas abriram-se, as pessoas puderam falar livremente e as canções voltaram a ouvir-se. A Liberdade passou a fazer parte da vida de todos.

E todos os anos, no dia 25 de abril, os cravos vermelhos voltam a aparecer para lembrar que, mesmo depois de um inverno muito longo, a primavera pode sempre chegar quando há coragem, união e vontade de mudar.

Assim, naquele abril de 1974, o REINO DO SILÊNCIO transformou-se, para sempre na PRIMAVERA DA LIBERDADE, porque a liberdade quando nasce do coração do povo floresce sempre.

 

Maria da Conceição Lavrador

                (Abril 2026)

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

"J" DE JOÃO

Junto ao tempo, o nome se faz,

onde a força encontra a paz.

Ancorado em luz e oração,

olhando o mundo com o coração.

Agraciado no seu caminhar,

um nome curto, mas pronto a brilhar.

É a marca de quem sabe

ser gracioso no dom de ser feliz.

Conceição Lavrador

Abril de 2026

"J" DE JOAQUINA

 

No nome guardas o tempo,

Um eco de antigamente,

Mas trazes no passo o vento

De quem vive o presente.

São sete letras de história,

Com “J”de força e de brio,

Gravas na nossa memória

O correr de um grande rio.

Joaquina, que o destino

Te seja leve e fagueiro,

Como um canto cristalino

Que ilumina o dia inteiro.

Que a tua graça perdure,

Nesse nome com raiz,

Para que a vida te cure

E te faça sempre feliz.

Conceição Lavrador

Abril de 2026 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O SONO DA PEDRA DO JARMELO

 

Erguido no dorso de um monte granítico, 

Onde o vento fustiga a memória da pedra, 

O Jarmelo dorme um sonho fatídico,

Enquanto o tempo, em silêncio, se desterra. 


Houve um rei que, de dor e de fúria cego,

Mandou arrasar e salgar a terra e o destino, 

Pelo sangue de Inês, vertido no sossego, 

Vingou-se o Pedro no povoado franzino. 


Hoje, o ferro ergue-se, negro e austero, 

Em figuras que contam a tragédia antiga, 

E o que foi castro, vila e império, 

É agora uma ruína que o sol abriga. 


Mas entre os muros de S. Pedro e S. Miguel,

Ainda pulsa a alma de uma raça forte, 

No Jarmelo escreve o seu papel, 

Vencendo o esquecimento e a própria sorte. 


Conceição Lavrador

Abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

JARMELO: HISTÓRIA, LENDA E SILÊNCIO

 A antiga vila do Jarmelo localiza-se numa ramificação da Serra da Estrela, a cerca de quinze quilómetros da cidade da Guarda, numa posição estratégica que permitia o controlo das rotas entre o Planalto Beirão e a fronteira com Castela. Atualmente, o seu território reparte-se entre as freguesias de São Pedro e São Miguel do Jarmelo, tendo o antigo castro um papel organizador do espaço.

Neste cume ventoso do Jarmelo, onde hoje as pedras guardam um silêncio austero, ecoa ainda o rumor de uma maldição antiga. Diz a lenda que aquela que foi uma das mais prósperas vilas da Beira não sucumbiu ao tempo, mas à fúria de um rei ferido pelo luto.

Cresci a ver, da janela, o cume do Jarmelo recortado contra o céu. A sua presença constante, imóvel e silenciosa, acompanhou os meus dias muito antes de eu compreender o peso histórico e simbólico daquele lugar. Ao mesmo tempo, fui ouvindo a lenda repetida em tom quase ritual, tantas vezes contada que deixou de ser apenas uma história para passar a fazer parte da paisagem interior. Entre aquilo que via e aquilo que escutava, o Jarmelo foi-se tornando um espaço onde memória pessoal, tradição oral e identidade coletiva se confundem.

A memória histórica da localidade está profundamente associada à lenda do assassínio de Inês de Castro, segundo a qual um dos seus assassinos seria natural do Jarmelo. A tradição refere que, após a subida ao trono de D. Pedro I, a vila teria sido arrasada como forma de vingança régia. Apesar da falta de confirmação documental, esta lenda permanece central na identidade simbólica do lugar.

No antigo Jarmelo, a relação entre história e memória estende-se também à arte contemporânea. Destaca-se o conjunto escultórico Homenagem a Inês de Castro, composto por sete peças em ferro inauguradas em 2006 e concebidas por Rui Miragaia, que evocam episódios ligados à lenda. A escolha do ferro e a disposição das esculturas ao longo do percurso para o castro reforçam a integração paisagística e a dimensão narrativa do local. Outras intervenções artísticas, como uma escultura inspirada na vaca jarmelista, contribuem igualmente para a valorização e reinterpretação da identidade local.

Convido todas as pessoas a visitar o Jarmelo e a descobrir de perto as suas paisagens, histórias e manifestações artísticas. Uma caminhada pelo antigo castro, acompanhada pela observação das esculturas e pela vivência das tradições locais, oferece uma experiência única de aprendizagem e partilha, ideal para quem procura enriquecimento cultural e momentos de convívio.

Venha conhecer o Jarmelo e deixe-se envolver pela sua identidade singular.

Conceição Lavrador

Abril/2026

quinta-feira, 2 de abril de 2026

O BRINDE DOS 71

Setenta e um? Quem diria!

O motor continua a rodar,

com mais fôlego e alegria

e muito combustível para gastar.

 

Diz o BI que o tempo passou,

mas o meu espírito não quer saber,

a gratidão em mim despertou

e ensinou-me o melhor do viver.

 

Agradeço cada gargalhada,

       cada brinde, cada feitiço,

a vida é uma bela jornada

e eu cá sigo, sem medo do risco!

 

Obrigada, vida, pelo vigor,

pelas histórias que ainda vou criar,

pois com 71, com todo o esplendor,

o melhor de mim está para chegar!


Conceição Lavrador

Abril de 2026

segunda-feira, 30 de março de 2026

ESCRITA NARRATIVA

 SEMANA SANTA E PÁSCOA


A Semana Santa é o coração da fé cristã: acompanhamos a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, acolhendo o mistério do amor de Deus que Se entrega por todos.

O Domingo de Ramos abre a Semana Santa, recordando a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido com ramos, como Rei humilde. Entre a alegria da multidão e o silêncio que se aproxima, somos convidados a caminhar com Ele no mistério que estes dias nos revelam.

Na Quinta-feira Santa, celebramos a Última Ceia: Jesus deixa-nos a Eucaristia e o mandamento do amor, ensinando-nos a servir com humildade.

Na Sexta-feira Santa, contemplamos a cruz: o sacrifício de Jesus é fonte de esperança e caminho de salvação.

No Sábado Santo, a Igreja espera em oração;

Na Vigília Pascal, proclamamos com alegria: Cristo ressuscitou.

A Páscoa anuncia que a vida vence a morte e renova a nossa fé.

Viver a Semana Santa é caminhar com Jesus, confiando que a luz triunfa sobre a escuridão.

Em Portugal, estes dias vivem-se com devoção: procissões, sinos, andores floridos e o silêncio das igrejas ajudam-nos a reviver os passos de Cristo em oração e comunidade.

Entre as tradições pascais, destaca-se a troca de gestos entre afilhados e madrinhas: o ramo oferecido com carinho e o folar retribuído, muitas vezes com amêndoas e chocolates, sinais de alegria e vida nova.


Conceição Lavrador

29/03/2026


sexta-feira, 20 de março de 2026

POESIA

 SINFONIA DA PRIMAVERA


A terra rompe o silêncio do frio,

num sussurro de seiva que sobe ao céu,

onde antes havia o vazio,

surge o verde rasgando o mantéu.

 

É o nascimento, o primeiro clarão,

de pétalas que aprendem a abrir,

um pulsar de vida em cada terrão, 

que ensina o mundo a sorrir.

 

A natureza acorda, menina e forte,

banha-se em luz, despe-se do medo,

vence a estagnação e a própria sorte,

revelando à vida o seu segredo.

 

O sol desperta, morno e dourado,

beijando o rosto do mundo adormecido,

o inverno parte, de peito cansado,

pelo sopro da vida enfim vencido.

 

Nos campos verdes, o mar de esperança,

onde o vento baila em passos de lã,

tudo se agita, como uma criança

que acorda rindo na luz da manhã.

 

As flores brotam, joias da terra,

pétalas vivas em mil matizes,

pintam de cores a paz que se encerra

no canto doce das aves felizes.

 

É tempo de ver o amor que floresce,

puro e radiante sob o azul do céu,

pois na Primavera a alma rejuvenesce

e o coração rasga, de vez, o seu véu.

 

Os passarinhos com seus trinados, 

cantam a vida, o regresso, o amor,

fazem os ninhos com mil cuidados,

num coro imenso e sedutor.

Conceição Lavrador

Março de 2026 


quarta-feira, 4 de março de 2026

HORIZONTES DO H

 Sob o céu de Horta, jurei te amar,

com o azul dos Açores a nos abraçar.

Em Huambo, no brilho de um novo amanhecer,

descobri que a vida é contigo acontecer.

Por Heliópolis, sob a luz de um luar,

procurei teus olhos para me guiar.

Seja em Hanói ou no cais de Hamburgo,

é no teu abraço que o meu mundo mudo.

No verde do Horto, o beijo se faz,

no silêncio que traz a mais doce paz.

De H em H, o mundo, num abraço, pisamos,

Fica a história de amor que juntos traçamos.


Conceição Lavrador

03/março/2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CARNAVAL

 CARNAVAL PORTUGUÊS

O Carnaval, também chamado Entrudo, entrelaça-se profundamente com a história e os costumes do nosso país, marcada por influências tanto pagãs como cristãs. De origens ancestrais, era uma celebração que se ligava ao ciclo agrícola, simbolizando o início da primavera e a despedida do inverno rigoroso.

Nas suas raízes mais antigas, o Carnaval assumia-se como um ritual de transição: as comunidades reuniam-se em torno da esperança na fertilidade da terra, saudando o regresso dos dias amenos e a promessa de abundância. O ambiente vibrava com as expectativas de renovação e crescimento, essenciais à vida rural e aos hábitos tradicionais.

Com o passar dos séculos, este festejo foi absorvido pela tradição cristã, tornando-se um rito que antecede a Quaresma e, consequentemente, um tempo de penitência e abstinência. Foi nesse momento de adaptação cultural que o Carnaval adquiriu novos sentidos e formas, perpetuando-se na memória coletiva.

Ao longo dos tempos, O Carnaval português revela-se uma celebração resiliente e multifacetada, que soube adaptar-se às mudanças culturais e religiosas, mantendo sempre viva a sua essência de renovação e alegria. Hoje, continua a unir comunidades, celebrando não apenas a tradição, mas também o espírito de criatividade e liberdade que caracteriza esta festa tão singular no panorama nacional. Assim, o Entrudo persiste como um elo entre passado e presente, valorizando a herança cultural e reforçando o sentido de pertença de todos os que nele participam.


Conceição Lavrador

Fevereiro 2026