À passagem pelo amplo átrio principal que nos conduziria à saída da gare, começámos a ouvir o tilintar metálico de ferramentas que hábeis operários manobravam freneticamente sobre um andaime colocado perto do teto do edifício.
Nisto, ouve-se:
– Meu capitão!
As pessoas, cansadas de uma viagem de comboio e desejando chegar aos seus destinos pouco reagiram ao chamamento vindo do alto mas a “música” produzida pelos martelos sobre escopros diminuiu de ritmo e de intensidade.
– Meu capitão – ouve-se outra vez.
Algumas cabeças, entre as quais a minha, movidas pela curiosidade, rodaram para cima.
– O meu capitão já não se lembra de mim? Sou o Ferreira da sua companhia em Paço de Arcos.
– Claro que me lembro – disse eu com satisfação reconhecendo o soldado Ferreira que fora quarteleiro da minha companhia uns anos antes.
Desceu os andaimes vigorosamente.
Abraçámo-nos e conversámos um pouco com uma genuína alegria estampada nos rostos causada por este inesperado e feliz reencontro. Despedimo-nos e voltou a trepar por ali acima. O dever chamava-o.
Saí da estação e ao subir a rua 31 de Janeiro ia dizendo para com os meus botões:
– Sempre que venho ao norte encontro amigos autênticos.
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