sábado, 23 de outubro de 2021

ESTAÇÃO DE S. BENTO, PORTO


 A majestosa estação de S. Bento e os seus deslumbrantes painéis de azulejos recordam-me um inesquecível desembarque que aí efetuei numa calma tarde de verão lá para os finais do século XX mas em data que não consigo precisar.


À passagem pelo amplo átrio principal que nos conduziria à saída da gare, começámos a ouvir o tilintar metálico de ferramentas que hábeis operários manobravam freneticamente sobre um andaime colocado perto do teto do edifício.

Nisto, ouve-se:

– Meu capitão!

As pessoas, cansadas de uma viagem de comboio e desejando chegar aos seus destinos pouco reagiram ao chamamento vindo do alto mas a “música” produzida pelos martelos sobre escopros diminuiu de ritmo e de intensidade.

– Meu capitão – ouve-se outra vez.

Algumas cabeças, entre as quais a minha, movidas pela curiosidade, rodaram para cima.

– O meu capitão já não se lembra de mim? Sou o Ferreira da sua companhia em Paço de Arcos.

– Claro que me lembro – disse eu com satisfação reconhecendo o soldado Ferreira que fora quarteleiro da minha companhia uns anos antes.

Desceu os andaimes vigorosamente.

Abraçámo-nos e conversámos um pouco com uma genuína alegria estampada nos rostos causada por este inesperado e feliz reencontro. Despedimo-nos e voltou a trepar por ali acima. O dever chamava-o.

Saí da estação e ao subir a rua 31 de Janeiro ia dizendo para com os meus botões:

– Sempre que venho ao norte encontro amigos autênticos.

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