O PLÁTANO NO OUTONO
Folhas caem, se soltam da mãe, pelo vento
Despem-se de preconceitos e sorriem ao calor;
À noite dormem ao luar, de manhã ao relento;
Acolhem brandos abraços firmes, de seu amor;
Voam sem asas e aterram no chão molhado,
Renovam a vida de um mundo encantado,
Choram saudades aos pés de sua fonte,
Meditam desejos de outono, no seu horizonte;
Escondem outras vidas com sua roupagem,
São como barcos, canoas que flutuam pelo rio:
Transportam formigas até à outra margem,
Carregam as sementes nas costas ao frio
Convivem em grupos com muita firmeza,
Esperam o inverno e a primavera chegar,
A vida, no mundo, aos poucos se renovar,
E os plátanos viverem uma nova beleza.
Bernardino Traquete
Janeiro 2026
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