DORMIR
A Sofia sentia-se cansada de tantas viagens. Finalmente estava de regresso a casa. Era tarde, desejava tomar um banho quentinho e reparador. Sentia-se impregnada com o cheiro do aeroporto e do avião.
Que bom poder deitar-se na sua confortável cama, a do hotel também era boa, mas nada como o aconchego das coisas familiares. Depois do duche reparador, foi deitar-se exausta, mas com tanta agitação interior seria difícil conciliar o sono, sentia o olhar cansado de tanto observar o escuro do quarto. Os pensamentos fluíam como se fossem um mar bravo de Inverno. Era forçoso adormecer para descansar o seu cérebro agitado com os acontecimentos das últimas semanas. Tanta coisa para pensar decidir e resolver. Por onde havia de começar? Interrogou-se mais uma vez. Estava a ser difícil chegar a uma conclusão satisfatória para todos os problemas.
Finalmente, conseguiu adormecer profundamente. De súbito acordou com uma música suave, que não sabia de onde vinha, mas que, no entanto, era bela e convidativa, não ficou aborrecida com o facto de ter acordado depois de tanto esforço para adormecer. Mas abriu bem os olhos para saber o que estava a acontecer, e de onde vinha a música, para seu espanto lá estava ela no meio de uma praça num velho coreto, rodeada por uma banda que tocava uma ária de uma ópera de que ela gostava muito, e que o seu avô costumava assobiar alguns acordes para ela adormecer quando era criança. Mas que coisa tão estranha pensou. - Onde estava ela? - Que sítio era este? - Mas o que estava ali a fazer? - As pessoas que estavam sentadas nos bancos da praça, ou na relva pareciam não a ver, será que estava transparente?- Provavelmente nem sequer estava ali, era tudo um sonho, mas beliscou-se e sentiu a dor, portanto se era um sonho, era bem real.
De repente, com uma sacudidela a cama começou a flutuar por cima da banda, e saiu disparada do coreto qual tapete voador das histórias das mil e uma noites. A Sofia pensou, oh que giro sou uma personagem da Mary Poppins, vou ficar aqui e ver até onde esta cama me leva. Começou então a ver a cidade que ficava nas montanhas rodeada de uma floresta com pinheiros e abetos verdes, e que vista, assim, de cima se assemelhava a uma floresta negra e impenetrável.
Quando olhou melhor também viu que a cidade tinha um castelo com torres redondas, o qual parecia saído duma história de encantar daquelas que o seu avô lhe contava.
Era perfeito para as histórias com lindas princesas, e a Sofia pensou - “bom se isto é um sonho quero continuar a sonhar, porque sonhos deste são bons e libertadores da normalidade da rotina da vida”. E deixou a cama voar pelo céu azul e infinito.
Maria José Santos
Fevereiro 2026
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