Uma cela
Cinco homens
Em seis dias apreçados
Cinco gestos algemados
Por recusarem a trela
Uma ponta de aço espesso
Corta p'ra Luz a saída
Mas cá dentro pulsa a Vida
Porque a Esperança não está morta
Uma janela
com grades
Filtra ao sol a alegria
Rouba a beleza do dia
Mas a Razão mora nela
Uma mesa
Ao chão pregada
Cinco beliches torcidos
Lembrando esquifes fendidos
Não nos tiram a Certeza
Uma sonora
pancada
Atravessando a parede
Vem aliviar a sede
do convívio lá de fora
Um tribunal
Arbitrário
Sem lugar para a defesa
Transforma o Homem em presa
Do poderio animal
Octávio Dias
Fevereiro 2026
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