sábado, 14 de fevereiro de 2026

ESCRITA NARRATIVA

REDACÇÃO

Era pequeno tinha doze-treze anos, e como todas as crianças, só queria dormir, após o pôr do sol. Não havia televisão e a rádio era ouvida em casa do vizinho.

Trabalhava de dia e estudava à noite, era assim para quem não fosse filho de homem calçado. O meu pai era pescador, para vencer e conquistar melhores dias tinha que ser com muito sacrifício.

A minha professora de português ordenou-me que fizesse uma redacção, acerca de um acontecimento que viesse a suceder nesse dia mas, nada de anormal até aqui.

A eletricidade á minha casa ainda não tinha chegado. Havia o candeeiro a petróleo e, como detestava o cheiro mais ruim do Universo, o candeeiro era apagado logo que não fizesse falta. Assim, a minha avó chamava-me de madrugada, para fazer as minhas obrigações escolares, antes de partir para mais um dia de trabalho e, aproveitando o amanhecer do dia. Mas naquele dia a madrugada nasceu escura, pelo que a minha avó tivesse que acender o candeeiro a petróleo e, colocando-o em cima da mesa de cabeceira. me chamou, como só ela sabia acordar o neto, que ainda tão jovem já começaria a comer o pão que o Diabo amassou.

Esfreguei os olhos, puxei-me para cima, naquele belo colchão de barbas de milho, olhei para um velho relógio que marcava as seis horas e preparei-me para começar mais um dia de trabalho, que tinha mais horas de trabalho do que descanso.

Ah! A redacção que tem que ser feita agora, e, qual o acontecimento mais importante? Perguntei para mim.

Lá fora fazia frio e vento e eu pensando qual o título a dar redacção, esfregava os olhos ensonado, aconchegando para mim a roupa da cama, enquanto a minha avó já labutava contra as agruras da vida que sempre conheceu.

Finalmente começo:



REDACÇÃO

Hoje tive um dia completamente normal, nada de especial, nada que merecesse qualquer referência me tinha acontecido, como é que agora haveria de arranjar argumento para escrever. 

Estava eu nesta ansiedade por não encontrar motivo, quando uma voz vinda do quintal me anunciava que, para alem do frio, caía neve. Era a voz da minha avó dar-me a notícia.

Fiquei tão contente, tão cheio de vontade em fazer a descrição da queda de neve, que dei um salto de alegria na cama. Em tão mau momento o dei, que a  cama estremeceu, bateu na mesa de cabeceira e zás o petróleo no chão, vidro partido, quarto ás escuras e a aflição da minha avó quanto ao petróleo derramado e eu também arreliado por ter encontrado o motivo para a redacção e, não o ter concretizado.

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