Afinal viver não é sofrer
É amar incondicionalmente
E de maltratar se abster
O olhar cinzento da criança
O cabelo loiro
E claro de sol
Plena de caracóis densos
Era uma verdade mentirosa
No vão de escada melindrosa
A brusca busca das almas
Conduz-nos ao tormento do inferno
Mas há esperança no silêncio
Um sopro leve, desconcertante,
No rumor das palavras não ditas
E no eco do riso distante.
Por entre as fissuras do medo
Cresce uma flor tímida
A promessa do impossível
Tecida em pétalas de luz.
No abismo onde caímos
Ergue-se a ponte do afeto,
E no rumor do quotidiano
Desenha-se o contorno secreto
Do que nos salva e condena
Entre sombras, sonhos e nevoeiro.
Conceição Parreira
Fevereiro 2026
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