terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

POESIA

 

Afinal viver não é sofrer

É amar incondicionalmente

E de maltratar se abster

O olhar cinzento da criança

O cabelo loiro

E claro de sol

Plena de caracóis densos

Era uma verdade mentirosa

No vão de escada melindrosa


A brusca busca das almas

Conduz-nos ao tormento do inferno

Mas há esperança no silêncio

Um sopro leve, desconcertante,

No rumor das palavras não ditas

E no eco do riso distante.

Por entre as fissuras do medo

Cresce uma flor tímida

A promessa do impossível

Tecida em pétalas de luz.

No abismo onde caímos

Ergue-se a ponte do afeto,

E no rumor do quotidiano

Desenha-se o contorno secreto

Do que nos salva e condena

Entre sombras, sonhos e nevoeiro.


                                                                                                            Conceição Parreira

                                                                                                             Fevereiro 2026

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