segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

POESIA


Eremita

Vivo onde o silêncio aprende a falar.

As pedras me chamam pelo nome antigo,

e o vento, paciente, termina minhas frases.

Afastei-me do ruído para escutar o essencial:

o passo lento do tempo,

a respiração funda da terra,

o coração nu das coisas simples.

Não estou só —

a solidão é apenas um outro modo de companhia.

Nela, encontro mapas feitos de sombra e luz,

e sigo, sem pressa,

como quem já chegou.

Conceição Parreira

Fevereiro 2026

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