Eremita
Vivo onde o silêncio aprende a falar.
As pedras me chamam pelo nome antigo,
e o vento, paciente, termina minhas frases.
Afastei-me do ruído para escutar o essencial:
o passo lento do tempo,
a respiração funda da terra,
o coração nu das coisas simples.
Não estou só —
a solidão é apenas um outro modo de companhia.
Nela, encontro mapas feitos de sombra e luz,
e sigo, sem pressa,
como quem já chegou.
Conceição Parreira
Fevereiro 2026
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