Estava meu amor quedado e surdo
Condenado por certo à vanidade
Da vida sem razão, descrendo em tudo
Mas de tudo conservando a castidade
Tal era a servil passividade
Com que via os desaires do meu luto
Que não sabia o era ter saudade
E no futuro não via qualquer fruto
Mas eis que num repente tu surgiste
Trazendo a meu viver nova surtida
Que me transformou em novo alguém
E juro minha querida que se existe
Quem criou do nada, febre e vida
És tu minha adorada e mais ninguém
Octávio Dias
Fevereiro 2026
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