DATILOGRAFIA
AS VELHICES DE UM AVÔ (7)
DATILOGRAFIA, foi a disciplina que fui dar, numa escola que existiu na Praça da
Republica , quando jovem e já la vão sessenta e seis e anos, quando saía do meu
trabalho, como bancário e a título gracioso ía dar aulas para as alunas e alunos
que nos procuravam.
No fim de uma aula fiz-me acompanhar por uma aluna e acabei por levá-la a
casa, que ficava ali para os lados da Rua Direita. Era graciosa, muito bonita e
trajava lindamente um vestido de chita, muito bem folhiado, calçava meias
brancas e soquetes ligeiramente acastanhadas e com atacadores de cor.
O cabelo revolto atirado para traz, de cor preto, ficava-lhe muito bem e era
gabado por todos lá na escola, apesar deste tipo de cabelo ser penteado para os
lados ela apreciava pentea-lo á sua maneira.
A miuda tinha cá um jeito para escrever máquina, e com o som das teclas
construía uma melodia, que me atirava para as nuvens. Um dia pude acariciar as
suas lindas mãos, sedosas e finas. "Como me recordo destes tempos em que
jogava ténis de mesa, ía aos bailes da 1oDezembro, praticava hoquei em patins
na Banda Democrática e velejava e muito nas canoas do rio onde o meu pai
ganhava o seu pão como pescador e sei lá o mais que fazia" Conversávamos
coisas um pouco acima da nossa juventude e íamos ficando amigos.
Depois de algumas lições e no final da aula, fui com ela rua acima até chegarmos
a sua casa, que ficava num primeiro andar, mas cujas escadas eu nunca subi,
ficava sempre no vão, até que a sua mãe a chamava para cima. Nesse dia eu
tinha a obrigação de acender a luz de presença na agência bancária onde
trabalhava e naquela noite, não sei porquê a luz ficou apagada.
A minha mãe já andava desconfiada com o atrazo das horas quando chegava
acasa e não está com meias medidas, põe o chaile pelas costas e vai direitinha á
escola e repara que a luz está apagada o que constituia uma falta grave.
Em braza pergunta por mim na escola e de lá saíu com toda a informação, voltou
a casa pegou numa vassoura de cabo comprido e abalou em minha direção, para
fazer justiça.
Encontrava-me no vão da escada, muito sossegadinho, talvez aquecendo as
mãos da pequena, enquanto faziamos juras de amor e até já tinhamos combinado
o programa para irmos ao baile 5 no próximo sábado a noite na Primeiro de
Dezembro, a sociedade que relizava espetáculos e bailes na vila.
Repentinamente, zás uma vassourada a correr-me do pescoço aos pés, isto é
pelas costas a baixo. Grande salto eu dei acompanhado de um grito da mocinha.
A minha mãe ficou toda satisfeita por me ter apanhado com a vassoura e, assim
vim correndo direitinho a casa.
Depois de tudo o que se passou, no outro dia pelas dez horas, já estava no
Banco para trabalhar, só então reparei que a luz estava apagada.
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