domingo, 15 de março de 2026

ESCRITA NARRATIVA

JOÃO TORRESMO

Para os que não sabem, o seu pai João Pedro Iça, foi um valoroso militar que foi o primeiro montijense a morrer em combate na guerra de 1914/1918 e por isso o seu nome ficou perpetuado numa rua da nossa cidade.

Ao regressar de um dia de pesca, encontrou junto aos muros do rio, um grupo de jovens dos dezassete/dezoito anos, que nadavam junto as embarcações.

- Gritou dizendo que o Manel-Zé, vai a nadar rio acima, que se recusou a embarcar no catraio e proferindo palavras desagradáveis, a maré esta a vazar e ele não vai ter força para regressar, ainda bem que os encontro aqui, por isso vão buscá-lo.

- Está bem tio João, você já não precisa do catraio, vamos aproveitar a vazante da maré e rapidamente chegaremos junto dele.

- Então tomem os remos, que são mais levezinhos e vão-se embora apressadamente.

Assim vai o grupo rio acima em direção á Base Aérea, onde se dá a junção do nosso rio com o Mar da Palha, local perigoso, dado a junção das correntes.

O Manel-Zé está distante do grupo aí umas duas a três milhas, muito tiveram que remar para o encontrar, aqui já o grupo estava preocupado por não o ter encontrado, mas não podiam esquecer que o catraio era de madeira e por isso muito pesado e como tal não podiam imprimir mais velocidade, mas tinham de o encontrar rapidamente.

Começam a perder as forças por tanto remar e os pensamentos de aflição que vinham á memória de alguns não eram nada agradáveis. pois que foi naquele local onde se encontravam, que o tio Manel morreu, não se sabendo o que aconteceu ao pescador, mas o barco foi encontrado á deriva.

Todos querem chegar ao Manel-Zé, bom nadador, muito jovem e que não sabe que um grupo de amigos o procuram, já passou muito tempo e o grupo começa a desanimar, sabendo que a maré está em preia-mar,pensam que o podem procurar com mais tranquilidade porque nesta altura não remavam contra a maré.

Finalmente chegam à fala com o Manel-Ze, que tranquilamente boiava aproveitando a enchente que o ajudava a regressar aos muros.

Quando trocaram palavras de desagrado, sobretudo pela aflição que viveram .

- O Manel-Zé, responde deixem-me em paz, não veêm que eu estou a nadar de regresso.

João Paiva

Março de 2026

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