sábado, 21 de março de 2026

ESCRITA NARRATIVA

INCÊNDIOS/CORONAVÍRUS

Hoje desenfiei-me do meu estado de quarentena e fui dar um pequeno passeio, junto aos pinheiros que bonitos estão. E para meu espanto encontrei o senhor Incêndio, vinha apagado, mesmo assim perguntei?

- Como tem passado o senhor Incêndio? Bons olhos o vejam!

- Estou bem, ando com muito frio, porque o tempo não tem estado nada bom e o frio é muito.

- Não me diga, no ano passado por nesta altura, já o senhor andava por aí a fazer das suas, até já tinha chegado até à Serra da Estrela, mas este ano como ainda não ouvi o crepitar dos ramos ardendo, julgo que não andará muito contente, mas enfim.Também foi apanhado pelo Coronavirus? Digo-lhe não sei quão pirata é um

ou o outro, não posso com os dois, conheço a si de ginjeira, quanto ao outro anda por aí.

- Ainda vão ter saudades minhas, por quanto a mortes, não chego nem sequer aos calcanhares dessa pandemia.

- Não deite foguetes para o ar, porque pode ter que ir apanhar as canas, mais ainda quando vier fazer companhia ao coronavirus, pode trazer fósforos e isqueiro, que eu vou recebe-lo com um balde de água fria.

Resposta da ponta da língua do senhor Incêndio:

- Logo se verá se o senhor ainda não me vai chamar para apagar o fogo que o

coronavirus está a causar, lembre-se quando da epidemia da tuberculose nos íam

chamar para queimar tudo quanto dizia respeito à vítima, está recordado?.

- Estou sim senhor, mas volto a dizer-lhe para ficar quietinho lá nas suas e deixe- nos em paz, porque o coronavirus já é tão mau, que não precisa de más companhias.

- Nunca diga que desta água não beberei, porque o dia de amanhã só a Deus

pertence.

- Como é possível o Diabo falar de Deus, não se preocupe que Deus está muito

desapontado com o coronavírus, dado que se ausentou do seu seio e às escondidas anda por aí a fazer das suas. Só mais uma coisa eu quero pedir-lhe, senhor Incêndio, vá para onde tem andado ultimamente, que por aqui não faz falta alguma.

João Paiva

Março de 2026

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