quinta-feira, 12 de março de 2026

POESIA

                            O MEU RIO

            Muitos anos entre nós passaram

            Foste com gosto a minha ambição

            Recebeste bem os que até a ti chegaram

            A quem dedicaste a melhor atenção


            Na enchente por vezes barafustaste

            Na vazante deixaste um agueiro

            Não foste de todo um traste

            Porque sempre limpaste o esteiro


            Quando chegamos ao preia mar

            Os mais velhos e sabedores de fé

            Põem-se muitas vezes a reclamar

            Pelos desencontros da tua maré


            Os antigos que ainda cá estão

            Olham para os filhos já criados

            E dizem, para o rio não foram não

            Muito menos para embarcados


            Meu rio não podes estar doente

            Apesar de muito mal tratado

            Não tenho dúvidas que estás carente

            E muito longe de estares acabado


            Nas tuas margens sempre vivi

            E nelas muitas vezes mergulhei

            Com as correntes muito aprendi

            E os muitos sustos que apanhei


            O teu leito é um pegado lameiro

            Se estivesse na minha mão te ajudava

            Sabendo que foste um rio primeiro

            Onde toda a gente navegava


            Na tua enchente e vazante

            Muito me ajudaram a sonhar

            Desde o mau tempo a levante

            Ao mar sereno para navegar

João Paiva                

Março de 2026                

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