FRAGATA
O arrais com ela, morreu
Todo o vai e vem do rio
Com alegria conheceu
A morte chegou e feriu
Todo o fardo que carregaste
Nos teus largos porões
Nunca por medo te arreliaste
Mesmo com o mar de vagalhões
O peso do carregamento
Em tua consciência
Nunca foi motivo de desalento
Ou perda da tua paciência
E agora ainda vais navegar
Com a vela de cor garrida
É bom ficares a pensar
Na tua maré mais querida
Agora ali estás encalhada
Na vazante da maré
Já se vê uma tábua encarquilhada
E tu ali estás, altiva, sempre de pé
João Paiva
Março de 2026
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