25 de ABRIL, BEM VINDO
Manhã serena, quando o telefone tocou e do outro lado me dizem há uma revolução em Lisboa, nada mais sei, mas já é suficiente para nos alegrar, vamos por o nosso cérebro em ordem, actualiza-lo e esquecer o dia de ontem.
Corro e abro a televisão, julgo que não a mais desliguei, durante alguns dias e assim fui ficando ao corrente do que se passou, do que está acontecer e o que virá a seguir.
Esperei para saber de que lado estava, para por a minha nova vida em ordem, sendo assim também comecei a cantar Grândola Vila Morena.
Comentando com a minha mulher o que estava a acontecer e lá vamos nós para os trabalhos.
Pequeno empresário agrícola, estava consciente que toda a população vinha para a rua e gritar pelo 25 de Abril, como não encontrei a tal multidão, fui á procura e encontrei-a radiante e feliz. Vivendo também à borda de água, fui encontrar os homens do mar em profusão felicidade e bem compreendiam os acontecimentos que entretanto iam vivendo, mas com os pés bem assentes na terra.
Viva o 25 de Abril, agora o meu mundo feliz e contente acabei procurando outros agrupamentos e dispondo-me a integrar a nova vida que por aí vinha e assim aconteceu.
Durante esta euforia, vivi na rua de baixo de todo o entusiasmo que surgia na cara das pessoas, jovens e velhos e por aí adiante, não voltávamos as costas a ninguém.
Quando senti que o entusiasmo das pessoas passam das incertezas para as certezas, mesmo certas, comecei a pensar nos nossos militares que espalhados por toda a Africa, iriam ter a grata atitude de baixarem as armas e a aprenderem o gritar 25 de Abril, agora e sempre.
Fui receber os meus antigos camaradas de África, que começaram a chegar trazendo um cravo africano, que na companhia dos cravos metropolitanos, convergiram num acontecimento para esquecerem todas as dificuldades.
Acabei por chegar a tempo de ver os presos políticos,alguns bastante jovens, outros bastante velhos, mas numa irmandade feliz o que iria na alma daquelas gentes.
Para mim o serviço militar tinha acabado há pouco, mas deu-me para deslocar e poder abraçar aqueles jovens, ainda por cima mal fardados, mas honrados por envergaram uma farda da cor dos militares que fizeram e levaram a peito o 25 de Abril.
Com alegria esfuziante também depositei um cravo no cano de uma G3 e também no cano de uma FBP, metralhadora, que foi minha amiga e confidente durante o meu serviço militar, por terras de África.
Muita gente ou por outra, um mar de gente que se espalhou pelo país inteiro, dando vivas aos heróicos militares que conseguiram derrubar um estado, que embora estando podre, tinha muita força.
No 25 de Abril as mulheres que eu vi, que ao deslocarem-se para os seus empregos, tudo deixaram para traz e juntaram-se ao mar de gente, que tinham como finalidade responder aos apelos dos militares e consequentemente elas também queriam defender a revolução com as suas armas, que eram pura e simplesmente os seus humildes e grandes Corações.
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