MOTOR FORA DE BORDA
Grande alegria e grande foi a tristeza. A maré está cheia a seguir ao almoço, portanto dá lugar a um passeio de catraio pelo rio, que era um prazer para nós, mas só enquanto o pai dormia.
Após o almoço, ala que se faz tarde, a caminho dos muros hoje que se chama cais, na ansia de irmos estrear um motor que o pai havia comprado para ser instalado no barco onde ele desenvolvia a sua atividade piscatória. O desenvolvimento tinha chegado à canoa Boa Viagem, que era utilizada como enviada, para transportar o pescado para a Lota. Como não sabíamos trabalhar com tal máquina fomos pedir ajuda.
- Oh Manel tu sabes trabalhar com motores?
- Não respondeu o Manel do tio Ulisses, mas vão falar com o António do Peludo, que até é vosso familiar, que ele tem um motor igual ao vosso.
- Tá bem, mas não fomos falar com ele, conhecia bem o pai e talvez nos arranjasse mais um problema.
Então que fazer?
Ir ver se o pai ainda está a dormir e sem que a mãe desconfiasse de alguma patranha nossa, porque aí estava o caldo entornado, mas lá conseguimos distrair a mãe e levarmos por diante a tão empreitada de por o motor a trabalhar. A mãe nem por sonhos, alguma vez julgasse que nós iríamos praticar tal embrulhada.
Nada nos impedia de levarmos a bom porto um tão grande desejo de vermos um motor a trabalhar, o resto sabíamos nós, mas de volta em quando lá nos metíamos numa ou outra aventura.
Fomos falar com o João Ilhéu que tem um motor semelhante e ele esteve de acordo e lá fomos para o catraio, o motor já trabalha e agora é colocá-lo na popa do catraio e a trabalhar por mão do João Ilhéu, agora é zarpar em direção á Ponte dos Vapores, para mostrar aos fragateiros o nosso catraio a motor, não podíamos demorar muito tempo, o pai não tarda acorda e depois e vê-lo a caminho do cais. É isso mesmo temos que ir já embora e assim fizemos.
Quando tudo estava prestes a terminar pelo melhor, há que tirar o motor do catraio e colocá-lo no barco a que pertence, que é o lugar dele e aqui começa a desgraça, ao içá-lo para bordo, há um desiquilíbrio de nós dois quando temos o motor em mãos e záz mergulhamos os dois juntamente com o motor, nós nos agarramos ao catraio e o motor foi para o fundo do rio.
João Paiva
Abril de 2026
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