ILHA DO RATO
Quantos montijenses não conhecem a Ilha do Rato, ou o Mouchão do Montijo, muitos, muitos milhares, mesmo.
Pontos de referência para a ilha, do nosso lado temos, a Base Aérea, a Quinta do Batedoiro, a Quinta do Seixalinho e do lado do Lavradio, temos a Ponta da Passadeira e a ilha fica de frente e para o Rosairinho.
Quem vai para Lisboa de barco encontra a base a estibordo e a dita ilha a bombordo, repara naquela porção de terra rodeada por água, quer na vazante, quer na enchente repara nitidamente a ilha, que dista da base aproximadamente dois quilómetros.
Presentemente já não tem qualquer habitação, nem restos de viveiros de peixe e de mariscos, que por lá existiam. Foi habitada por uma família de pescadores, oriundos do bairro do mesmo nome, que por lá se mantiveram, até aos anos sessenta/setenta. Eram independentes na sua alimentação porque se abasteciam na vila do Montijo, de tudo quanto necessitavam e aproveitavam para vender o pescado e as ostras e as ameijoas que eram em abundância.
Não quero esquecer para as gentes da minha geração, sobretudo para os pescadores e seus familiares, utilizavam aquela ilha para fins turísticos, pois que para ali rumavam, acompanhados dos bons produtos porcinos, como torresmos, chouriços e toucinhos, assim como os nossos bons melões e do célebre vinho do Montijo, da casa José Leite, Gabriel do Carmo e dos Pinhos.
Assim passavam bons fins de semana, quero aqui fazer um reparo, esta ilha foi muito utilizada pela juventude da borda de água.
Hoje quase completamente assoreada, julgo que corre o risco de se perder. Este verão tive a oportunidade de visitar esta ilha a bordo da canoa "Deolinda Maria," esta senhora foi mãe de três dignos pescadores, dos quais dois morreram no mar, esta canoa tem como mestre um velho homem do mar de nome Alexandre.
João Paiva
Abril de 2026
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