domingo, 5 de abril de 2026

FÁBULA


O Caranguejo e o Escorpião

À beira de um rio de águas calmas vivia um caranguejo paciente, que caminhava de lado, observando o mundo com atenção. Passava os dias a recolher pequenos tesouros da areia e a ouvir o murmúrio da água. Num dia quente, apareceu um escorpião vindo do deserto próximo. Estava cansado e precisava atravessar o rio, mas não sabia nadar. — Caranguejo — disse ele —, leva-me nas tuas costas até à outra margem. Prometo não te picar. O caranguejo hesitou. — Como posso confiar em ti, se o teu ferrão é feito para ferir? O escorpião respondeu com voz sincera: — Se te picar, afogar-me-ei contigo. Não faria sentido. Depois de pensar longamente, o caranguejo aceitou. Entrou devagar na água, sentindo o peso do escorpião nas costas. A meio do rio, porém, sentiu uma dor aguda. — Porque fizeste isso? — perguntou, já enfraquecido. — Agora morreremos os dois. O escorpião baixou a cabeça e respondeu: — Não foi por mal. Foi da minha natureza. O caranguejo afundou-se nas águas, compreendendo, tarde demais, que a confiança não pode ignorar aquilo que o outro é. 

Moral da fábula: Nunca esperes que alguém deixe de ser quem é só porque a situação o exige.

Conceição Parreira

Abril 2026

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