Erguido no dorso de um monte granítico,
Onde o vento fustiga a memória da pedra,
O Jarmelo dorme um sonho fatídico,
Enquanto o tempo, em silêncio, se desterra.
Houve um rei que, de dor e de fúria cego,
Mandou arrasar e salgar a terra e o destino,
Pelo sangue de Inês, vertido no sossego,
Vingou-se o Pedro no povoado franzino.
Hoje, o ferro ergue-se, negro e austero,
Em figuras que contam a tragédia antiga,
E o que foi castro, vila e império,
É agora uma ruína que o sol abriga.
Mas entre os muros de S. Pedro e S. Miguel,
Ainda pulsa a alma de uma raça forte,
No Jarmelo escreve o seu papel,
Vencendo o esquecimento e a própria sorte.
Conceição Lavrador
Abril de 2026
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