quinta-feira, 9 de abril de 2026

O SONO DA PEDRA DO JARMELO

 

Erguido no dorso de um monte granítico, 

Onde o vento fustiga a memória da pedra, 

O Jarmelo dorme um sonho fatídico,

Enquanto o tempo, em silêncio, se desterra. 


Houve um rei que, de dor e de fúria cego,

Mandou arrasar e salgar a terra e o destino, 

Pelo sangue de Inês, vertido no sossego, 

Vingou-se o Pedro no povoado franzino. 


Hoje, o ferro ergue-se, negro e austero, 

Em figuras que contam a tragédia antiga, 

E o que foi castro, vila e império, 

É agora uma ruína que o sol abriga. 


Mas entre os muros de S. Pedro e S. Miguel,

Ainda pulsa a alma de uma raça forte, 

No Jarmelo escreve o seu papel, 

Vencendo o esquecimento e a própria sorte. 


Conceição Lavrador

Abril de 2026

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