O Caís do Sodré é um dos belos bairros
inserido no centro histórico de Lisboa. Em outrora era um lugar que apenas
transitavam cargueiros, barcos de pescas, marinheiros em busca de aventuras em
terra, lisboetas e forasteiros a procura de diversão, prostituição entre muitos
outros atrativos que uma cidade portuária oferece…
Atualmente a região está na moda com
suas baladas, bares, cafeterias e restaurantes, como também, ainda conserva
suas antigas mercearias, cantinas, belos casarios, a famosa Rua Cor de Rosa que
era lugar de prostíbulos e hoje repaginada considerada uma das mais badaladas e
pitoresca da cidade, frequentada e visitada por pessoas de todo o globo.
A Estação do Cais do Sodré leva o mesmo
nome do bairro é uma suntuosa estação as margens do Rio Tejo que circulam cerca
de 18 milhões de passageiros anualmente, sendo ponto de convergência de barcos,
metrôs, comboios interligando a área metropolitana, transportando passageiros
de um lado ao outro do rio, como também, ponto de partida da linha ferroviária
até Cascais, a qual é muito concorrida no verão e pelos turistas, pois é um
belo passeio que vale a qualquer tempo.
Neste bairro também está localizado o
Mercado da Ribeira que foi inaugurado em 1882, porém em 1893 ocorreu um
incêndio destruindo parte dele, mais adiante deixou de ser comércio atacadista
para o varejo, posteriormente iniciou uma nova vertente relacionada a cultura,
arte e culinária e, além disso, sucessivamente sofreu várias remodelações e
ampliações até sua exploração ser atribuída pela Câmara Municipal à Time Out em
2010 através de concurso publico para concessão deste espaço.
O Time Out Market Lisboa foi inaugurado em 2014, possui aproximadamente 36 estabelecimentos entre restaurantes, bares e quiosques. Sua área é de aproximadamente 5000 metros quadrados incluindo cerca de 500 lugares sentados no espaço coberto e mais 250 de esplanada. Alguns restaurantes tradicionais portugueses abriram mais um espaço por lá, porém depois de 2 anos de sua inauguração já registrou o faturamento anual de 24 milhões de euros com cerca de 3 milhões de visitantes e, mais adiante em 2018 chegou perto de 4 milhões. É o primeiro mercado cultural e gastronômico do mundo.
Na outra metade da área são as bancas originais que vendem pescados, carnes, frutas, legumes, entre outros as belas floristas e alguns vendedores são pessoas muito conhecidas da cidade que mantem sua tradição. E ainda, no food hall acontece concertos, Djs, exposições suspensas no teto, tudo que movimenta agradavelmente o ambiente o tornando cada vez mais atrativo. Além de tudo isso, o mercado possui escola de cozinha; academia que é um espaço para eventos culinário totalmente equipado; estúdio onde realizam espetáculos, conferência, feiras e eventos, sempre com uma vasta agenda cultural.
Este mercado é visitado por turistas de
diversas nacionalidades e muito frequentado pelos próprios portugueses. É ponto
de encontro de amigos para happy hour, pois é um lugar agradabilíssimo para
tomar uma boa bebida acompanhada de deliciosos petiscos, apreciar as maravilhas
da culinária portuguesa ou, ainda, especialidades da cozinha internacional.
Sempre pratos bem elaborados por renomados chefs de cozinha a preços justos.
O restaurante que mais frequento é a
Cozinha da Felicidade, sempre saboreio uma deliciosa salada de folhas verdes
crocantes, com frutas vermelhas, queijo de cabra e gelado de mel é uma
combinação indescritível, simplesmente saborosíssima. Minha filha prefere
Henrique Sá Pessoa, um delicioso peixe acompanhado de batatas fritas especiais
e para finalizar nos deliciamos com pasteis de natas da Manteigaria.
O ideal seria em cada visita ir a um
diferente restaurante para apreciar outras iguarias, pois há muitas opções de
excelente qualidade. Entretanto é muito difícil mudar quando gostamos de
determinado prato, pois no caminho já estamos mentalizando a maravilha que
iremos saborear, mas seria interessantíssimo ousar e descobrir novos sabores…
O surpreendente é que atualmente parte
do Mercado da Ribeira está temporariamente fechado devido a pandemia, pois é
imaginável para quem conhece este magnífico lugar. É difícil perceber este
espetacular espaço encerrado, mesmo com a afirmativa: “Até Breve” nas suas
redes sociais. Tenho plena consciência que é necessário devido a segurança de seus
profissionais e clientes, como também, o pouco movimento em decorrência do
período que estamos vivendo, provavelmente, acarretará muitas despesas que não
devem ser compatíveis em manter aberto.
Na nossa memória sempre estará a
diversidade de sabores, cultura, raças, arte, tudo harmonicamente. Momentos
sempre especiais que nos deixam sem palavras. Precisamos acreditar que tudo
passará, a vida é um ciclo e dificuldades sempre existirão, mas necessitamos de
coragem e ousadia para reinventarmos. Com certeza seremos muito melhores…
Dezembro 2020
Liliana Borges

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