AMOR ETERNO EM CAMÕES
Ó Amor, que em tormento me sustentas
E em gozo breve a alma me elevas,
Tu que, cego, por sendas incertas,
Transformas pranto em rosa de relvas.
No peito ardes com chama discreta,
Sem razão, sem remédio, nem receio;
Tal como a nau que ao vento se entrega
E desafia o mais agreste meio.
É dor suave, é doce padecimento,
É esperança que nunca se revela,
É sombra e luz num mesmo pensamento,
É sorte ingrata, mas nunca tão bela.
Que seja duro o fado ou desatino,
Que sejam ondas, rochedos ou marés,
Amor resiste, altivo, peregrino,
Como Camões, nos versos que me dás.
E se, enfim, do tempo for vencido,
No eco antigo das rimas dispersas,
Fica o amor, indomável e sentido,
Na memória eterna dos meus versos.
Conceição Parreira
Janeiro 2026
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