segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

VERSOS INSPIRADOS PELA LÍRICA CAMONIANA

AMOR ETERNO EM CAMÕES


        Ó Amor, que em tormento me sustentas

        E em gozo breve a alma me elevas,

        Tu que, cego, por sendas incertas,

        Transformas pranto em rosa de relvas.

        No peito ardes com chama discreta,

        Sem razão, sem remédio, nem receio;

        Tal como a nau que ao vento se entrega

        E desafia o mais agreste meio.

        É dor suave, é doce padecimento,

        É esperança que nunca se revela,

        É sombra e luz num mesmo pensamento,

        É sorte ingrata, mas nunca tão bela.

        Que seja duro o fado ou desatino,

        Que sejam ondas, rochedos ou marés,

        Amor resiste, altivo, peregrino,

        Como Camões, nos versos que me dás.

        E se, enfim, do tempo for vencido,

        No eco antigo das rimas dispersas,

        Fica o amor, indomável e sentido,

        Na memória eterna dos meus versos.


Conceição Parreira

Janeiro 2026

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