Encontro de Heterónimos
Um poema sobre Adolfo, Sophie, Bernardo e o ortónimo Francisco
Na sala silenciosa de palavras por nascer,
Francisco senta-se, pena em punho e olhar vazio,
Mas dentro, fervilham nomes e vontades de ser:
Adolfo, Sophie, Bernardo — vozes num só fio.
Adolfo, com a gravata justa e o semblante preciso,
Calcula os versos como quem resolve equações.
Fala do mundo em traços firmes e raciocínio conciso,
Busca a ordem, a certeza, nas dúvidas e ilusões.
Sophie é brisa de tarde, riso solto no jardim,
A cor dos campos, o aroma da infância perdida.
Na sua voz, cabem as histórias de amor sem fim,
E um balançar de sonhos, leveza na vida.
Bernardo, por seu turno, é poeta de corpo e alma,
Vê o absurdo, o mistério, a dúvida constante,
Cultiva o espanto, a saudade, a coragem que acalma,
Dissolve no papel o medo e o instante.
Francisco — ortónimo, rosto sem máscara nem véu —
Observa e escuta o tumulto dos seus outros eus.
É fio condutor, é palco, é chão e é céu,
Onde Adolfo, Sophie e Bernardo habitam sonhos seus.
Assim se forma o poema: um encontro de identidades,
Cada qual com a sua voz, os seus mundos, as suas verdades.
Francisco sorri, sabendo-se plural e uno:
No universo dos nomes, é ele o destino comum.
Conceição Parreira
Janeiro 2026
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