REFLEXO
Teatro de operações militares, nas matas de Angola, durante a guerra subversiva.
O tenente Manuel João apresenta-se para receber os mapas da região em que se irão efetuar os trabalhos de vigilância e reconhecimento, que tem para seu destino os próximos dias.
- Ok tenente, aqui estão todos os elementos de que precisará, de modo a levar a bom termo a operação que vai comandar e boa sorte.
- Obrigado meu Major, desejo-lhe um bom dia de trabalho.
Feita a continência do acto e cada um foi aos seus afazeres. O tenente reune os seu homens, colocando-os ao corrente do que se irá passar e deseja boa sorte a todos.
Em plena mata e por caminhos desconhecidos, o grupo caminha audazmente em silêncio e de olhos bem abertos. Ouvem o chilrear da passarada, os grunhidos dos macacos e outros sons de animais corpulentos.
Eis se não, quando se ouve uma enorme explosão originada pelo rebentamento de uma mina. Confusão, muita poeira e muita gente a gritar pela mãe, muito sangue, muitas rajadas. Mas há dois ou três soldados que já não chamam pelas mães, já estão mortos. Um deles é o jovem comandante Manuel João.
Como seu adjunto, também ferido ligeiro do braço direito, consigo e expondo-me de corpo e alma ás balas, a ajudar os feridos, dando-lhes toda a assistência possível, e ter a maior atenção para com os mortos.
Com muita atenção para com os sobreviventes, que estão desesperados e com enorme tristeza, consigo apazigua-los com os diálogos possíveis e bem camuflados durante o tempo de espera que foi enorme, até que o pelotão de socorro chegasse até nós para nos socorrer.
Dizem que a sorte protege os audazes, mas não protegeu o tenente Manuel João, que morreu em combate a poucos dias de terminar a sua comissão militar em Angola.
João Paiva
Março de 2026
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