domingo, 15 de março de 2026

POESIA

                BARCO NAUFRAGADO


            Os pescadores a nado, tentaram à terra chegar

            Envoltos em tão mar bravio, já não o podiam vencer

            Muito menos à terra, bendita, podiam alcançar

            O que infelizmente veio a acontecer


            Da campanha só um agarrado ao barco ficou

            E por ele já nada se podia fazer

            Mas com muita força às tàbuas se agarrou

            Desde o longo amanhecer até ao triste anoitecer


            No estado em que a alma desespera

            Onde nada se podia fazer, assim ali permaneceu

            E o mar a bater-lhe e ele com o sentido à espera

            Em volto na tempestade, algo de felicidade aconteceu


            Destroçado ele e a embarcação

            A tempestade perfeita não o largava

            E com força bruta, agarrava a sua devoção

            Pescador de barba dura, pensando que à terra voltava


            Nevoeiro, chuva, mas mar calmo viu uma gaivota

            Com os olhos que já não acreditava viu Nossa Senhora

            De certeza que era para o levar de volta

            E com a maior alegria, pensou, chegou a minha hora


            O que veio a acontecer

            Gaivota, é a nossa Senhora que nunca o deixou

            Desde as desgraçadas manhãs até ao anoitecer

            Toda a esperança ao naufrago dedicou.

João Paiva            

Março de 2026            

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