BARCO NAUFRAGADO
Os pescadores a nado, tentaram à terra chegar
Envoltos em tão mar bravio, já não o podiam vencer
Muito menos à terra, bendita, podiam alcançar
O que infelizmente veio a acontecer
Da campanha só um agarrado ao barco ficou
E por ele já nada se podia fazer
Mas com muita força às tàbuas se agarrou
Desde o longo amanhecer até ao triste anoitecer
No estado em que a alma desespera
Onde nada se podia fazer, assim ali permaneceu
E o mar a bater-lhe e ele com o sentido à espera
Em volto na tempestade, algo de felicidade aconteceu
Destroçado ele e a embarcação
A tempestade perfeita não o largava
E com força bruta, agarrava a sua devoção
Pescador de barba dura, pensando que à terra voltava
Nevoeiro, chuva, mas mar calmo viu uma gaivota
Com os olhos que já não acreditava viu Nossa Senhora
De certeza que era para o levar de volta
E com a maior alegria, pensou, chegou a minha hora
O que veio a acontecer
Gaivota, é a nossa Senhora que nunca o deixou
Desde as desgraçadas manhãs até ao anoitecer
Toda a esperança ao naufrago dedicou.
João Paiva
Março de 2026
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