QUADRO NEGRO ESCOLAR
Quem não se lembra de ver aquele quadro negro, quando entrou pela primeira vez na sua sala de aulas, quer na escola de uma cidade ou de uma aldeia, fosse ela grande ou pequena.
Ali está suspenso na principal parede da sala de aulas, normalmente por cima ou ao lado da secretária do ou da professora, por norma acima de um estrado de madeira. Na sua prateleira onde era visto o apagador e os respetivos cotos de giz.
Ao entrar na sala de aulas, quantas crianças se assustaram ao verem que ali estava um objeto que no seu futuro escolar muito tinha que com ele partilhar.
A começar pelo a e i o u, passando pelos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0, a imensidade de textos e de formas matemáticas, passaram por aquela superfície lisa, que permitia aos alunos um dos
eternos meios de ensino, que emocionaram grandes e pequenos cérebros. Pois que aquele quadro não era mais do que um utensílio de enorme valia, que se espraiou pela vida fora, não olhando para as camadas mais protegidas, como de igual modo procedeu para com os mais desprotegidos.
Nos primeiros dias de aulas era visível a dificuldade das crianças, perante aquela bisarma negra que metia medo ao susto, mas que com o tempo se foi moldando ao feitio de cada um e por fim passou a ser um dos seus, mesmo quando alguma lágrima subtil se manifestava perante professores e alunos. Da mesma forma ali estava para receber os mais rasgados elogios dos professores, que eram proferidos diretamente aos alunos na sua prestimável presença.
Cheguei a pensar que aquela superfície negra que ali estava plantada naquela parede, mais parecia o sol incandescente que ali nascia todos os dias, primeiro para nos alumiar, depois para nos aquecer ou refrigerar e que levava a ter que assistir as desavenças, que eram originadas, para que o apagador ficasse numa só mão para que o limpasse dos escritos originados pelo giz, porque aquele objeto nada mais tinha para ser limpo, a não ser quando obrigatoriamente ficasse ás escuras, depois de muito ter servido e agora tinha como companheira a imensa escuridão da sua irmã que era da sua cor.
Não fico por aqui, certo dia a professora pede ao Manuel, que tire do cacifo um mapa e que o pendure no quadro e diga o que lá encontra, Manuel assim respondeu sobre a Oceania, agora Joaquim faz o mesmo e Joaquim fez o mesmo, de novo Oceania, agora António e o mesmo Oceania. No intervalo a professora troca a posição dos mapas no cacifo. José tira o mapa e lê, Europa, tudo bem agora o João que diz América, rebenta uma gargalhada na sala de aulas, não desrespeitando a professora, sim com a conivência do quadro que não denunciou a tramóia, obrigado quadro negro.
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