A PEDRA DE AFIAR
AS VELHICES DE UM AVÔ (13)
Era o utensílio mais conhecido no meio da classe piscatória, mas o qual nunca existiu. Muito se falava nesta pedra, sobretudo quando se tratava de pregar uma partida aos mais jovens descuidados. Não eram só estes a caírem no logro, também pessoas mais idosas, volta, não volta e lá estavam a cair.
Certo dia na praia do Montijo, que ia do Samouco, até á Base Aérea, onde se incluía a praia da Quinta Rota e a praia da Casa Branca, eram assim conhecidas e frequentadas por muita gente, com bom areal e muito limpa. Para além de um tronco de árvore que vinha pelo rio abaixo, alguns muito bem polidos, que até pareciam ter saído, das mãos de um bom torneiro, mas nada disso apenas andavam pelo rio há muitos anos, rolando pelas margens sem vontade de ir para o mar. A este rio ainda não tinha chegado a poluição, portanto era um rio rico em peixe, porque muitas espécies aqui vinham desovar.
Vamos á história da pedra afiada. Nos baixios desta zona lacustre os pescadores faziam os seus cercos com redes e paus, ou sejam os" tapa esteiros" que empregavam muitos pescadores, que por sua vez integravam os grupos que se chamavam campanhas e que eram designadas pelos nomes dos seus mestres, como a do António Nunes, a do Marujo, a do Tio Ulisses, a do Zé Pipa e outros mais.
O mestre de uma das campanhas homem sempre bem disposto e pronto para as "patifarias" sobre os mais novos: Olha lá tu, vais ter com o tio Joaquim Peludo, que está no princípio do cerco, que dista uns dois quilómetros e pede-lhe a meu mando a pedra de afiar as enchadas.
- Ok tio Manuel. E o jovem lá foi cantando e rindo, já cansado buscar a pedra, quando chegou junto do tio Joaquim, já sem folego, dá o recado do Tio Manuel e o tio Joaquim diz-lhe:
- A pedra está lá mais abaixo.
- Responde o mensageiro, está bem tio Joaquim e onde está a pedra?
- Estás a ver aquele pilar ao fundo do cerco?
- Sim estou a ver.
- Então vai lá que encontras a pedra.
Ao chegar verifica que não a podia trazer porque estava cimentada pilar.
Muito triste o jovem voltou para junto do Tio Manuel e dá-lhe a novidade.
- Pois então caíste que nem um patinho, responde-lhe o tio Manuel, no conto da "Pedra de Afiar Enchadas".
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