sexta-feira, 6 de março de 2026

ESCRITA NARRATIVA

HUMILDADE

A tia Augusta foi uma senhora que eu conheci, na qualidade de cozinheira de um restaurante que se chamava Primavera, que eu frequentava com regularidade.

Senhora já antiga, muito surda e outro tanto de simpática, nascida no Alentejo, mais propriamente numa localidade bastante conhecida que se chama Porto Covo. Terra que imortalizou uma cantiga do famoso Rui Veloso, dizem os forasteiros, mas não foi.

Aquela pequena e simpática aldeia piscatória, banhada pelo Oceano Atlântico e que algumas vezes foi vítima das descargas poluentes voluntárias ou não de algum petroleiro, cujo comandante se descuidou. Porém hoje é conhecida turisticamente pelo mundo inteiro.

Tantas palavras para quê? Perguntam vocês: Apenas para relatar um pequeno e alegre acontecimento.

Eu estava no escritório, que fica na rua da frente para o restaurante, quando a tia Augusta me veio chamar para atender um telefone.

Saí apressado juntamente com a Tia Augusta, para atender o telefone. Já no caminho perguntei-lhe:

- Tia Augusta como se chama a pessoa que me ligou?

Resposta da Tia Augusta, com aquele ar simples e humilde.

Nã sei senhor, eu desligui o tilefone

João Paiva

Março  de 2026

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