Jaz no jardim da linguagem
uma letra leve,
j — de janela, de gesto, de jogo.
Junto palavras como quem junta jasmim,
e o cheiro já é quase um jeito de dizer
o que jamais se diz.
Jogo-me no jorro do som,
no jeitinho das sílabas
que dançam, juntas, em júbilo.
J é também o já e o jamais,
o começo e o corte,
o salto súbito do pensamento.
Juro que a letra se move —
não é tinta, nem traço:
é um jardim inteiro a germinar na boca.
E quando a noite chega,
e tudo jaz em silêncio,
resta o j —
ainda jovem,
ainda vivo,
ainda jogando luz
no escuro das palavras.
Conceição Parreira
Abril 2026
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