OCEANO
Como é que nasceste
Como é que apareces
Como é que cresceste
Como é que desapareces
E que dizer da tua imensidão
Ali está e a perder de vista
Mesmo assim nos dás a mão
E que a tua vontade persista
Bates no gelo e este se derrete
E se desfaz e de muitos amores
És como um jovem bem carente
Que por amor sofre tantas dores
Foste cúmplice da pirataria
Que praticou em teu ventre
Não foi mais que a selvajaria
Da mais terrível e pungente
Nas noites escuras como o breu
Em que eu já não consigo sonhar
Pois não sendo eu bem um ateu
Mas por favor deixa-me navegar
João Paiva
Junho 2026
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